21/10/2018 às 08h00min - Atualizada em 21/10/2018 às 08h00min

Corrida para o governo do estado chega em sua reta final

A uma semana para o segundo turno das eleições, o Diário de Uberlândia publica entrevistas exclusivas com os dois candidatos

NÚBIA MOTA
Foto: Divulgação
O ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), seguindo a ordem alfabética, abre as entrevistas que o Diário de Uberlândia fez com os dois candidatos ao governo de Minas Gerais. No próximo dia 28, os eleitores mineiros decidirão nas urnas quem vai ser o novo gestor do Estado, e mesmo diante da menor votação dentro de Uberlândia, tendo ficado atrás até mesmo de Fernando Pimentel (PT), Anastasia acredita que pode reverter o resultado e convida os eleitores da cidade a comparar seu plano de governo com o do seu concorrente, Romeu Zema (Novo).  

O tucano também falou à reportagem sobre como ficou sua relação com o prefeito Odelmo Leão (PP), que em um primeiro momento apoiou a pré-candidatura de Rodrigo Pacheco (Dem) ao Governo de Minas e como pretende ampliar o serviço de atendimento à saúde em Uberlândia, trabalhando junto ao Governo Federal para liberar a verba de R$ 200 milhões para a conclusão da obra do Hospital de Clínicas. 

Diário de Uberlândia: O Brasil está pedindo por mudanças e o senhor já é experiente na política. O que tem a oferecer de novo para o Estado?

Antonio Anastasia: Sou experiente em administração pública. Justamente por essa experiência, sei o que dá certo e o que não dá certo na gestão pública. E tenho consciência, como tenho dito, de que a situação de Minas é hoje tão grave, que só terei êxito em um possível novo governo se eu fizer uma gestão absolutamente diferente, inovadora, heterodoxa. Acompanho muito bem a situação de Minas. A realidade hoje é muito diferente da época em que fui governador. Minas precisa, atualmente, de uma reconstrução que recupere sua credibilidade e faça o Estado voltar a crescer. Apresentei, em meu plano de governo, diretrizes e propostas, sem contradições. Tenho condições de montar uma equipe técnica competente, cortar as secretarias pela metade e reduzir os cargos comissionados, sem comprometer a oferta de serviços públicos para o cidadão. Vamos equilibrar as contas públicas, normalizar as transferências de recursos para os municípios e investir na atração de empresas, gerando empregos para os mineiros. Quando fui governador, foram gerados 550 mil postos de trabalho, infelizmente, nesses últimos 4 anos muitas vagas foram fechadas. Quero ser conhecido agora como o governador da geração de emprego e, para isso, vamos reduzir a burocracia, simplificar o Estado para atrair novos negócios.

O senhor sempre teve uma votação expressiva em Uberlândia. Mas no primeiro turno deste ano, ficou em terceiro lugar, atrás de Romeu Zema e Fernando Pimentel. Como reverter isso?

Estamos fazendo uma campanha propositiva, mostrando com muita transparência nossas ideias e propostas para tirar Minas da crise, gerar empregos, fazer o Estado voltar a crescer. Como agora temos apenas dois candidatos, fazemos também uma comparação das propostas e da trajetória de cada um. Nosso adversário tem uma posição muito privatista, quer retirar da responsabilidade do Estado até mesmo serviços essenciais na saúde e na educação. Se as responsabilidades do Estado na educação, por exemplo, forem transferidas para a iniciativa privada, como o pai, a mãe que precisa de uma vaga na rede pública vai conseguir manter seu filho na escola? Ele propõe também vender a Cemig, a Copasa e colocar 30% dos presos na rua sem nenhum estudo acerca disso. São propostas totalmente descabidas que, se implantadas, vão provocar um estrago enorme em Minas. Eu convido os mineiros e as mineiras de Uberlândia e de toda Minas Gerais a lerem o meu plano de governo e o do meu adversário, a compararem para decidir qual o futuro querem para o Estado. Eu tenho experiência, conheço bem nossa Minas Gerais. Conheço profundamente como funciona a administração pública, o que funciona e o que não funciona.  Fazendo essas comparações, acredito que a população de Uberlândia, de todo o Triângulo e de Minas Gerais terão condições de escolher o melhor para Minas.

