04/12/2018 às 09h50min - Atualizada em 04/12/2018 às 09h50min

Equipes resgatam 295 animais silvestres

Equipes da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) realizada na região Noroeste de Minas Gerais, em apenas quatro dias de trabalho, resgataram 295 animais da fauna silvestre que eram criados ilegalmente. Desses animais, 140 foram entregues de forma voluntária por moradores das cidades de João Pinheiro, Presidente Olegário, Patos de Minas e Vazante, nas regiões Noroeste e do Alto Paranaíba. Os outros 155 foram apreendidos durante as ações de fiscalização, na última semana.

A maioria dos animais era de aves. Foram mais de 70 papagaios (69 papagaios verdadeiros e 6 papagaios galegos), mas também foi grande o número de periquitos, maritacas, jandaias e tucanos, além de pássaros como azulão, pintassilgo, colarinhos de várias espécies, curiós, bem-te-vis e três exemplares de bicudo, uma das espécies mais ameaçadas do cerrado.

Alguns animais chegaram em condições precárias de saúde: obesidade, penas quebradiças e mal-formadas, crescimento exagerado das unhas. Um dos casos que chamou a atenção das equipes foi uma fêmea de azulão que estava com as vias aéreas totalmente obstruídas - situação clínica chamada de rinolito - e teve de ser submetida a um procedimento para abrir as narinas.

De acordo com o médico veterinário Érico Furtado, do Instituto Estadual de Florestas (IEF), os problemas de saúde devem-se geralmente à falta de higiene das gaiolas e dos criadouros. "O acúmulo de fezes e poeira e até comida velha e mofada forma um ambiente propício para o surgimento de doenças em pássaros", afirma.

"As pessoas precisam entender que o animal silvestre não foi feito para viver em cativeiro. Aquele não é o seu habitat natural, o que significa que as condições em que ele se desenvolveria não ocorrem ali, e isso impacta em sua saúde. É o caso, por exemplo, de pássaros que têm um crescimento exagerado das unhas, porque a gaiola não lhes permite o desgaste natural que teriam na natureza", explica o médico do IEF.

Os animais resgatados pela FPI Minas foram encaminhados a um Centro de Triagem (Cetas) provisório, em Brasília e Juiz de Fora, onde receberam os primeiros tratamentos. Cada um deles foi examinado e recebeu uma anilha de identificação dos órgãos ambientais.
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