28/12/2018 às 08h00min - Atualizada em 28/12/2018 às 08h00min

Cuidados com alimentos podem evitar intoxicação

Ceia de Ano-Novo pode ser mais equilibrada sem perder as tradições

MARIELY DALMÔNICA COM AGÊNCIAS
André Alfredo: “É preciso observar a cor do alimento, fazer uma boa higienização e manipulação” | Foto: Divulgação
 
Além de reunir familiares e amigos, os almoços e jantares de fim de ano são marcados por pratos mais elaborados, como peru, maionese e arroz com lentilha. Mas, para evitar que essas refeições causem algum mal-estar, ou até mesmo intoxicação alimentar, é importante ter atenção com a conservação e preparo dos alimentos.

De acordo com o gastroenterologista André Alfredo, doenças estomacais podem ocorrer em qualquer época do ano, mas são recorrentes durante as festas de Natal e Ano-Novo. “Os cuidados começam desde a compra. É preciso observar a cor do alimento, fazer uma boa higienização e manipulação, e conservar os alimentos dentro da geladeira”, disse o médico.

Segundo André, se alimentar em excesso também é comum no fim do ano, mas pode ser outro problema. “Muitas pessoas comem mais do que o estômago e o corpo precisam. Sem contar que costumam cozinhar muito e reaproveitar a comida”, afirmou o gastroenterologista. Ainda de acordo com André, é fundamental se manter hidratado e comer apenas a quantidade que é acostumado. Pratos que levam carne, ovos e leite devem ser consumidos no mesmo dia.  Dores na barriga, diarreia e febre são sintomas da intoxicação alimentar, e quando duram mais de 24 horas, o ideal é procurar um médico.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde, traz quatro recomendações básicas para manter a alimentação saudável: fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação; utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias; limitar o uso de alimentos processados, consumindo-os em pequenas quantidades; e evitar os alimentos ultraprocessados.
 
BEBIDAS ALCOÓLICAS
 
Outra questão que requer cuidado é o abuso de bebidas alcóolicas. Para a referência técnica Nathália Ribeiro, o ideal é evitar o consumo excessivo, afinal, além do uso abusivo de álcool ser responsável por diversos problemas para a saúde, aumenta também o risco de acidentes no trânsito. “Se a ideia é ingerir bebida alcoólica, o melhor é consumir com moderação e acompanhada de alguns cuidados. A primeira sugestão é manter o organismo hidratado, intercalando a bebida com água regularmente. Desta forma, você bebe menos e dilui os componentes da bebida, reduzindo a desidratação, que é a principal causa da ressaca”, disse.

Além de intercalar a bebida com água, a alimentação também merece atenção especial. Comer antes de beber e beliscar entre um copo e outro retarda a difusão do álcool no organismo. Já quem acabou ingerindo grandes quantidades de bebida precisa desintoxicar o organismo, eliminar o álcool e repor os nutrientes perdidos. Para repor os sais minerais é recomendado ingerir muita água natural e água de coco.

Apesar do mal-estar causado pela ressaca, é importante incluir algum alimento na manhã seguinte para recuperar o equilíbrio do organismo. Os alimentos mais indicados são aqueles que oferecem vitaminas, minerais, antioxidantes e água, inibindo assim os efeitos da desidratação. Também é indicada uma refeição leve, contendo frutas, sucos naturais, água de coco e cereais integrais. É importante, ainda, evitar o consumo de alimentos ricos em gordura e sal, como frituras, salsicha, linguiça, bacon, carnes vermelhas, biscoitos recheados e refrigerantes.
 
PESQUISA
 Pesar regularmente ajuda a manter a forma
 
Uma das ideias de cientistas do Reino Unido é justamente tornar a balança uma aliada. Eles descobriram que dicas de como se pesar regularmente ajudam as pessoas a se manterem em forma. Outra dica é saber qual é a quantidade necessária de atividade física para gastar uma quantidade de calorias equivalente aos excessos nas refeições.

No experimento, eles avaliaram dois grupos, com média de idade de 44 anos. Um deles (134 voluntários) recebeu apenas instruções genéricas de como manter um estilo de vida saudável; outro (132 voluntários) recebeu as providenciais dicas. No fim das contas, o primeiro grupo engordou e o segundo, emagreceu. A diferença no ganho de peso calculada foi de 0,49 kg.

A maioria dos participantes era do sexo feminino e todos tinham peso normal ou sobrepeso. Dessa forma, é difícil generalizar e dizer que a sugestão vale para todo mundo. Ao mesmo tempo, é difícil contestar que a conscientização sobre a quantidade de calorias na dieta e a mensuração constante do peso tenham um potencial benéfico.

