14/11/2018 às 08h18min - Atualizada em 14/11/2018 às 08h18min

PC identifica mandante do crime contra congolês e busca atiradores

Mecânico congolês foi morto em junho após ser confundido em bar

VINICIUS LEMOS
Delegado Fábio Ruz concedeu coletiva para informar detalhes da investigação | Foto: Vinicius Lemos
Após identificar o mandante do assassinato do congolês Jacques Onza, cometido em junho deste ano, a Polícia Civil (PC) investiga agora quem são os dois autores do homicídio. Para o apontado como mandante do crime, identificado como Leonardo Cesar Ferreira Camargos, de 19 anos, já há mandado de prisão expedido e o inquérito foi parcialmente fechado. Como já noticiado pelo Diário de Uberlândia, a vítima foi morta por engano e a motivação seria outro crime: o roubo de uma caminhonete em Tupaciguara.

O delegado de homicídios Fábio Ruz contou detalhes do caso, na manhã de ontem, em entrevista coletiva. Levantamentos da Polícia Civil mostraram que Leonardo Cesar Ferreira Camargos tinha sido, anteriormente, o mandante do roubo do veículo em Tupaciguara. Dias depois, um segundo homem foi detido com o carro, sendo acusado de receptação. Posteriormente, Leonardo Camargos também foi ligado ao roubo, o que teria feito ele desconfiar que o homem detido o teria delatado.

Respondendo em liberdade pelo roubo, Camargos procurou o suposto delator e houve uma briga. Esse fato aconteceu no dia 29 de junho, horas antes da morte de Jacques Onza, no mesmo bar em que houve o assassinato. Após a briga, Camargos, então, segundo a PC, teria enviado dois homens em um carro vermelho para o local para executar o agressor. Entretanto, Onza foi confundido com ele e baleado.

“Ambos [alvo real e Jacques Onza] têm características em comum: negros, falam francês, estavam no mesmo bar, jogavam sinuca e, nesse dia, usavam camiseta vermelha e boné. Leonardo teria dito antes de deixar o bar ‘Eu vou te ensinar a não colocar a mão em homem e não caguetar ninguém’. Essa seria a motivação do crime”, afirmou o delegado Fábio Ruz.

MANDADO

O carro vermelho usado pelos autores do homicídio foi encontrado próximo à casa de Camargos, no bairro Santa Mônica, local onde a PC chegou a tentar prendê-lo no dia 17 de outubro. Essa foi a tentativa de cumprimento do mandado de prisão já expedido pela Justiça. Ele continua foragido, mas a polícia já identificou uma série de endereços anteriores do mandante.

O relatório parcial foi entregue por Ruz, mas o inquérito continua em aberto no intuito de identificar o atirador, que usava um tipo de máscara para esconder o rosto, e o motorista do veículo vermelho que o transportou. Caso o mandante seja detido, poderá haver o desmembramento do inquérito por parte da Delegacia de Homicídios na apuração das identidades dos autores.

VIÚVA

A viúva de Jacques Onza, Fabiane Almeida, disse em entrevista ao Diário de Uberlândia, no dia 3 de novembro, que desde o início dos levantamentos acreditava que o crime se tratava de um engano. A mulher contou que se sente um pouco mais tranquila e confortada. “Está sendo desvendado e, querendo ou não, está preservando a imagem dele. Não sabia de qualquer circunstância que não fosse um engano. Morei com ele durante três meses e a gente só se separava quando trabalhava”, afirmou. O relacionamento de Fabiane e Jacques durou um ano e três meses.

A vítima foi sepultada em Uberlândia em julho. Ele viveu por seis anos na cidade, onde iniciou os estudos em engenharia mecatrônica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por meio de um intercâmbio. No primeiro semestre, contudo, ele abandonou o curso e, desde então, continuou morando em Uberlândia, onde trabalhava em uma empresa de montagem industrial, como mecânico. Ele era formado em engenharia mecânica na África, veio para o Brasil em 2011, onde cursou Línguas na Universidade de Brasília (UnB) para aprender português.
 
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