24/12/2018 às 14h53min - Atualizada em 24/12/2018 às 14h53min

Clima quente e chuva são combinação para focos

Conscientização da população é a arma mais eficaz contra o mosquito Aedes aegypti

EDER SOARES
População deve deixar que os agentes de Zoonoses entrem nas casas e façam a vistoria | Foto: Araípedes Luz/Secom/PMU
Com o período de chuvas e o clima quente cresce também a atenção aos cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver por cerca de um ano em local seco, enquanto esperam o período de chuvas para formar novas larvas. Em Uberlândia, mesmo tendo uma leve queda de casos confirmados neste ano, há a preocupação de intensificar campanhas, principalmente de conscientização à população para que cuide melhor de suas residências, onde ocorrem mais de 80% dos casos.

Neste ano, foram confirmados 1.567 casos em Uberlândia sem nenhuma morte, dos quais oito casos foram de chikungunya e seis de zika. Comparado ao ano passado, foram 43 casos a menos (1.610 casos) e uma morte por dengue. O último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro, apontou risco de epidemia em Uberlândia, que foi classificado na 55ª posição no estado entre os 853 munícipios com maior incidência.

O coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue, José Humberto Arruda, acredita que atualmente Uberlândia está com risco médio para epidemia. Ele afirma que a situação atual não chega a ser preocupante, até mesmo pelo baixo número de casos confirmados.  “Não é grave, até mesmo pela circulação do vírus. A gente está entrando em janeiro, o índice chuvoso está praticamente pela metade e os números de transmissão que a gente tem são baixos. Então eu diria que estamos em um risco médio, não vamos mentir, mas também não é aquela coisa como já foi em outras épocas, com números muitos altos”, disse Arruda, lembrando que a situação está mais tranquila que em 2016, quando foram registrados 9.239 casos.

“Para você definir estes riscos é preciso considerar todos os fatores e não apenas o índice. Então nós temos outros indicadores como a transmissão, armadilhas que estão espalhadas, que indicam para um índice médio. Mas é preciso ter um cuidado, porque chove intensamente e os criadouros têm uma dependência da atitude da sociedade.  Isso cria uma preocupação, pois existe vírus, existe transmissão e se não tivermos uma postura, todos nós, podemos ter um surto e até uma epidemia de uma hora para outra”, afirmou.
 
AÇÕES
 
O fator que mais preocupa as autoridades são os criadouros que estão do portão para dentro das residências. Nesses casos, muitas vezes, os agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não conseguem adentrar e fazer a vistoria. “Qualquer ação só dará certo se houver uma mobilização da população, dentro dos quintais, e a população precisa se envolver. A limpeza, coleta de pneus e eliminação dos focos ajuda, mas o comportamento social é o que fica mais claro. Fizemos sucessivas ações neste ano, em Finados, na porta dos cemitérios e fizemos o Dia D. A orientação nos canais é constante, mas entendo que essa conscientização vai além das campanhas, são processos lentos que deveriam começar lá na creche, com um cidadão em sua construção”, diz Arruda.
O CCZ conta com uma equipe de mais de 60 pessoas que vão às escolas das redes municipal e estadual orientando alunos de como evitar a proliferação do vírus da dengue.
 
FOCOS
Região Oeste tem mais notificações
 
Segundo José Humberto Arruda, os bairros Tocantins e Guarani, vizinhos na região Oeste da cidade, são locais de maior quantidade de notificações em relação aos focos do mosquito da dengue.  Segundo Arruda, neste ano, foram eliminadas grandes quantidades de focos onde poderia acontecer surtos graves. “Retiramos caminhões de objetos e entulhos, com média de 230 focos por dia. No Guarani, especialmente, existem muitos imóveis fechados. Este bairro tem uma característica de dormitório e você não consegue adentrar todas as casas. A cada vez que você completa um ciclo de ação, sempre fica uma quantidade a ser verificada e são quase sempre os mesmos. Infelizmente, temos entrado nestes imóveis de forma lenta. É o local onde mais precisamos trabalhar”, disse.
 
ESTADO

Em 2018, até o momento, oito óbitos foram confirmados por dengue em Minas Gerais. As vítimas eram residentes nos municípios de Araújos, Arcos, Conceição do Pará, Contagem, Ituiutaba, Lagoa da Prata, Moema e Uberaba; há ainda 12 óbitos em investigação para dengue.
Em relação à febre chikungunya, Minas Gerais registrou 11.711 casos prováveis da doença, concentrados na região do Vale do Aço. Até o momento, foi confirmado um óbito por chikungunya do município de Coronel Fabriciano em 2018; há dois óbitos em investigação.
Já em relação à zika, foram registrados 167 casos prováveis da doença em 2018, até a data de atualização do boletim.
 
Casos em Uberlândia

DENGUE
2016 - 9.239 confirmados
2017 - 1.610 confirmados 
2018 -  1.567 confirmados

CHIKUNGUNYA
2016 - 9 notificados (não fizeram exames de confirmação)
2017 - 15 confirmados
2018 - 8 confirmados

ZIKA
2016 - 75 confirmados
2017 - 8 confirmados
2018 - 6 confirmados

ÓBITOS

DENGUE
2016 - 2
2017 - 1
2018 – 0
*Chikungunya e zika não causaram mortes

Recomendações à população: 

- Receber os agentes de zoonoses 
- Manter os quintais limpos
- Manter as garrafas vazias e baldes virados para baixo
- Colocar areia nos vasos de plantas
- Cobrir as caixas d’água
- Guardar pneus em locais adequados
- Colocar rede de proteção em janelas
- Limpar as calhas
- Usar repelentes
 
Centro de Controle de Zoonoses: 3213-1470
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