Como está a sua relação com o prefeito Odelmo Leão? A composição da chapa sem Uberlândia, num primeiro momento, que motivou a candidatura a vice da primeira dama local, acabou dividindo os apoios. E mesmo com a nova composição da chapa, houve um certo distanciamento do prefeito de sua campanha.

Tenho uma relação cortês com todos os prefeitos de Minas e em especial com o prefeito Odelmo Leão. Fizemos grandes parcerias juntos quando fui governador de Minas, em prol do bem de Uberlândia. Mantemos diálogo constante e tenho por ele um respeito muito grande. Sempre quando o que estiver em jogo for os interesses de Uberlândia e do Triângulo, tenho certeza de que estaremos juntos.

Em 2010, durante a campanha de reeleição para governador, o senhor esteve em Uberlândia e prometeu concluir a pavimentação da MGC-455, que liga a cidade a Campo Florido. Até hoje, não foi feito nada a respeito. Se o senhor ganhar, como vai ser em relação a essa estrada?

Essa é uma obra importante para a população de Uberlândia, de Campo Florido e de toda a região. A pavimentação dos 110 quilômetros foi dividida em dois lotes. As obras foram iniciadas e contavam com recursos do Banco do Brasil. Em 2014, em função do não repasse dos recursos do Banco do Brasil, lamentavelmente, tiveram que ser paralisadas. Tenho plena consciência da importância dessa pavimentação para Uberlândia e região. Vamos trabalhar com muito empenho para concluí-la tão logo consigamos colocar as contas do governo em dia.

Qual a sua opinião sobre a não adesão de Uberlândia ao Samu?

Entendo que a Prefeitura de Uberlândia decidiu não aderir por conta da insuficiência de leitos na cidade para comportar atendimentos não só do Município, mas de toda a região. Existe uma demanda muito forte, que não é de âmbito estadual, é da União, pela conclusão da ampliação do Hospital das Clínicas da Universidade de Uberlândia. São necessários R$ 200 milhões, que devem ser aportados pelo Governo Federal. Eleito, vou trabalhar junto ao Governo Federal para articular a liberação dessa verba e garantir a ampliação de leitos. Isso permitirá à Prefeitura, se considerar pertinente, reavaliar sua adesão ao Samu.

Como administrar e melhorar um estado em calamidade financeira como Minas Gerais?

Certamente não será fácil. O próximo governador precisa estar preparado para receber um Estado com um rombo de R$ 11,3 bilhões, esse é o déficit previsto na Proposta de Lei Orçamentária enviada para o Legislativo no fim de setembro, mais do que o dobro do que foi aprovado na Lei de Diretrizes Orçamentárias, a chamada LDO, em agosto. Além desse déficit, ainda tem as dívidas com as prefeituras, com as Santas Casas, os R$ 5 bilhões com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais de depósitos judiciais, entre outras já conhecidas.  Mas com uma equipe técnica preparada, vamos enfrentar essa crise como já fizemos no passado. Em 2003, quando herdamos um Estado também com déficit e com os servidores recebendo em escala, renegociamos as dívidas com os fornecedores e cerca de um ano depois, equilibramos as contas e os salários passaram a ser pagos no quinto dia útil. Faremos isso novamente. Temos experiência e já demonstramos nossa competência para enfrentar crises no Estado.

Proposta de Governo 

O plano de governo de Antonio Anastasia (PSDB) prevê a atração de novos investimentos, por meio de associação entre setores públicos e privados e o estímulo à educação, com investimento no desenvolvimento do professor e no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O plano completo você lê clicando aqui.
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