04/01/2019 às 07h48min - Atualizada em 04/01/2019 às 07h48min

Crimes contra motocicletas têm alta de até 19% em 2018

Uberlândia vai na contramão do estado, que registrou queda de janeiro a novembro

VINÍCIUS LEMOS
Foto: Vinícius Lemos
Na contramão do Estado, Uberlândia registrou aumento no número de furtos e roubos de motocicletas durante o ano passado. Em comparação a 2017, no período de janeiro a novembro, os crimes cresceram em 7% (furtos) e 19% (roubos) na cidade, mas o aumento total do último ano deverá ser ainda maior, já que os dados relativos a dezembro ainda não foram fechados. A Polícia Militar (PM) diz que o combate a esse tipo de crime já foi repensado no intuito de obter melhores resultados nos próximos meses.

Até o último mês de novembro, 824 motocicletas tinham sido furtadas em Uberlândia segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). O fechamento anual ainda não foi feito, segundo o governo, o que deve acontecer ainda em janeiro. Em igual período de 2017, 767 motocicletas tinham sido furtadas em Uberlândia, o que aponta um crescimento de 7% do crime na cidade.

Em relação aos roubos, que é quando a vítima é ameaçada para entregar o bem, foram registrados 149 casos até novembro de 2018. No período equivalente de 2017, o número foi de 125 veículos roubados no Município, ou seja, no ano passado o crescimento foi de 19%.

Ainda segundo a Sesp, em todo o Estado, 9.585 motocicletas foram furtadas entre janeiro e novembro de 2018, o que equivale a uma redução de 19% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, 2.926 motocicletas foram roubadas em Minas Gerais em igual período de 2018 e isso mostrou redução de 29% no comparativo a 2017.

MAIOR FROTA

A Polícia Militar creditou o aumento dos registros de furtos e roubos a vários fatores, entre eles o crescimento da frota no Município. Em geral, segundo números da cobrança de IPVA, entre 2017 e 2018, a frota de Uberlândia cresceu 2%, com quase 8,2 mil novos veículos em geral, incluindo aí motocicletas, carros e demais automóveis.

“Uberlândia tem a segunda maior frota do Estado. Mas há outros fatores, como a questão da facilidade de se furtar ou roubar uma moto em relação a outros veículos. Inclusive, na abordagem no caso de um roubo, tanto a tomada, quanto a fuga são facilitadas quando falamos de motocicletas”, afirmou o assessor de planejamento operacional da 9ª Região da PM, major William da Silva. Ele ainda lembrou que a facilidade de desmanche desse tipo de veículo também faz com que aumente a cobiça por parte dos criminosos.

Ainda de acordo com major William, a PM está atenta ao crescimento do número de furtos e roubos e espera bons resultados na diminuição dos crimes com a presença das bases móveis. “A instalação das bases móveis mudou a situação das companhias para locais mais visíveis e mais próximos à população. Com essa estrutura operacional poderemos fazer frente a esses números”, afirmou.

Major William ainda destacou a chamada migração dos crimes. Se anteriormente a predominância era de tráfico de drogas em Uberlândia, o combate policial fez com que ações como roubos e furtos se tornassem mais comuns.
 
ALVO
Criminosos furtam empresários e pedem “resgate”

 
No início de dezembro, a garagem de um prédio no bairro Cazeca, região central, foi invadida por criminosos, que furtaram três motocicletas de competição off road em uma ação que durou menos de duas horas durante a madrugada. O prejuízo beirou os R$ 60 mil, segundo o proprietário, Paulo Vitor Oliveira. Segundo ele, a ação contou com cerca de 10 pessoas, que deram duas viagens para levar os veículos em uma picape. Testemunhas chegaram a avisa-lo do furto, mas não foi possível perseguir os ladrões.

Oliveira afirma que, posteriormente, pessoas entraram em contato com ele oferecendo as motocicletas de volta ao preço de R$ 12 mil, como se fosse o pagamento de um resgate. Segundo ele, que não pagou o valor, a prática vem se tonando comum. “Descobri que houve outros três roubos ou furtos de motocicletas de competição [nos últimos meses]. Em todos eles também pediram resgate. Não é fácil vender esse tipo de moto, nem suas peças”, explicou o motociclista.
Sobre o roubos e furtos de motocicletas de competição, a PM pediu que os proprietários entrem em contato com as companhias de suas regiões e façam sempre os registros dos casos, já que a PM se baseia em relatos e estatísticas para o trabalho de prevenção e repressão.
 
 
 
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