06/01/2019 às 07h10min - Atualizada em 06/01/2019 às 07h10min

Homicídios caem quase 50% em Uberlândia

De janeiro a novembro passado foram registradas 54 mortes violentas, ante 98 em 2017

VINÍCIUS LEMOS
Sargento da PM Algimar Teodoro está à frente da PPH | Foto: Vinícius Lemos
Uberlândia teve uma redução próxima de 50% no número de homicídios em 2018, de acordo com números da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais (Sesp). Até novembro do último ano foi registrada uma queda de quase 45% na quantidade de assassinatos no Município. O relatório final, que inclui o mês de dezembro ainda não foi disponibilizado. Contudo, segundo o que autoridades informaram ao Diário, a principal causa dos homicídios ainda continua sendo envolvimento com drogas, seja em disputas do tráfico ou desacordos.

Trabalhos direto com a comunidade e troca de informações entre as polícias Militar (PM) e Civil (PC) no combate ao tráfico de entorpecentes são os principais pontos para a redução dos homicídios de acordo com representantes das duas corporações.

Até novembro de 2018, as polícias registraram 54 mortes violentas em Uberlândia. Em igual período do ano anterior foram 98 casos. É preciso levar em consideração que o número de mortes violentas na realidade é maior, já que os dados da Sesp não levam em consideração mortes que acontecem posteriormente ao atendimento médico, como em casos de pacientes que morrem em um hospital dias depois de serem baleados. Esses casos são classificados como homicídio tentado no registro policial. Sendo assim, números não oficiais apontam para mais de 70 mortes na cidade, o que ainda assim é um número menor mesmo entre os registros oficiais de 2017, quando mais de 100 pessoas foram assassinadas na cidade.

As quedas nos registros de mortes violentas acontecem desde a virada dos anos de 2014 e 2015, quando Uberlândia chegou a ter mais de 200 homicídios num período de 12 meses.

Perfil

A maior parte das pessoas assassinadas em Uberlândia é do sexo masculino, com 88% das vítimas. Em relação à idade somando ambos os sexos, entre os mais jovens, a maior parte das vítimas tem entre 25 e 34 anos. No geral, a faixa etária estratificada pela Sesp em que se concentra a maior parte dos homicídios é entre 35 e 64 anos. O número também é maior devido a abrangência da faixa etária considerada pelo Estado.

De janeiro a novembro de 2018, 48 homens foram mortos no Município. Ao mesmo tempo houve seis assassinatos de mulheres, sendo que essas vítimas têm menor ligação com o tráfico e são crimes com motivações diversas, inclusive feminicídios. Ambos os números apresentam reduções se comparados a igual período de 2017. No caso dos homens a redução chega a 43,5% e entre as mulheres, a diminuição teve índice ainda maior, de 53,8% nas mortes.

Até o último mês de novembro, 2018 registrou 17 assassinatos entre vítimas de 25 a 34 anos. Já na faixa entre 35 e 64 anos houve 24 casos.

Inteligência
Patrulha de Prevenção a Homicídios ajuda em campo


Criada em Uberlândia em 2012, a Patrulha de Prevenção a Homicídios (PPH) tem como objetivo reduzir o número de mortes violentas, além de ter atribuições como fazer levantamento de informações nos locais onde esse tipo de crime aconteceu. “Temos trabalho efetivo de prevenção em cima de pessoas desaparecidas e ameaçadas, sejam ameaças que envolvem o envolvimento de outros criminosos ou até mesmo em família, como marido e mulher ou filhos”, disse o sargento da PM Algimar Teodoro, que está à frente da PPH.

Para o militar, o trabalho conjunto com a Delegacia de Homicídios, Promotoria e inteligências das polícias ajudou na redução de homicídios na cidade nos últimos anos, uma vez que com mais informações é possível aumentar o índice de constatação de autoria e, consequentemente, reduzir a impunidade. Ação que envolve principalmente o combate ao tráfico de drogas, já que ainda hoje cerca de 60% dos homicídios têm ligação com esse outro crime. Teodoro analisa o fato como decorrente de desentendimentos, discussões, rixas e mesmo vingança no entorno à circulação de entorpecentes ilícitos. 

“Sempre estamos no local dos homicídios e quando não há o fato em si trabalhamos em cima dos desaparecidos e em conversas com a comunidade”, afirmou sargento Teodoro. Hoje a patrulha está ligada ao Batalhão de Policiamento Especializado (BPE) em Uberlândia e tem raio de ação em todo o Município. Na 9ª região da PM, que engloba Uberlândia, também foi iniciado uma patrulha em Araguari no final de 2018.

Civil
Melhora de condições levaria a mais soluções de crimes


Sem números oficiais, mas com histórico de redução dos crimes a seu favor, o delegado regional da PC em Uberlândia, Luciano Alves, afirma que historicamente a Delegacia de Homicídios local tem índice de solução superior a 50% dos crimes que investiga. Ele ainda fez coro com a PM sobre como a troca de informações ajuda a manter esse índice, mas ressalta que uma maior e melhor estrutura para a delegacia especializada ajudaria a melhorar os resultados.

“Entre dificultadores para investigação e resolução temos testemunhas com medo, já que o programa de proteção à testemunhas ainda é acanhado. Assim temos que partir para tecnologia, aperfeiçoar sistemas eletrônicos de vigilância e melhorar (estrutura para) perícia, por exemplo”, afirmou. No caso da perícia, há cerca de cinco anos é prometido pelo Estado a construção da nova sede da Delegacia Regional da PC em Uberlândia, a qual teria um Posto de Perícia Integrado (PPI), que substituiria a casa alugada no bairro Umuarama para o trabalho pericial da corporação. Chegou-se a divulgar em visitas oficiais de secretários de Segurança, valores perto de R$ 8 milhões para que o prédio saísse do papel, mas essa fase ainda não foi vencida e o dinheiro nunca chegou a ser liberado oficialmente.

“O investimento público diminuiu, mas os resultados melhoraram (no que envolve homicídios)”, afirmou Alves, lembrando que a Delegacia de Homicídios hoje tem um delegado à frente, Fábio Ruz, e 10 investigadores. O trabalho feito por eles atende a uma demanda que deveria ser suprida por um quadro até quatro vezes maior em relação a uma cidade do porte de Uberlândia, segundo o delegado regional.

Programa
Fica Vivo ajuda em regiões específicas


Instalado em dois bairros, o programa Fica Vivo tem por objetivo o controle de homicídios e atende jovens em microrregiões nas zonas Leste e Oeste de Uberlândia desde 2005, no caso do bairro Morumbi, e desde 2014 no bairro Canaã. O resultado no último ano foi de zerar o número de mortes entre jovens de 12 a 24 anos de idade na região em que está há mais tempo. No Canaã o resultado em 2018 foi de redução de mortes violentas entre o público atendido pelo Fica Vivo. Dois assassinatos entre jovens foram registrados, enquanto em 2017 esse dado foi de 3 mortes.

“No Fica Vivo atuamos em áreas vulneráveis com alto índice de criminalidade violenta para implantar os centros de base local. Houve estudo para identificar o índice de homicídios. A ideia é que possamos trabalhar com jovens potenciais vítimas desses homicídios. Atuamos na proteção social por meio de oficinas de esporte, cultura e lazer e conseguimos alcançar jovens para favorecer acesso a direitos e livre circulação, rede de proteção social, serviços de saúde e educação”, afirmou a gestora social das duas unidades do Fica Vivo em Uberlândia, Lídia Cristiane Vieira. São oferecidas 14 oficinas ao todo.

Segundo Lídia, quando os jovens chegam ao local estão, na maioria das vezes, envolvidos com criminalidade, seja por ameaças ou em conflito com determinados grupos. Há ainda casos de conflito familiar grave. “Procuramos tentar dissolver conflitos e rivalidades para evitar as mortes e para que os jovens possam circular livremente no território”, afirmou a gestora.

Homicídios em 2018

Homens
2017 (jan - nov) - 85
2018 (jan - nov) - 48
-43,5%

Mulheres
2017 (jan - nov) - 13
2018 (jan 0 nov) - 6
-53,8%

Geral
2017 (jan - nov) - 98
2018 (jan - nov) - 54
-44,8%

Perfil: Maior parte das mortes é de homens (48), sendo que entre os jovens as mortes são mais comuns na faixa etária de 25 a 34 anos (17) e entre os mais velhos entre 35 e 64 anos (24).

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