30/08/2018 às 07h56min - Atualizada em 30/08/2018 às 07h56min

Zema quer reduzir secretarias

Candidato ao Governo pelo Novo, empresário de Araxá promete morar em residência própria e receber salário só depois que servidor for pago

MARIELY DALMÔNICA
Romeu Zema: “Vamos extinguir todos os tipos de privilégios e mordomias que existem” | Foto: Mariely Dalmônica
O empresário Romeu Zema (Novo), candidato ao Governo de Minas nas eleições deste ano, pretende atrair mais empresas para o Estado e promete que, se eleito, irá receber seu salário apenas quando os servidores forem pagos, que irá morar em residência própria e terá apenas nove secretarias – hoje são 21.

O candidato, que esteve à frente das Lojas Zema durante 26 anos e declarou o maior patrimônio pessoal dentre os concorrentes ao governo, é novo no meio político e esteve ontem em Uberlândia. Em entrevista ao Diário de Uberlândia, Zema expôs suas propostas e sua opinião sobre o cenário político de Minas Gerais.
 

Diário: O senhor é do Partido Novo. Se for eleito, o que terá de novo para o estado?
Romeu Zema: Muitas coisas, nós não somos só um partido político, nós somos uma ideia para fazer uma sociedade diferente. Eu quero ser o primeiro governador que vai morar na sua própria residência em vez de morar em um palácio. A monarquia já acabou há 130 anos, e os políticos ainda se consideram parte da nobreza da corte. Eu sempre digo que exemplo vem de cima, quem está comandando o navio tem que ser o último a deixar o navio, tem que ser responsável por toda tripulação e passageiros, e o que nós temos visto no Estado é o contrário. Então eu só vou receber meu salário quando todo funcionalismo e aposentados estiverem com o salário em dia. Nós queremos seriedade e moralidade, porque falta esse comprometimento dos políticos.
 
Os prefeitos do Triângulo Mineiro estão se reunindo periodicamente e já cogitaram uma greve geral, devido a dívida do Estado com as prefeituras, que já passa dos R$ 7 bilhões. Por que decidiu enfrentar problemas como esse?
Isso só chegou onde chegou devido a irresponsabilidade e descaso do atual e de governos anteriores. Isso é fruto de uma mentalidade que reina entre os políticos de sempre, e isso nós queremos quebrar. Primeiro, nós vamos extinguir todos os tipos de privilégios e mordomias que existem. Hoje nós temos excesso de cargos e secretarias, Minas tem 21 secretarias e nós queremos nove. Na Câmara de Uberlândia cada vereador tem 15 assessores, em Poços de Caldas, cada vereador tem um, então nós temos muita ineficiência. Nós vamos ter condição de cobrar mudanças, então vou cortar muita gente, mas não vou cortar médicos, nem professores, nem policiais. Vou parar de maltratar quem investe no Brasil, quem emprega e quem gera riqueza. Porque hoje o Estado de Minas é o estado mais complexo em termos tributários, tem não só a maior carga tributária, como as leis mais complexas. Em vez de ter três pessoas para apurar o ICMS, tem oito pessoas, e fica muito mais sujeito a erros. Queremos uma coisa justa. Outro ponto, eu vou incrementar a atração de empresas para Minas, hoje Minas só tem perdido empresas, que estão indo para fora do Estado, porque são maltratadas aqui.
 
O Grupo Martins anunciou esta semana que vai passar sua distribuição para Goiás. Como resolver esse problema?
Há dois anos e meio foi muito pior, foi Martins, Arcom, que levaram boa parte da operação para outros estados. É um Estado que não vive a realidade de quem trabalha. Cada setor tem as suas particularidades. Há dois anos, o Estado proibiu os atacadistas de utilizarem o crédito que eles acumulam para poder fazer compras em Minas Gerais. Você quer trabalhar para ficar acumulando crédito ou para ganhar um salário? Eles levaram a operação para outros estados por esse motivo.
 
Como será a sua governabilidade fazendo parte de um partido sem coligação e aliados?
Ninguém que governa o Estado tem maioria nas assembleias ou na Câmara Federal, é sempre necessário articular. Nós somos contrários às emendas parlamentares, mas eu gosto sempre de dizer que o próprio executivo sozinho consegue fazer muita coisa. Vai depender de mim e da Secretaria da Fazenda, não vai depender da Assembleia. Mas eu vou estar totalmente aberto a escutar os deputados, sou uma pessoa que sempre negociou com bancos, com fornecedores, com sindicatos, e também quero estar usando as emendas parlamentares no sentido produtivo. Hoje, cada deputado gasta com o que bem entende, eu quero que ele prove para mim que esse recurso está trazendo benefício para a população, e está sendo empregado em alguma obra que tenha previsão orçamentária, para não ficar nada abandonado.
 
