08/10/2018 às 08h32min - Atualizada em 08/10/2018 às 08h32min

Vitória de Zema no 1º turno surpreende o próprio candidato

Empresário araxaense enfrenta Antonio Anastasia no segundo turno

ADREANA OLIVEIRA COM FOLHAPRESS
Por essa nem o próprio Romeu Zema (Novo) esperava. O empresário araxaense de 53 anos, que começa a enveredar agora na carreira política, venceu o primeiro turno das eleições para governador de Minas Gerais com 42,73% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) (29,06%). Com este resultado, Zema tirou da disputa o atual governador Fernando Pimentel (PT), que teve 23,12% dos votos. O segundo turno entre Zema e Anastasia não foi previsto em nenhuma pesquisa. Todas davam como certa o tucano e o petista no segundo turno.

Durante coletiva de imprensa na noite de ontem, Romeu Zema disse que a participação, pela primeira vez, em um debate, no caso o da Globo no último dia 2, foi responsável por essa virada. “A gente esperava que a participação no debate ajudasse, mas foi além do esperado”, disse ele que contava apenas com seis segundos de propaganda eleitoral gratuita.

“Aceitei o desafio de me candidatar porque estava cansado destes mesmos políticos de sempre pedindo voto para resolver os problemas que eles mesmos haviam criado. O Novo demonstrou que é possível uma outra forma de política. Sem dinheiro público, sem tempo de TV e sem conchavo. Minha votação este domingo é a prova que as pessoas estão cansadas destes mesmos políticos de sempre que não percebem que a política mudou e eles não acompanharam”, avaliou o candidato.

Nos últimos dias de setembro, o empresário tinha 9% das intenções de voto, segundo o Datafolha. A subida do empresário de Araxá (MG), no Triângulo Mineiro, foi a reboque de Jair Bolsonaro (PSL). Ao participar do debate da Rede Globo, na terça (2), Zema pediu votos ao final tanto para o presidenciável de seu partido, João Amoêdo (Novo), como para o capitão reformado. "Aqueles que quiserem mudança podem votar em candidatos diferentes, ou João Amoêdo ou Jair Bolsonaro", disse.

Zema foi repreendido pelo seu partido, que viu uma atitude de infidelidade partidária. Ele tentou se explicar, afirmando que, na verdade, pediu que eleitores de Bolsonaro votassem nele –o presidenciável do PSL não declarou apoio a nenhum candidato em Minas. "Já era 1h da manhã, tinha trabalhado o dia todo e a frase não saiu com muita clareza", disse.

Desconhecido antes das eleições, Zema e sua família possuem uma rede de 430 lojas em 170 cidades. O carro-chefe é o varejo de móveis e eletrodomésticos, mas os negócios se estendem até à distribuição de combustíveis. Para ele, a rede de 5 mil funcionários diretos ajudou a impulsioná-lo.

Ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 70 milhões. Arrecadou quase R$ 700 mil para sua campanha — ele contribuiu com R$ 35 mil. Outros empresários doaram quantias, mas a metade do recurso veio do Partido Novo, que não usa verba pública e se financia por meio de 25 mil filiados contribuintes no País.

No segundo turno, em vez de seis segundos de TV e participação somente em um debate, Zema competirá em pé de igualdade com Anastasia.
 
PSDB
Anastasia afirma que primeiro turno cumpriu propósito


Antonio Anastasia afirma que agora é uma outra eleição | Foto: Divulgação

Integrantes da campanha de Antonio Anastasia disseram, reservadamente, que esperavam um crescimento de Zema, mas que ninguém imaginava que seria da maneira como ocorreu. Agora, a cúpula do PSDB-MG vai se reunir para decidir como tratar o novo adversário.

O tucano, por sua vez, também tem aliados buscando carona em Bolsonaro. A aliança com o capitão pode ser um diferencial para ambos. No debate da TV Globo, Anastasia mirou em Zema, acusando-o de não ter experiência em administração pública e apontando que algumas de suas propostas contrariam a lei.

Manteve o discurso no pronunciamento na noite de ontem. “Sempre disse que essa seria uma eleição de dois turnos. Agora, em um novo cenário, sem o PT, e uma nova eleição e o povo mineiro decidirá com soberania, ao olhar o currículo dos candidatos, o que mais fez por Minas”, disse.

Pesa contra Anastasia a grave crise fiscal do estado, que prevê déficit de R$ 11,3 bilhões para 2019. Parcelando salários e retendo repasses aos municípios, perdeu importantes aliados: o funcionalismo e os prefeitos num estado com 853 cidades.

PT
A perda do segundo colégio eleitoral do país é um revés para o PT, que contava com o governador no segundo turno para dar palanque a Fernando Haddad (PT). Zema arrancou na última semana da eleição, batendo Pimentel e Anastasia. Petista e tucano eram os favoritos para o segundo turno, de acordo com as pesquisas de intenção de voto. O novo cenário também vai exigir nova estratégia dos tucanos, que, no início da semana, acreditavam ser possível liquidar a eleição no primeiro turno e, no pior dos cenários, enfrentar o PT. O governador Fernando Pimentel (PT) cancelou sua fala à imprensa no comitê do partido. O clima no local era de desolação. Alguns militantes choravam. Dos prédios vizinhos, pessoas provocavam: "fora PT, fora Pimentel, vai pra Cuba". Outros vizinhos e militantes respondiam: "Lula livre". A apuração era acompanhada pela TV.
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