10/01/2019 às 07h41min - Atualizada em 10/01/2019 às 07h41min

Tem lixo pra todo lado

Levantamento da Prefeitura aponta ao menos 159 pontos críticos de descarte irregular em toda a cidade

VINÍCIUS LEMOS
Na saída para Campo Florido se joga de tudo à beira da estrada | Foto: Vinicius Lemos
Uberlândia tem ao menos 159 pontos críticos de descarte irregular de lixo espalhados por todas as regiões do Município, de acordo com o levantamento feito pela Prefeitura. Eles são tratados dessa maneira justamente por serem um problema crônico, em que a população insiste em deixar todo tipo de entulho em locais onde o descarte é proibido. Em 2018, mais de 1,6 mil multas foram aplicadas em flagrantes de descartes em pontos críticos ou em outros locais. Contudo, há locais visitados pelo Diário em que moradores contaram que a limpeza ou fiscalização não acontecem com regularidade.

Uma das áreas mais conhecidas e catalogadas como ponto crítico é a saída para Campo Florido, na rodovia MGC-455. Segundo a Prefeitura, há um trecho com extensão de 200 metros de lixão no local, o qual passa por limpeza periódica, dependendo do volume de descartes. Durante 15 minutos em que a reportagem do Diário esteve no local, foram flagrados pelo menos dois despejos irregulares. Um homem em uma moto deixou cadernos velhos e um carroceiro esteve na rodovia com uma série de galhos cortados.

No primeiro caso, a reportagem não conseguiu abordar o motociclista, mas o carroceiro foi questionado sobre o despejo. A princípio, ele negou que descartaria as podas no trecho, porém foi flagrado duas vezes indo ao lugar. Na primeira, desconfiou da presença da reportagem e saiu com o veículo. Em seguida, quando a reportagem deixou a rodovia por alguns minutos, o carroceiro retornou ao local e foi abordado dentro do ponto crítico.

O custo para recolhimento e limpeza de pontos críticos fica próximo de R$ 10 milhões por ano, de acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico, João Júnior. Nesses terrenos são jogados de tudo um pouco. De lixo doméstico a podas de árvores e entulho, além de animais mortos, aparelhos eletrodomésticos e até mesmo mobília velha.

Para esses tipos de descartes, segundo o secretário, há serviços da própria Prefeitura para recolhimento. Na cidade há 13 Ecopontos que podem receber restos de construções, massa verde originada de podas, recicláveis e até os chamados volumosos, que são móveis descartadas, por exemplo. Caso a população queira, também é possível recolher móveis e eletrodomésticos velhos por meio de agendamento do chamado Cata-Treco da Prefeitura. Já o lixo doméstico fica a cargo da coleta de lixo diária, presente em todos os bairros regulares da cidade. Até o recolhimento de animais mortos é feito pelo Município,  mediante agendamento.

“A população precisa também mudar de hábitos. Se consegue se deslocar de carro, pick-ups ou mesmo carroças até esses locais, pode ir até um Ecoponto. O que não pode é sujar esses pontos. Você tira o lixo da sua porta e leva o problema para a porta de outra pessoa”, disse João Júnior. Os riscos de acúmulo de lixo em local inadequado vão desde incômodos como mau cheiro e concentração de animais e insetos à propagação de doenças e entupimento de bueiros em épocas chuvosas, o que acarreta em alagamentos pela cidade.

O secretário informou que a maior parte dos pontos críticos está concentrada em terrenos baldios. A legislação municipal determina que terrenos estejam cercados, limpos e com calçadas. Já as pessoas e empresas flagradas fazendo despejo irregular podem receber multas que variam de R$ 140 a R$ 1,4 mil. Ao todo, em 2018, 1.646 autos de infração foram lavrados pela Prefeitura. No dia 24 de dezembro, por exemplo, uma empresa do setor da construção civil foi flagrada fazendo despejo no anel viário e multada nove vezes por conta da prática.

