12/09/2018 às 07h52min - Atualizada em 12/09/2018 às 07h52min

Vale alimentação atrasa pelo segundo mês seguido

Prefeitura justifica atraso à falta de repasses pelo Governo do Estado

VINÍCIUS LEMOS
Ronaldo Branco, do Sintrasp | Foto: Divulgação
Pelo segundo mês consecutivo os valores do vale alimentação dos servidores da Prefeitura de Uberlândia não foram pagos. O tíquete é de R$ 100. O Município não divulgou o valor total não depositado aos trabalhadores, mas segundo cálculos do Diário de Uberlândia, somados apenas os meses de agosto e setembro, o montante chega a R$ 3 milhões, aproximadamente, referentes aos 15 mil servidores municipais. À reportagem, trabalhadores disseram que o valor já nem pode ser tomado como parte dos ganhos mensais, devido à incerteza de recebimento.

Em nota, a Prefeitura justificou que a volta dos atrasos dos vales se deu em função da dificuldade de recebimento de repasses do Estado, mas não deu uma previsão de regularização da situação.
O vale-alimentação foi instituído em 2013 e era de R$ 50, valor que teve aumento de 100% no ano seguinte. Contudo, desde 2016 há atrasos no pagamento do benefício, sendo que há ainda seis meses em aberto referentes à administração anterior e pelo menos cinco meses do atual governo. Em cálculos não oficiais o total em dívida com os servidores chegaria a R$ 16,5 milhões.

“A Prefeitura de Uberlândia informa que o atraso no pagamento do tíquete alimentação ocorre em função da retenção sistemática de recursos de direito do Município por parte do Governo de Minas. Por isso, o depósito neste mês dependerá da disponibilidade orçamentária, uma vez que a gestão tem priorizado o pagamento da folha de servidores e das despesas em áreas essenciais (como a compra de remédios para abastecer a rede municipal de Saúde, por exemplo). Segundo levantamento da Associação Mineira dos Municípios (AMM), o governo estadual deve mais de R$ 155 milhões a Uberlândia (referente a recursos de IPVA, ICMS, Fundeb, transporte escolar, dentre outros). Apesar da grave situação, a Administração Municipal ressalta ainda que já garantiu, até o momento, a regularização dos tíquetes de janeiro a dezembro de 2017, bem como dos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano”, diz a nota.
 
SINTRASP
 
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Uberlândia (Sintrasp), Ronaldo Branco, informou que uma reunião com o Município deve acontecer ainda nesta quarta-feira (12) para tratar de uma série de assuntos da pauta recém-estabelecida pela instituição, entre os pontos está a questão dos tíquetes. “Sabemos que é uma situação que afeta a toda a categoria, mas trabalhamos para que a Administração saiba que agora o trabalhador tem uma representação e que vamos buscar nos inserir e garantir um canal com empregador para discutir todos os problemas”, afirmou o presidente.
 
SERVIDORES
Valor faz falta na complementação salarial
 
O Diário de Uberlândia conversou com vários servidores do Município, principalmente do setor da Educação, e o consenso é que o vale alimentação faz falta na complementação dos ganhos de todos. A incerteza do recebimento dificulta compromissos mensais e faz os servidores questionarem o motivo de não serem comunicados de que o benefício não será pago.

Assistente de serviços administrativos na Escola Infantil Maria Pacheco Rezende, no bairro Santa Mônica, Marcia Novikoff contou ao Diário que o problema em sua família é duplicado, já que o marido também é servidor da Prefeitura. “Mesmo R$ 100 ajuda, porque no nosso caso soma o dos dois. A gente usava em compras para casa, hoje não podemos contar com isso”, afirmou a trabalhadora, que tem três filhos.

Outra educadora do Município, que preferiu não se identificar, também informou ao Diário que o gasto com alimentação foi afetado. “Ajuda a complementar minhas compras do mês. É o caso do sacolão e do açougue. Mas nem tenho contado com ele (vale), pois nunca sei quando vai cair na conta”, disse.

A educadora infantil Isabel Faria, da Escola Maria Luiza Barbosa de Souza, no São Jorge, explicou que pretende buscar informações, pois não recebeu nenhum comunicado sobre os atrasos ou mesmo quitação. “Não justificaram nada. Não foi avisado que ia ter suspensão. Penso em procurar o protocolo para pedir esclarecimento, porque eu preciso do dinheiro”, disse.
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