E nem o cachorro escapa dos riscos alimentares natalinos. É por agora que os bichos têm maior chance de se envenenarem com chocolate, aponta um outro estudo publicado no BMJ.

Foram analisados dados de 386 casos de envenenamento canino no Reino Unido, de 375 animais (isso mesmo, alguns são reincidentes). A probabilidade de envenenamento no Natal é quatro vezes a média anual e, acredite se quiser, o dobro daquela observada na Páscoa. Uma das explicações são as lembrancinhas à base de chocolate dadas pelas pessoas e que ficam espalhadas pela casa.

Os bichos demoram muito para metabolizar a teobromina, substância que ocorre naturalmente no cacau e, por conseguinte, no chocolate. A molécula se acumula no sangue, causando vômito, aceleração do ritmo cardíaco, agitação e convulsões.

Mas nem tudo é notícia ruim. Na época do Natal há um maior interesse das pessoas por sexo -pelo menos em países com maioria cristã. Na verdade o fenômeno, que foi estudado por cientistas dos EUA, de Portugal e da Holanda, diz respeito ao interesse virtual por sexo em países de todo o globo. O que eles aprenderam (e contaram na revista Scientific Reports) é que há uma grande coincidência entre as datas sagradas e a busca online por termos ligados a sexo.

Não por acaso, via de regra existe um pico de nascimento de bebês nove meses após grandes datas religiosas, como o Natal para os cristãos ou o Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. Em outro front, os cientistas tentavam registrar os sentimentos da coletividade analisando mensagens no Twitter, o que também permite a previsão de comportamentos. A conclusão é que a cultura e a religião influenciam nosso comportamento muito mais do que percebemos - do nascimento à doença e à morte.
 
MAIS ESTUDOS
Tempo de festa, Natal pode fazer mal à saúde
 
 Parece um milagre de Natal, só que ao contrário. A época do ano na qual são mais profusos os símbolos de solidariedade e amizade esconde alguns aspectos terríveis para a saúde, como engordar, ter um infarto e até mesmo morrer. Um estudo sueco acompanhou 283.014 ataques cardíacos ao longo de 16 anos e descobriu que o dia do ano em que há maior risco é a véspera de Natal, quando as emoções estão à flor da pele, segundo os cientistas.

Pelas contas, o risco é 37% maior nesse dia em relação à média anual, com maior probabilidade de ocorrer perto das 22h (talvez na hora da revelação do amigo secreto, se é que isso existe na Suécia). Claro que para a maioria da população o risco, mesmo aumentado, continua sendo irrisório, mas há quem corra mais perigo: idosos com mais de 75 anos e que sofrem com doenças crônicas como diabetes e problemas cardiovasculares. Concluem os autores que é preciso uma atenção maior a esse público especialmente no mês de dezembro.

Essas mortes sazonais são mais comuns no inverno e estão ligadas também à baixa temperatura, alerta Paulo Lotufo, professor de medicina da USP. No Brasil, o maior risco se dá, portanto, no período entre junho e setembro. Em cidades grandes como São Paulo, a poluição pode agravar o quadro. A pesquisa saiu neste mês na revista British Medical Journal, que também trouxe ao menos outras duas más notícias sobre o Natal.

A primeira é que quem tem alta hospitalar nessa época do ano tem mais chance de morrer. Um estudo, realizado no Canadá, monitorou 217.305 altas entre 2002 e 2016 em hospitais de Ontario nos dias próximos ao feriado e comparou com outras 453 mil dispensadas no final de novembro e em janeiro. Quem recebe alta nesses tempos tem um risco maior de morrer nos 30 dias seguintes, com um pico de 16% na primeira semana.

Trocando em miúdos, para cada 100 mil pacientes, há 26 mortes e 188 re-hospitalizações que podem ser atribuídas simplesmente à época do ano. Mas isso não quer dizer que valha a pena ficar no hospital e estourar a champanha por lá. Os cuidados recebidos nos feriados e fins de semana geralmente também não são dos melhores, outros estudos já mostraram, por falta de pessoal ou de agenda para exames, por exemplo.

Os autores do estudo, no entanto não descartam que outros fatores possam explicar o fenômeno, mas dizem que as comemorações, incluindo os excessos gastronômicos e etílicos, além da falta de sono, podem se juntar às fortes emoções e acabar com a festa. "Essas circunstâncias alteradas podem desestabilizar condições médicas agudas", escrevem os pesquisadores.

Falando em comida, um dos riscos mais conhecidos do Natal é o de ganhar uns quilinhos e já começar o ano brigando com a balança.
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »