12/12/2018 às 07h05min - Atualizada em 12/12/2018 às 07h05min

MPMG abre investigação após crime na Arena Race

MARIELY DALMÔNICA
Inquérito foi aberto por Fernando Martins, promotor de Justiça de Defesa do Consumidor | Foto: Vinícius Lemos
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) instaurou uma investigação preliminar para verificar os fatos ocorridos no evento realizado na Arena Race, entre a noite de sábado (8) e madrugada de domingo (9), onde estavam dois jovens e um adolescente detidos suspeitos de espancarem o taxista Nilson Aparecido Ramirez, de 50 anos. Além do crime, há a suspeita que houve superlotação da festa. A Promotoria também recomenda que a Prefeitura de Uberlândia não libere nenhum alvará para eventos no local, até a conclusão do inquérito, que foi aberto ontem.

O documento, assinado pelo promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Fernando Martins, solicita que os responsáveis pela festa e pelo Arena Race prestem informações para a Promotoria em até dez dias úteis. “Caso confirmada notícia, é importante ter presente que será a segunda vez que o estabelecimento causa danos reflexos a terceiros e expõe a risco inúmeras pessoas (inclusive menores), sendo que da primeira vez foi multado pelo Procon-MG”, expressou a Promotoria.

Edimar Pessoa Júnior, diretor da Arena Race, disse que ainda não foi notificado pelo MPMG. Segundo ele, os produtores do evento deram entrada em todos os órgãos competentes e conseguiram autorização para realizar a festa do último fim de semana.

O advogado do organizador do evento, Antônio Augusto Goulart, por sua vez, disse à reportagem do Diário de Uberlândia que foi solicitado um alvará para receber 1 mil pessoas, mas que cerca de 8 mil entraram no evento, inclusive menores de 18 anos. “Eles [os produtores] também não solicitaram alvará na Vara da Infância e da Juventude”, disse.

Goulart também informou que a organização do evento ainda não havia recebido a notificação até o fechamento desta edição. Por meio de nota, a Prefeitura informou que ainda não foi notificada.

O CASO

Na tarde de segunda-feira (10), a Polícia Civil ouviu os três presos suspeitos de espancarem um taxista na manhã do último domingo (9) em Uberlândia. Os dois jovens, de 22 e 18 anos podem responder pelos crimes de tentativa de homicídio e roubo. O adolescente de 14 anos poderá responder por atos infracionais análogos ao homicídio tentado e a roubo.

As agressões aconteceram do lado de fora de uma festa realizada no Arena Race. O taxista Nilson Aparecido Ramirez, de 50 anos, se recusou levar mais que cinco pessoas em seu veículo, o que gerou desentendimento e o trabalhador acabou espancado. Além de ser jogado no chão, o motorista foi chutado na cabeça várias vezes pelos três suspeitos, que foram identificados e presos posteriormente pela Polícia Militar.

Parte das agressões foi filmada por pessoas que passavam pelo local. Os vídeos mostram que o motorista não esboçou qualquer reação contra o trio. Além do espancamento, um dos envolvidos chegou a entrar no veículo da vítima e se sentar no banco do motorista. Dois celulares do taxista foram roubados.

Ainda durante a tarde de domingo, policiais militares conseguiram chegar até Alexandre Ferreira Julião, de 22 anos, Danilo Henrique Fernandes, de 18 anos, além do menor de idade. Quando foram detidos, eles ainda usavam as mesmas roupas que estavam quando saíram da festa e espancaram o taxista. Eles foram encontrados nos bairros Jardim das Palmeiras e Custódio Pereira.

De acordo com a PM, os três detidos têm passagem pela polícia por crimes diversos, como roubo e tráfico de drogas. O taxista foi atendido inicialmente na Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Planalto e ainda no fim da tarde de domingo ele recebeu alta médica. Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Arena Race informou que a ocorrência foi registrada fora do espaço onde o evento foi realizado, em uma estrada que dá acesso ao local, e que “lamenta o fato ocorrido e repudia qualquer tipo de violência.”

Na tarde de ontem, a reportagem do Diário de Uberlândia tentou atualizar as informações com a Polícia Civil, mas não teve as ligações atendidas.
 
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