O senhor promete abrir mão do salário, caso eleito, até que os salários dos servidores sejam pagos. Como você irá resolver essa situação que se estende há anos?
Vamos atacar em várias frentes, reduzir privilégios, despesas e cortar pessoas desnecessárias. Isso vai significar mais receita para o Estado. E um outro ponto, que o governador atual não fez, ele teve todas as oportunidades de renegociar as dívidas com a União e não fez, porque a contrapartida era que ele adotasse medidas de austeridade. Então nós vamos negociar com a união, vamos ter condições melhores.
 
O senhor não desconsidera a privatização da Cemig, não acha que é possível manter a empresa nas mãos do Estado?
Eu vou querer uma Cemig e uma Copasa diferentes. Primeiro, dirigidas por profissionais de lá, e não por políticos. Tem gente que trabalha na Cemig e na Copasa há 20 anos, são diretores competentes, por que tem que vir um político ensinar o padre a rezar o Pai Nosso? Profissionalmente, isso já vai melhorar os resultados da empresa. E quando elas estiverem muito valiosas, eu sou favorável a privatização, desde que seja feita com total transparência e que também signifique menor tarifa para o consumidor.
 
O senhor é de Araxá, uma região rica de Minas Gerais, mas tem conhecimento da situação que vive as regiões mais pobres?
Eu conheço muito o Vale do Mucuri e o Vale do Jequitinhonha, que são provavelmente as regiões mais pobres do estado. E o que nós queremos fazer no sentido de atrair empresas têm tudo a ver com desenvolver essas regiões. Porque uma empresa que vier para Minas, eu diria que ela tem mais chances de se instalar lá do que aqui em Uberlândia ou Araxá, porque lá as pessoas trabalham para ganhar um salário mínimo com a maior satisfação. E aqui em Uberlândia você tem mais possibilidades para ganhar dois salários ou três.
 
Uberlândia enfrenta um problema sério em relação ao Ipsemg (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais). Os servidores estaduais estão sem hospital para urgência e emergência e não há previsão de melhoria. Qual a sua proposta para a saúde?
Hoje em Minas nós temos nove hospitais regionais que as obras foram iniciadas e estão paralisadas há quase quatro anos. Na semana passada eu conheci mais um hospital, na cidade de Governador Valadares. Você entra lá e tem uma maca atrás da outra, desde a recepção até os corredores, um atendimento totalmente precário. O ideal seria o Estado ter recursos para finalizar essas obras e colocá-las em funcionamento. Ele tem? Não, então nós temos que ser realistas. Nós vamos chamar entidades filantrópicas e fundações da área de saúde e propor para eles: concluam esses prédios, equipem, comecem a funcionar como uma instituição de saúde, atendendo planos privados, particular, e também o SUS. E com isso a população carente, que hoje depende do SUS, vai ter acesso a mais leitos. Só que a nossa classe política não gosta desse tipo de solução, porque o que eles querem é inaugurar o hospital e dizer que foram eles que fizeram. Dessa maneira não vai ser eles que fizeram, vai ser uma instituição. Mas o que vale: eu inaugurar a obra ou resolver o problema de saúde da população? Eu quero resolver, inaugurar é um mero detalhe.
 
E na educação, com as constantes greves dos professores, como será tratada essa pasta no seu governo?
A nossa educação, de Minas e do Brasil, é precária e ruim. O Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] de 3,5 é uma vergonha. Você vê que o trabalhador acaba sendo pouco produtivo no Brasil, aquilo que ele lê, ele não entende. Se for comprar algo no bar, a moça que vai te devolver o troco pega calculadora, e tudo isso é sintoma de uma escola ruim. Queremos que os diferentes sejam tratados de modos diferentes. Eu quero que as diretoras e as professoras das boas escolas públicas, aquelas que têm Ideb 5 ou 6 sejam reconhecidas pelo bom trabalho que elas fazem. Hoje quem tem Ideb 6 recebe o mesmo tanto de quem tem Ideb 1,5. Na minha opinião não é justo, uma pessoa que está ensinando muito melhor, que está se comprometendo mais, receber igual a outra que é menos capacitada para a função, e queremos treinar essas pessoas menos capacitadas, para que no futuro elas tenham uma remuneração adequada. E quero fazer uso de recursos tecnológicos. O governo, no Portal da Transparência, fala que está fornecendo equipamentos de tecnologia nas escolas públicas, e isso é muito relativo. Na semana passada visitei uma escola em Teófilo Otoni, lá tem 10 microcomputadores para 360 alunos, e você olha no Portal e consta que lá tem um laboratório de informática, mas esse número é totalmente insuficiente. Então quero priorizar esse tipo de coisa, a pessoa estar a par de uma tecnologia e mais uma vez, mudar como o processo é conduzido. Nós temos gente demais na Secretaria da Educação criando normas que não servem para nada, nós precisamos de gente ensinando bem, se só normas fossem bom para os estudantes, esse problema já teria sido resolvido há 30 anos.
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