20/12/2018 às 08h31min - Atualizada em 20/12/2018 às 08h31min

Aluno da UFU cria app para crianças com autismo

Aplicativo traz personagem que estimula criança a reconhecer e repetir gestos

CAROLINA PORTILHO
Aplicativo é distribuído gratuitamente na Play Store e já teve mais de 2 mil downloads | Foto: Alanna Guerra
Um dos principais desafios da criança com autismo é vencer as dificuldades de comunicação, seja por meio da fala ou de expressões. O uso de aplicativos tem se tornado um aliado para os pais que buscam estimular as habilidades dos filhos autistas visando uma interação entre eles e as pessoas que os cercam, reduzindo o estresse causado pela dificuldade de se fazer entender. Uma das ferramentas para esse público é o aplicativo “Michelzinho - Emoções e Autismo”, criado por Adilmar Coelho, de 26 anos, doutorando em computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

O personagem virtual desenvolve expressões faciais e estimula a criança a reconhecer e repetir os gestos. A cada acerto ela avança fases, o que acaba estimulando o autista a interagir e seguir com a brincadeira. “O reconhecimento emocional por meio das expressões faciais usando inteligência artificial já era tema trabalhado no meu mestrado, mas a ideia do aplicativo só surgiu no doutorado, quando tive mais conhecimento sobre as dificuldades dos autistas em reproduzir as expressões faciais de forma natural”, disse Adilmar.

O aplicativo pode ser baixado gratuitamente pela Play Store. Até o momento, mais de 2 mil downloads foram feitos e 200 mil partidas foram jogadas. Adilmar disse que constantemente são geradas novas fases para manter a criança envolvida com a atividade e evoluindo as expressões. “O celular é um atrativo muito grande, inclusive para os autistas. Com o APP quero que as crianças com esse perfil desenvolvam suas emoções para melhor convivência no dia a dia.”

A cabo do Corpo de Bombeiros Ana Carolina Brandão Santos Bernardes, 36 anos, tem um filho autista de 4 anos. José de Leva Brandão usa há cinco meses o Michelzinho e outros aplicativos focados no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a mãe, as tecnologias têm ajudado no desenvolvimento e na forma como a criança interage com outras pessoas.


José de Leva Brandão tem 4 anos e usa a tecnologia | Foto: Divulgação

“Às vezes ele não quer fazer uma atividade estruturada, como em um consultório ou mesmo em casa quando ficamos diante do espelho e repetimos as expressões faciais. Mas no aplicativo ele tem maior interesse, o que acaba dando autonomia para ele. A vantagem do APP é que tem modelos para ele seguir, e quando ele acerta, avança fases. Isso o motiva a dar sequência no jogo, no aprendizado, além da tecnologia chamar mais atenção”, disse Ana Carolina.
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