12/10/2018 às 07h00min - Atualizada em 12/10/2018 às 07h00min

Feriados podem prejudicar comércio

Neste ano, das 18 datas comemorativas no calendário municipal, nove caíram na segunda ou numa sexta-feira

MARIELY DALMÔNICA
Lorena Marques optou por não abrir mais seu comércio aos feriados, devido às horas-extras | Foto: Mariely Dalmônica
Enquanto alguns setores, como o de turismo e de entretenimento são beneficiados com os feriados, principalmente os prolongados, outros comércios podem ser prejudicados com o excesso deles no ano. 

Neste ano, dentre as 18 datas comemorativas no calendário municipal - feriados e pontos facultativos -, seis caíram numa sexta-feira e outros três numa segunda, dando margem para um feriadão. Apenas um feriado caiu no sábado e nenhum no domingo.

Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia, Cícero Novaes, a quantidade de feriados atrapalha as vendas. Neste ano ainda terão cinco feriados em Uberlândia.

A maioria dos feriados está caindo nas sextas-feiras, como o dia 12 deste mês, data em que se celebra Nossa Senhora Aparecida e o Dia das Crianças, e o dia de Finados, em 2 de novembro. Mesmo que não exista uma pesquisa que mostre exatamente qual setor lucra ou perde com os feriados, quando as datas caem no início ou no final da semana, podem prejudicar ainda mais o comércio, segundo Cícero. “O Brasil tem excesso de feriados em relação aos outros países. Neste ano teve a greve dos caminhoneiros, a Copa do Mundo e as eleições. O intuito não é evitar descanso, devemos criar situações para quem quer prosperar. Nos feriados, o lojista está diminuindo a possibilidade de vender, mesmo que abra a loja”, disse. 

Para Cícero, muitos empresários têm dificuldade de se consolidar devido à diversos fatores. “Existe a concorrência dos ambulantes e o lojista pode não ter condições de bancar os funcionários em dias de feriado”, afirmou o presidente da CDL.  

Lorena Marques é proprietária de uma padaria no Centro da cidade e deixou de abrir o estabelecimento em feriados há alguns anos. “A gente já abriu por muito tempo nos feriados, mas chegamos à conclusão que pagar extra para os funcionários não compensa, porque não temos retorno. Agora fechamos em todos os feriados”, disse a empresária. 

Segundo Lorena, o motivo de não abrir o comércio é o movimento. “Como a gente está localizado em uma área muito central, o movimento cai muito, então não compensa. Mas afeta muito no fim do mês, acho que os comerciantes em geral. Dá bastante diferença no fim do mês, e são muitos feriados durante o ano.”

Derly Magalhães, gerente de um supermercado no bairro Fundinho, deixa as portas do estabelecimento abertas na maioria dos feriados. “No nosso caso, o Sindicato dos Supermercados tem um acordo de não abrir quatro dias ao ano, no Natal, no Ano Novo, na Sexta-feira da Paixão e no Dia do Trabalho. Nos outros dias eu abro, porque se eu não abrir, um cliente pode ir a outro mercado.” 

Segundo o gerente, feriados que caem na sexta-feira costumam ser menos movimentados. “Mas tem muita gente que viaja para Uberlândia também, então há uma troca de clientes e de perfil. Esse feriado do dia 12 vai ser bom, porque as quintas-feiras antes de feriados costumam ter muito movimento, mas sábado já deixa de ser um dia bom. Supermercados maiores e mais centrais sofrem um maior impacto nos feriados, os menores e em bairros, nem tanto”, disse Derly.
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