07/12/2018 às 16h25min - Atualizada em 07/12/2018 às 16h25min

Padrasto é preso suspeito de estuprar enteados

Adolescente foi abusada dos 4 aos 14 anos, e menino, dos 6 aos 12

CAROLINA PORTILHO E JORGE ALEXANDRE ARAÚJO
Adolescente foi abusada dos 4 aos 14 anos, e menino, dos 6 aos 12 | Foto: Divulgação
Aparecido dos Reis Ferreira, de 51 anos, foi preso na última quinta-feira (6), em Uberlândia, suspeito de estuprar os dois enteados. O caso foi apresentado na tarde dessa sexta-feira (7) pela delegada da Delegacia da Mulher, Alessandra Rodrigues da Cunha. A vítima do sexo feminino, hoje com 14 anos, sofria os abusos desde os quatro anos de idade. A do sexo masculino, que tem 20 anos, foi abusado dos seis aos 12.

Ferreira é caminhoneiro e tem uma filha de sete anos com a mãe biológica das vítimas. A delegada também suspeita que essa criança seja vítima do agressor, que foi encaminhado para o presídio Professor Jacy De Assis. “Ele foi frio, calculista e negou os crimes. Disse ainda que o enteado tinha implicância com ele e que induziu a irmã a denunciá-lo. Ele está à disposição da Justiça e espero que ele fique atrás das grades por muitos anos”, disse a delegada, que indiciou Aparecido por estrupo de vulnerável.

A história teve início em 2011, quando a mãe teve conhecimento dos abusos dos filhos e denunciou o parceiro, que não foi localizado. Um tempo, o casal reatou o relacionamento e os abusos continuaram. A menina morava com os dois e o menino sempre foi criado pela família paterna, mas durante visitas à mãe era abusado por Aparecido, segundo a polícia.

Seis anos depois, em 2017, a adolescente foi intimada a comparecer à delegacia para prestar depoimento sobre o caso. Na época, Aparecido não foi convocado e fez ameaças à enteada de que iria matar a vítima e a mãe se os abusos fossem revelados. Ela foi ouvida e negou o crime. 

O caso foi avançando até que o enteado do caminhoneiro, alegando falta de Justiça, procurou a delegada e pediu ajuda para que o padrasto fosse preso e assim ele pudesse viver.

“Passamos a ter um contato quase que diário. Ele é depressivo, já tentou tirar a própria vida duas vezes. Uma situação muito triste. A avó conta que às vezes ele fica meses dentro do quarto, sem sair, sem tomar banho, sem ir para a escola. O pedido de ajuda comoveu”, disse a delegada.

O cerco contra Aparecido começou a ser fechado há um mês, quando a adolescente surtou por conta dos constantes abusos e resolveu fugir de casa, pensando, inclusive, em cometer suicídio como o irmão. Ela procurou o pastor que acompanhava a mãe e o padrasto, que a aconselhou a perdoá-lo.

“Perdida, ela buscou ajuda da família paterna do irmão, que a acolheu e trouxe para a delegacia. Nesse momento ela contou tudo, inclusive que tinha mentido no depoimento anterior. A vítima nesse momento ficou sabendo que o irmão também sofria os mesmos tipos de violência sexual e que as tentativas de suicídio foram por esse motivo. Nos relatos dos dois, eles acreditam que outras pessoas sofreram os mesmos abusos, como a filha do casal, que tem comportamentos semelhantes à da adolescente quando tinha seis anos.”

Alessandra afirma que a mãe das vítimas tem esquizofrenia e que será indiciada por conta da omissão dos fatos. Ela também era ameaçada de morte pelo companheiro caso contasse algo para a polícia. “Inicialmente foi uma tática policial não prendê-la, pois se eu não trouxesse a mãe para o meu lado, o Aparecido poderia ter saído da cidade, como ele fez anteriormente e ficou foragido por quatro anos. Ela é vulnerável, mais fácil de punir do que ele, que é esperto”, finalizou a delegada.
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