28/09/2018 às 07h58min - Atualizada em 28/09/2018 às 07h58min

Gilmar diz que sentiu sensação de injustiça

Ex-prefeito questiona prisão às vésperas da eleição por fato investigado em 2014

NÚBIA MOTA
Gilmar lembrou que TCE não constatou irregularidade | Foto: Núbia Mota
Um dia depois de ser solto do Presídio Professor Jacy de Assis, o ex-prefeito de Uberlândia Gilmar Machado (PT) recebeu a reportagem do Diário de Uberlândia na sede do partido e falou sobre as acusações sobre ele e o período de 6 dias em que ficou detido. O político foi preso no dia 20 deste mês, durante a operação do Ministério Público Estadual (MPE) denominada KMs de Vantagem, que investiga irregularidades em licitações do transporte escolar municipal, entre os anos de 2014 e 2015, quando ele era prefeito de Uberlândia.

No mesmo dia que Gilmar foi libertado, foram soltos também os ex-secretários municipais Alexandre Andrade (PSB), que também é candidato a deputado federal, e Gercina Novais. Ambos ocuparam as pastas de Trânsito e Transportes e de Educação, respectivamente, durante a gestão de Gilmar Machado.

Gilmar diz que sentiu uma sensação de injustiça. “Graças a Deus, o Tribunal reconheceu rapidamente que foi ilegal, o que me tranquiliza e mostra que algumas arbitrariedades estão acontecendo e a gente precisa corrigir”, afirma.
“Não sou advogado, não sou juiz, mas uma coisa eu posso afirmar. A partir de 12 de setembro, o Brasil está começando a voltar aos princípios da legalidade e da constitucionalidade, com o ministro Dias Toffoli (José Antonio Dias Toffoli) na presidência do Supremo (Tribunal Federal). Ele não vai permitir mais que, como no meu caso, a pessoa com presunção de inocência perca seu direito. Já foram para Brasília, para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público as investigações sobre os juízes e promotores que estão promovendo espetáculos em véspera de eleição”, disse.

Gilmar também pondera ao ser questionado sobre ter sido preso dois dias antes do início do prazo que proíbe a prisão de candidatos. “Eu prefiro esperar que o Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça se posicionem. Meu caso já foi para Brasília”. Sobre as acusações, o ex-prefeito destaca em sua defesa que o Tribunal de Contas do Estado fez uma auditoria e constatou que o processo foi feito de forma correta, e indaga que “a licitação foi em 2014. Por que só agora estão fazendo esse processo de investigação?”.

Ele ainda diz que não é o executor do processo licitatório, como em outros realizados em sua gestão. “O prefeito não faz licitação. A Prefeitura tem uma equipe dirigida pela Secretaria de Administração. Já foi feita uma CPI pela Câmara de vereadores, quando foi contratado um escritório de advocacia, sem licitação, superfaturado, e por coincidência, nesse escritório tem filha do atual prefeito. Tudo isso agora vai aparecer. No processo de investigação, vai ficar demonstrado que quem ficou rico em Uberlândia com processo de van não fui eu. Eu não tenho van. A Gercina não tem. O André (chefe do setor de licitação) não tem. Nós temos a consciência tranquila”.

Gilmar faz mais citações ao atual prefeito Odelmo Leão. “Não estou pondo culpa em ninguém. Mas como eu estou sendo investigado, outras pessoas também serão investigadas. A democracia está começando a voltar. O golpe contra a presidente de Dilma não foi à toa e o povo sabe quem votou contra ela, pelo golpe. Eu sei também. Só que eu não tenho medo de coronel. Minha vida inteira foi lutando contra coronel. Cheguei à Prefeitura de Uberlândia sem ser de nenhuma família tradicional da cidade. Sou o primeiro. Sou o primeiro negro a chegar lá e sei que muita gente não aceita. Mas eu vou continuar.”

Sobre Alexandre Andrade, Gilmar diz que não tem de defendê-lo, mas acredita que a prisão dele também foi ilegal. “Reconheço nele uma grande liderança e lamento que estão tentando inviabilizar a candidatura dele também, mas torço para que ele consiga se recuperar. Falei muito para ele lá dentro: ‘Não abaixa a cabeça’. Agora ele está começando a entender a luta contra os coronéis. Eu ganhei mais um aliado”, declara. O petista também diz achar estranho alguns procedimentos durante o tempo na prisão. “Na maioria do tempo, ficamos todos juntos. Se você está investigando uma organização criminosa, como você põe todo mundo junto? Tinha que estar todo mundo separado. O próprio desembargador achou superestranho”.

Sobre a Operação Encilhamento, que o levou para a prisão em março, ele afirma que “há mais de 5 meses que fui detido por 10 dias, mas não fui ouvido e estou desde então aguardando. Nem fui chamado para depor ainda”.  Ele continua com os bens bloqueados, exceto pelo salário de professor aposentado do Estado, que a exemplo de outros servidores estaduais, está sendo pago parcelado. Em nota, Alexandre Andrade informou que a justiça foi feita, uma vez que nunca foi omisso e nem agiu fora dos princípios éticos e morais que sempre pautaram suas ações. Ele afirmou ainda que “continuará na luta pela renovação política e por um Brasil melhor para todos”.

Citado pelo ex-prefeito Gilmar Machado, e procurado pela reportagem, o prefeito Odelmo Leão, por meio de assessoria, informou apenas que "a situação enfrentada por esse senhor (Gilmar Machado) diz respeito exclusivamente à Justiça".
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