25/09/2018 às 07h53min - Atualizada em 25/09/2018 às 07h53min

Café consumido na UFU vem de produção própria

Do plantio ao processo de moagem, 30% da produção atual são usados internamente e o restante é comercializado

CAROLINA PORTILHO
Plantação fica no campus Glória, onde também acontece todo o processo de torrefação e moagem | Foto: Milton Santos/UFU
A proposta de menor preço em um pregão é sempre a vencedora nessa modalidade de licitação praticada nas instituições públicas para aquisição de bens e serviços. Por muitas décadas, a compra de café pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) passou por esse processo e nem sempre dava para conciliar preço com qualidade. Essa realidade começou a ter uma nova história em 2005 quando a instituição passou a consumir o café que produzia. Hoje, das 875 sacas do grão produzidas anualmente, cerca de 30% são destinadas ao consumo interno de todos os campi da UFU.

Para se chegar a toda essa produção, que envolve o plantio, a colheita, a separação, torrefação e por fim a moagem, é preciso contar a história que começou em 1999, quando a UFU buscava recursos para que a instituição tivesse uma estrutura própria para atender os estudantes do curso de graduação da Agronomia, que tem na grade horária uma disciplina relacionada à cafeicultura.

Projetos de pesquisas foram encaminhados ao Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, vinculado à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que aprovou os conteúdos e liberou recursos para a UFU. Em 2000, teve início o preparo da terra e todo o processo para o plantio de café em uma área de 12 hectares e meio situada no campus Glória, em Uberlândia. Os alunos do curso de graduação passaram a ter aulas práticas dentro da própria instituição. Já os acadêmicos ganharam um espaço para trabalhar pesquisas relacionadas ao grão e afins.

“Devido à falta de estrutura na UFU, os experimentos dos alunos eram feitos em cidades vizinhas, como Araguari e Patrocínio, um risco para todos por conta de ter que pegar estrada. Esse foi só um dos benefícios conquistados ao termos a nossa própria estrutura. O principal mesmo foi oferecer aos graduandos as condições de aulas práticas dentro da própria UFU e aos acadêmicos condições de estudos e pesquisas”, disse o professor Benjamim de Melo do Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG) da universidade.

Quatro anos depois, a produção começava a render e os grãos eram armazenados e comercializados pela Fundação de Desenvolvimento Agropecuário (Fundap), entidade pública de direito privado sem fins lucrativos, não tendo vínculo com a estrutura organizacional da UFU. Diante da produção, que era maior do que a necessidade, e da compra do produto para consumo em todos os campi por meio de pregão, em 2005, por que não passar a consumir o que se produzia?
“Esse foi o questionamento na época, pois todo o processo funcionava em casa. Então nada mais sensato do que a instituição passar a consumir seu próprio café. Para isso, adquirimos equipamentos para internamente fazermos o processo de torrar e moer o café”, contou o professor.

A partir daí, a demanda de 500 quilos de café/mês adquiridos via pregão para abastecer todos os campi foi substituída pelo produto interno. A produção foi ganhando força, inclusive com a ampliação da área no Glória para 25 hectares e do consumo interno, que hoje já são 800 quilos/mês com projeção de 1.000 quilos a partir de janeiro de 2019.

“O restante do café é vendido pela Fundap à medida que a área necessita de recursos para manter suas atividades em funcionamento, como compra de fertilizantes, por exemplo, como se fosse uma moeda de troca. A ideia era reduzir custos já que produzíamos o nosso próprio café. Com isso, ganhamos no preço da compra, na qualidade do produto e por oferecer todas as condições necessárias de ensino aos envolvidos, e não só da Agronomia. Hoje o setor de cafeicultura da UFU é autossuficiente, anda com as próprias pernas”, finalizou Benjamim.
 
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