14/10/2018 às 07h00min - Atualizada em 14/10/2018 às 07h00min

Mais de meio século no mercado

Uberlândia tem 68 empresas ativas com mais de 50 anos; conheça a história de alguma delas

CAROLINA PORTILHO
De ferramenta e arame para uma loja de utilidades domésticas, Casa Feliz se mantém no mercado há mais de 60 anos
Foi na década de 60 que foram realizados os primeiros concursos públicos para preenchimento de vagas na Prefeitura de Uberlândia. Também nesse período foi oficializado o hino da cidade e marcado o início das atividades da Empresa Brasileira de Telecomunicações, a Embratel, no Município. Esses são alguns registros em livros que retratam a história da cidade. Entre tantos investimentos e inaugurações, como o Colégio Agrícola e a Instituição Cristã de Assistência Social de Uberlândia (Icasu), a maior cidade do Triângulo Mineiro também foi marcada, na mesma ocasião, pelo surgimento de empresas que até hoje estão no mercado e que, desde então, vêm contribuindo para o crescimento e desenvolvimento do mercado local.

Atualmente, Uberlândia conta com 68 empresas ativas
com mais de 50 anos. Desse total, 40 são do ramo comercial, oito da indústria e 20 de segmento de serviços. Os dados são da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). São empresas que há mais de meio século fazem histórias na cidade, e que viveram e sobreviveram a inúmeras mudanças relacionadas à política e à economia.

Para o analista de inovação do Sebrae em Uberlândia, Ariel Machado Sanchez, saber acompanhar as evoluções do mercado é fator decisivo para o sucesso das empresas, bem como ter planejamento a curto e longo prazo. “A capacitação do empresário é fundamental, pois cada momento é vivido por um período econômico e político que influencia diretamente no andamento de uma empresa. Acompanhar essas evoluções faz toda a diferença, inclusive para atender os consumidores que também evoluem com o tempo”, disse.

Sanchez reforça que boa parte das empresas com mais de meio século passaram ou estão passando pelo processo de sucessão familiar. Segundo ele, a mudança pode acabar esbarrando no modelo de gestão, que se divide entre a clássica e a inovadora, atrelada à tecnologia.

“É preciso existir um equilíbrio, pois quem está passando a empresa tem todo um histórico de gestão de sucesso para chegar até onde chegou, tem maturidade na gestão. Já quem está assumindo tem sede por inovações e são mais imediatistas. Os dois lados precisam ceder e as gerações precisam estar alinhadas”, afirmou.
O analista do Sebrae reforçou que é alto o índice de mortalidade das empresas, e entre os fatores que levam a isso estão a falta de planejamento, de sinergia com os valores da empresa e de fornecimento de experiências novas aos consumidores. “É preciso ter planejamento a curto e médio prazo e arriscar sem ter um norte é sinal de que a vida da empresa será curta. O mercado é muito incerto, por isso é preciso ter certeza de onde se quer chegar. Quanto ao que se vende ou oferta, o consumidor não pensa só em preço, mas no que o produto proporciona. Nesse momento, ele também leva em consideração o atendimento, por isso a importância de contratar pessoas que têm sinergia com a empresa”, disse Sanchez.

O Diário de Uberlândia conversou com quem está à frente de algumas empresas que se enquadram nesse perfil. Empresários contaram como os empreendimentos driblaram os obstáculos enfrentados nas mais de cinco décadas de existência, e quais inovações foram implementadas e que influenciaram para a permanências de cada uma no mercado por tanto tempo.

GRUPO ALGAR
Inovação está no DNA de grupo de 80 anos


Ser a primeira do Brasil a oferecer aos clientes celular pré-pago e internet por cabeamento de fibra ótica são inovações implementadas pelo grupo Algar, que está há 88 anos no mercado.

De acordo com o diretor de Relacionamento com o Mercado da Algar Telecom, Gerson Sebastião de Souza, inovar está no está no DNA do grupo e todo passo dado é baseado em planejamento e acompanhamento. “Sabemos da importância de planejar a curto e longo prazo. Há alguns anos nossa estratégica era multifocal. Hoje, atuamos em três pilares e não gastamos energia e nem recursos em projetos que não estão alinhados com essa nova estratégia do grupo. Temos um escritório de gerenciamento de projetos que acompanha o dia a dia, em tempo real, do andamento de cada investimento. Essa área aponta os caminhos que devem ser seguidos, mostra os resultados e norteia, caso seja preciso, qualquer tipo de ajuste. Quase não temos perdas justamente por acompanhar de perto cada avanço”, disse.

