20/12/2018 às 08h19min - Atualizada em 20/12/2018 às 08h19min

Justiça manda soltar condenado por duplo homicídio

CAROLINA PORTILHO
Crime ocorrido na rua Paris, no bairro Tibery, levou 26 anos para ser julgado | Foto: Jorge Alexandre Araújo
Antônio Erivaldo Martins, condenado na última semana de novembro a 28 anos de prisão pelo homicídio do casal Mário Jacó, 58 anos, e Edith Sebastiana Jacó, 53, teve o alvará de soltura concedido ontem pelo desembargador Alberto Deodato Neto, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Destaque na mídia local, o crime aconteceu há 26 anos, na rua Paris, bairro Tibery, e chocou a sociedade uberlandense.

Martins foi a júri popular e condenado por unanimidade, tendo que cumprir a pena em regime fechado. Ele foi levado para o presídio Professor Jacy de Assis. No dia seguinte, o advogado de defesa, Sérgio Mestriner Júnior, entrou com o pedido de habeas corpus. Segundo a sentença do desembargador, Antônio não poderá sair da cidade em que comprovou residência, Campinópolis (MT), deverá usar tornozeleira eletrônica e se recolher no período noturno, inclusive nos dias de folga, caso esteja trabalhando.

O advogado de defesa disse à reportagem do Diário de Uberlândia que seu cliente poderia sair ainda ontem, o que não ocorreu até o fechamento desta edição. Sergio enfatizou ainda que entrará com recurso de apelação pedindo anulação do júri, o que implica em um novo julgamento.

A filha do casal, Vera Lúcia Araújo, conversou com a reportagem e disse não acreditar na decisão de soltura do réu. “Uma notícia horrível, pois esperamos muito tempo para que a justiça fosse feita e agora ele vai ser solto. Esperávamos que pelo menos ele cumprisse com parte da pena”, afirmou.

O CRIME

Antônio e seu Mário eram amigos, vizinhos e tinham uma relação de inquilino e locador, respectivamente. Diante dos atrasos no aluguel, a vítima cobrou os valores e pediu que o acusado desocupasse o imóvel onde funcionava uma barbearia. No outro dia, o casal foi morto a facadas. Mário foi surpreendido ao sair de casa ainda na madrugada, por volta das 5h, como fazia todos os dias para caminhar. A esposa, ao ver o marido ferido, gritou por socorro e também foi agredida. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O marido morreu no local.

Seu Mário era dono de um comércio que ficava em frente a sua casa e ao lado da barbearia alugada por Antônio, que, no dia do crime, pulou o muro ao lado da casa da vítima e disse que era um assalto. Ele estava encapuzado e armado com uma faca.

Na fuga, o autor acabou deixando a faca para trás. No dia seguinte, o capuz feito de camiseta e usado por ele foi encontrado em um terreno próximo ao local do crime. A notícia se espalhou e Antônio não foi mais visto. Ele foi encontrado somente em 2004 em Nova Xavantina, no estado do Mato Grosso. Antônio foi encaminhado para Uberlândia, onde permaneceu preso de janeiro a agosto do mesmo ano, passando a responder pelo crime em liberdade, voltando a ser preso somente em novembro desse ano.
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