Para tentar reduzir a prática, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico afirma fazer campanhas em escolas, equipamentos sociais e por meio de ações nos bairros diretamente junto à população. Entretanto, a fiscalização conta com apenas cinco pessoas para cobrir toda a cidade. Esses fiscais devem fazer não só o serviço de verificação dos pontos críticos como de todo o perímetro urbano.
 
LAGOINHA
Moradora reclama de falta de limpeza

 
Moradora da rua Eurípedes Fernandes, no bairro Lagoinha, Neuza Gomes disse não se lembrar da última em vez que a Prefeitura limpou o terreno em frente à sua casa. O lugar é ponto de despejo irregular de lixo doméstico, restos de podas, entulho e recicláveis. A rua, literalmente, está fechada e impossibilita o trânsito até mesmo de pedestres no cruzamento com a rua Japão para acesso à Alameda Arnolde de Almeida Castro. “Agora colocaram fogo no lixo que estava aqui e a gente tem que aguentar isso na frente de casa. A Prefeitura não limpa. Recentemente me machuquei com um arame jogado aí, tentando passar pela rua”, disse. A rua margeia o córrego Lagoinha, cujas margens no trecho também estão cheias de lixo.


Neuza mostra sujeira jogada em terreno em frente à sua casa |  Foto: Vinicius Lemos

Já próximo ao anel viário, na altura do bairro Shopping Park, o Diário encontrou mais uma concentração de descarte irregular, com muito entulho e móveis velhos, além de plásticos e rejeitos residenciais. “Aqui é sempre assim, a Prefeitura até limpa, mas o povo vem e joga tudo de novo”, disse o morador Roberto Freitas.
De acordo com o secretário, é difícil manter os locais limpos justamente pela ação reiterada de pessoas que insistem em jogar lixo onde não é permitido. Por vezes, no dia seguinte à limpeza, segundo João Júnior, já há sujeira novamente.

Ele disse que a cada dois dias um ponto crítico passa por limpeza. Sobre o terreno no bairro Lagoinha, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico informou que fez a limpeza no local há aproximadamente 40 dias e que uma nova limpeza está prevista esta semana.
 
 Alguns pontos críticos:
 
- Saída para Campo Florido (MGC-455)
- Rua Mário Faria
- Av. Vereador Carlito Cordeiro
- Saída para estrada do Pau Furado
- Rua Aldorando José de Sousa
- Marginal da BR-452, no Dom Almir
- Rua Serra do Mar, no São Jorge
- Rua Bela Vista, no Canaã
- Rua da Macumba
 
SERVIÇO

 Cata Treco
Agendamento:3212-5356
Reclamações e pedidos de limpeza: 3239-2800 / 3212-5356
 
ECOPONTOS
 
Luizote de Freitas
Rua Wilson Gonçalves de Souza, 10 (esquina com Rua Paulo Margonari)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
São Jorge
Avenida Serra do Mar, 411 (esquina com Avenida Serra do Espinhaço)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Santa Rosa
Rua Ângela Alckmin, 211 (esquina com Rua Elis Regina)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Guarani
Rua do Repentista, 350
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Roosevelt
Rua Olívia de Freitas Guimarães, 950
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Daniel Fonseca
Rua Itabira, 1720
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Morumbi
Rua Mangaba, esquina com as ruas Ingá e Camaleão
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
São Lucas
Rua do Cientista esquina com Rua do Gari
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Tocantins
Rua Docelino de Freitas Costa (Esquina com a rua Bernadete Silva Arantes, ao lado do Condomínio Morada do Sol)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Cruzeiro do Sul
Rua Sudoeste (Esquina com a rua Pedro Quirino da Silva)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Segismundo Pereira
Sebastião Alves Nunes, 49 (Esquina com a rua Dr. Laerte V. Gonçalves)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Mansour
Rua Rio Corumbá, 20 (esquina com a Avenida Rio Nilo)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Canaã
Av. Palestina (esquina com a Rua Menfins e Biblos)
7h às 19h
Todos os dias da semana
 
Dúvidas e sugestões: [email protected]
 
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