04/09/2018 às 16h09min - Atualizada em 04/09/2018 às 16h09min

Protesto para garantir inclusão nas escolas municipais de Uberlândia

Pais e professores criticam mudanças no atendimento a alunos com necessidades especiais

VINÍCIUS LEMOS
Protesto motivou reunião entre manifestantes e secretária de Educação | Foto: Aline Rezende
Pouco mais de 30 professores e pais de alunos de unidades educacionais infantis do Município fizeram uma manifestação nesta terça-feira (4), na Câmara de Uberlândia, durante a segunda sessão ordinária de setembro. Eles protestaram contra mudanças no atendimento aos alunos com necessidades especiais nas escolas municipais, que tiraram o atendimento de cuidadores e professores de apoio de salas de aula para alguns estudantes. Além disso, o remanejamento de professores foi contestado por profissionais da área, que também denunciaram o fechamento de bibliotecas e o fim de atividades de educação física e artes para crianças de até três anos. A secretária de Educação, Célia Tavares, acabou atendendo o grupo em reunião separada.

O grupo teve dificuldade em conseguir subir à tribuna do Plenário, uma vez que não houve requerimento votado na Casa com antecipação. O vereador Adriano Zago (MDB) disse que o pedido não foi votado na segunda-feira (3) por falta de quórum durante a primeira sessão do mês. O presidente da Câmara, Alexandre Nogueira (PSD), contudo, liberou a fala de quatro manifestantes posteriormente. “Dada a pressão, a gente vai abrir a tribuna, porque eles acham melhor esse uso, então vamos autorizar”, disse.

“Queremos respostas sobre o corte de cuidadores e profissionais de apoio. Isso fere a constituição, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente, diretrizes de base de educação e leis de inclusão”, disse Aline Giuliani, mãe de uma aluna da escola Domingos Pimentel de Ulhôa, no bairro Santa Mônica. 

Solimar da Silva Barbacena é mãe de uma criança com autismo que, há três semanas, perdeu o atendimento da cuidadora na Emei Professora Edna Aparecida de Oliveira, no bairro Santo Inácio. “Ele não se alimenta sozinho, não verbaliza por vezes as vontades, há problema de troca de fraldas. Já não era o adequado [o atendimento na escola] e não houve comunicação [da interrupção]. A diretora ainda disse: ‘prefiro esse tipo de corte do que parcelar salário como a antiga gestão fez’”, afirmou.

A professora Ana Maria das Dores, que trabalha na escola Leandro José de Oliveira, na zona rural de Uberlândia, disse que o objetivo da manifestação era pressionar as instituições no sentido de garantir educação de qualidade e melhorias para o corpo docente e alunos. “Porque se retiram profissionais, sobrecarregam os que ficam e isso reflete diretamente na educação oferecida”, disse.

CARTA DO CONSELHO

Circula uma carta aberta do Conselho Municipal de Educação, assinada em parceria com a Associação de Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e do Grupo de Pesquisa Estado Democracia e Educação, que critica remanejamentos e fechamentos de bibliotecas em escolas municipais. O texto liga as medidas que a Secretaria de Educação tem tomado ao arrocho dos cofres municipais devido à PEC do Teto de Gastos, que congela por 20 anos verbas de Municípios, Estados e União.

OUTRO LADO

Em reunião feita na sala João Pedro Gustin, na Câmara Municipal, a secretária de Educação, Célia Tavares, ouviu pais e professores. A conversa durou mais de uma hora e meia. Todos os assuntos tratados nas falas do Plenário foram discutidos.

Em entrevista ao Diário de Uberlândia, a secretária afirmou que existe uma readequação para a área de educação especial, na qual 17 cuidadores e seis professores de apoio foram remanejados, em um universo de quase 500 servidores. Ela salientou que a decisão não foi unilateral e, especificamente neste caso, não tem ligação com cortes de gastos.

“O aluno passa por um período de adaptação e o profissional que inicia esse processo tem que ser diferenciado daqueles que darão sequência. O aluno tem o Plano de Desenvolvimento Individual com um acompanhamento. Nesse momento, a secretaria fez avaliação de todo o acompanhamento de cada aluno e algumas adequações foram feitas. Se ele precisa de um assessoramento maior em classe, foi destinado um professor. Se tem certa independência, um certo nível de autonomia, o cuidador pode assistir a dois alunos”, explicou. 

Célia Tavares disse ainda que houve boatos sobre cortes e remanejamentos e, aos pais, afirmou que vai analisar casos que não estão adequados com o plano do Município.

BIBLIOTECAS

A secretária informou ao Diário que há bibliotecas fechadas, mas por curto período, até que professores reabilitados sejam deslocados para a função. São profissionais que não podem estar em sala de aula, mas que podem fazer o tipo de trabalho demandado nas bibliotecas. “[O que aconteceu é que] Professores que estavam aptos à sala de aula foram levados para lá. A prioridade é de professores em sala de aula para suprir os que estavam se aposentando”, disse Tavares. Não foi informado o número de bibliotecas fechadas.

Em relação aos professores de educação física e de artes, a secretária disse que apenas sete deles foram remanejados para atender alunos a partir da Pré–escola. Turmas de 0 a 3 anos serão atendidas pelos atuais professores que, segundo Célia Tavares, estão aptos a ministrar atividades artísticas e corporais.
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