05/09/2018 às 11h47min - Atualizada em 05/09/2018 às 11h47min

Estudo na UFU alerta sobre risco de bactéria em frango

NÚBIA MOTA
Fabiano Goulart/UFU
Enquanto nos países europeus e norte-americanos há uma grande preocupação em relação à bactéria Campylobacter, comumente encontrada no intestino dos animais, principalmente aves, e que pode causar graves problemas de saúde aos humanos, no Brasil não há lei específica como forma de coibir a comercialização de alimentos contaminados pelo micro-organismo. Mas, um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pela bióloga e doutora em medicina veterinária Roberta Torres de Melo é um grande passo para que a legislação brasileira seja modificada. 

Roberta Melo e a orientadora, a professora de veterinária da UFU Daise Rossi, analisaram amostras colhidas em uma empresa exportadora de frango e em cerca de 20% das amostras foram encontradas a Campylobacter.  “Nos Estados Unidos e na Europa, esse micro-organismo é supercontrolado, porque é a principal causa de gastroenterite alimentar. Já no Brasil, não se sabe de nada. As pessoas que apresentam quadro de infecção gastroentérica não fazem exame para saber se é por essa bactéria. Não é obrigatório fazer essa análise na carne e não tem fiscalização”, disse Roberta. A falta de controle nas empresas nacionais, de acordo com a cientista, pode comprometer ainda a exportação de frango, que corresponde a 40% do mercado mundial.

A pesquisadora vem estudando essa bactéria desde 2007, na graduação em Biologia. Já no doutorado ela fez uma análise comparativa entre amostras de carne de 2011 e 2012 com as de 2015 e 2016 do mesmo estabelecimento, para avaliar a mudança no material genético, e descobriu que as bactérias encontradas estão mais virulentas e mais resistentes a antibióticos. Roberta Melo ainda avaliou a capacidade da bactéria de formar biofilme, um aglomerado de bactérias, assim como os tártaros nos dentes, que contaminam o ambiente.
Segundo a professora Daise Rossi, agora está sendo elaborado um termo de cooperação técnica entre UFU e Ministério da Agricultura para dar andamento aos estudos feitos a respeito da Campylobacter. “Já estamos com algumas amostras de bactérias isoladas cedidas pelo Ministério da Agricultura e que darão origem a outros trabalhos”, afirmou.

Ela acredita que deve haver uma mudança em breve em relação à fiscalização de frigoríficos, o que é de responsabilidade do Ministério da Agricultura. Mas ainda há muito o que ser feito para que a legislação também alcance os produtos disponíveis no mercado já que, nesse caso, a responsabilidade é do Ministério da Saúde. “Fizemos uma trabalho também com amostras de comércio e mostramos para a Anvisa, mas a opção foi ainda não incluir nas amostras de análise devido a dificuldade, porque pode ter resultado errado, falso positivo ou falso negativo. Não há um estudo amplo a respeito”, disse a pesquisadora.
 
Cuidados
 
Enquanto isso, segundo a cientista, é necessário que a população tenha cuidado ao consumir e preparar carne de frango, de peru e outras aves, inclusive exóticas. É importante que o alimento esteja bem cozido, pois a bactéria não resiste às altas temperaturas, e que as superfícies e utensílios, como tábuas de carne, pias, mesas e facas sejam bem lavados depois do preparado da carne, para que não tenha contaminação cruzada e outros alimentos também sejam infectados.
A Campylobacter não ocasiona nenhum tipo de doença às aves, mas se consumida pelo ser humano pode gerar gastroenterite, inflamação no estômago que provoca diarreia, febre e cólicas abdominais. Esse microrganismo também está relacionado à síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que atinge o sistema nervoso.
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