Gerson também destaca que seguir no mercado com solidez depende, também, da conexão entre ideias e pessoas. “Criamos o Brain, que é o Instituto de Ciência e Tecnologia localizado em Uberlândia, que foi inspirado no modelo de inovação aberta para o desenvolvimento de soluções com o foco na criação de novos produtos, serviços e modelos de negócio em quatro temáticas principais: Internet das Coisas (IoT), Cyber Security, Cloud (SaaS) e Digital. O Brain utiliza a metodologia Scrum, usada para implementar o desenvolvimento Ágil, que são princípios relacionados a colaboração, auto-organização e equipes interdisciplinares. É um ambiente criativo, dinâmico, com entregas rápidas. O Brain também atua com foco em cultura de inovação e mudança do mindset.”



Internet das Coisas (IoT), Cyber Security, Cloud (SaaS) e Digital são as temáticas do
nstituto de Ciência e Tecnologia da Algar | Foto: Mauro Marques/Divulgação

CASA FELIZ
Evolução conhecida por várias gerações


Do armazém que vendia ferramenta e arame, por exemplo, a uma loja de utilidades domésticas, brinquedos, artigos de decoração, entre outros. A trajetória da Casa Feliz é marcada por evoluções que sempre acompanharam a tendência do consumidor nesses mais de 60 anos de mercado, sempre na avenida Floriano Peixoto. 

A atual administração avalia que o sucesso do negócio se deve ao modelo tradicional de gestão. “Sempre inovamos, mas com os pés no chão, sem grandes saltos. Todo investimento é calculado. O consumidor muda, mudamos também. O mérito desse sucesso é de quem lá no início entendeu a necessidade de modernizar de acordo com o que cada época apresentava como tendência. Se mantivéssemos o negócio como foi inaugurado, possivelmente não estaríamos no mercado”, disse a gerente Pauliana Hubaide.

Por ter um público diversificado, que inclui crianças, empresários e donas de casa, Pauliana reforça que pesquisar o que o mercado tem trabalhado é rotina da Casa Feliz. Cursos e viagens também fazem parte das atividades da loja quando o assunto é inovação. 

“Temos criado setores específicos com as tendências que vão surgindo, como o setor de organização que está super em alta. Implantamos recentemente o nosso e-commerce e assim vamos aperfeiçoando nossos serviços. O público muda e nós também. Todo conhecimento adquirido é repassado aos funcionários, pois eles estão em contato direto com os nossos clientes e precisam saber o que estão vendendo. Tenho uma gestão bem presente na loja, o que contribui para um ambiente mais harmônico.”




ITACOLOMY
De funcionário a patrão em revistaria tradicional


Aos 18 anos de idade, Reginaldo Rodrigues Bruno começou a trabalhar na Revistaria e Livraria Itacolomy. Em um ano de casa, atuando no escritório, o então jovem foi convidado para tomar conta da loja, cargo exercido por ele por mais de 30 anos. Com a morte do dono do empreendimento, a família resolveu vender o negócio e Reginaldo não pensou duas vezes. Há seis anos ele deixou de ser funcionário para ser o dono.

Quem anda pelo Centro da cidade sabe muito bem onde encontrar livros, revistas, jornais, brinquedos, jogos, artigos de papelaria, CD, entre outros itens, tudo no mesmo local. Após assumir a loja, Reginaldo, hoje com 58 anos, já promoveu melhorias para atender um público diverso.

“Temos brinquedos na loja e presentes, e ampliamos o setor de papelaria para atender demandas dos nossos clientes. Aos poucos vamos ajustando e uma das medidas que tomamos foi estender o nosso horário de atendimento, principalmente no fim de semana. As pessoas já conhecem a rotina da Itacolomy e tudo que sai em um dia é reportado no outro.”

A Itacolomy tem mais de 50 anos de mercado e, apesar de instabilidade do mercado, Reginaldo segue otimista e de olho nas mudanças. “Vejo que temos uma vantagem, pois não temos concorrente direto aqui na região Central. Nosso carro-chefe ainda são as revistas, mas tenho público diversificado que garante um bom movimento”.


Reginaldo passou de funcionário a dono da Itacolomy, que tem mais de 50 anos
de mercado | Foto: Jorge Alexandre Araújo

RAIO-X UBERLÂNDIA
Constituições e extinções de empresas de janeiro a agosto

 
  Constituições Extinções
  2017 2018 2017 2018
Comércio 423 520 591 681
Indústria 109 184 100 118
Serviços 926 1260 514 653
Total 1458 1964 1205 1452
Fonte: Jucemg

Dez dicas de sobrevivência do Sebrae

1) Planeje-se sempre
2) Respeite sua capacidade financeira
3) Não misture as finanças da empresa com as pessoais
4) Fique de olho na concorrência
5) Prospecte novos fornecedores
6) Tenha controle do seu estoque
7) Marketing não se resume a anúncio, invista em outras estratégias
8) Inove, mesmo que seja um produto/serviço de sucesso
9) Invista sempre na formação empresarial
10) Seja fiel aos seus valores e aos do seu negócio
 

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