Índice de infestação cai para 1% em Uberlândia
Terceiro levantamento do ano é 75% menor do que o obtido em abril.
Agentes de zoonoses percorreram toda a cidade, inclusive os distritos, durante quatro dias | Foto: Araípedez Luz/Secom/PMU
O índice de infestação do mosquito causador da dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela caiu para 1% em Uberlândia, segundo apontou o terceiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2018, realizado pelos agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em mais de 12 mil imóveis. O registro é 75% menor do que o obtido em abril deste ano (4,1%), comprovando que medidas preventivas e que o apoio da comunidade são essenciais para a obtenção de bons resultados no combate ao mosquito na cidade. O índice apontado nesse levantamento ainda deixa a cidade em situação de alerta.
Os agentes do CCZ visitaram todos os bairros de Uberlândia, inclusive os distritos, durante quatro dias. Para o coordenador do programa, José Humberto Arruda, o número é considerado positivo e dentro dos padrões de controle definidos pelo Ministério da Saúde. Contudo, reforça que a sociedade precisa continuar em alerta e ajudando a combater o Aedes mesmo nos períodos de estiagem.
“O número foi extremamente positivo e reflete o trabalho que fizemos até agora. Intensificamos os bloqueios, as visitas e também ampliamos o direcionamento das ações com a instalação das ovitrampas. Temos que continuar com a vigilância, sempre contado com a ajuda da população, já que mais uma vez os criadouros estavam dentro das casas”, destacou.
De acordo com o levantamento, foram encontrados focos nos ralos em 21,1% dos domicílios visitados, além de caixas de passagem (9,9%), plantas na água (8,1%), pratos que sustentam as plantas (7,4%) e em vasos de plantas (6,8%). Segundo o coordenador, os cinco criadouros encontrados nesta época na pesquisa são alimentados por água de torneira pelo próprio morador.
“Cerca de 81% dos criadouros estavam nas casas. Então, nossa preocupação aumenta, porque percebemos que esses locais estavam com a presença dos ovos do mosquito mesmo com a ausência de chuva. Isso significa que se os depósitos não forem removidos ou drenados, servirão como criadouros para a proliferação do Aedes quando o período chuvoso recomeçar”, complementou. No LIRAa de agosto, não foram encontrados focos em terrenos baldios.
Arruda explicou ainda que os números não se restringem apenas a registros. Os dados são fundamentais para nortear ações e intensificar medidas já aplicadas pela equipe do CCZ. “O planejamento com base nos indicadores serve para que realizemos mutirões ou outros tipos de trabalho junto à comunidade, como reuniões nas associações de moradores e atividades nas escolas, bem como o fortalecimento da parceira com os agentes comunitários de saúde da atenção primária”, apontou.
AÇÕES A queda no LIRAa é fruto das ações desenvolvidas pelo CCZ em parceria com outras secretarias, entidades e população.
Além do trabalho diário de visita domiciliar, as ações de bloqueio (em bairros que tiveram casos suspeitos das doenças transmitidas pelo Aedes), as coletas de pneus em borracharias e a implantação do projeto das ovitrampas, também contribuíram na diminuição dos casos/índices. Sem contar os trabalhos intensificados em imóveis fechados para aluguel ou venda (com parceria de imobiliárias) e o acompanhamento/inserção do peixe lebiste nos locais que não podem ser tratados com larvicidas (como piscinas, fontes, tanques de decantação e outros).
Contribuíram também os mutirões de limpeza realizados por toda a cidade. Foram mais de 30 bairros percorridos, resultando no recolhimento de 14,5 mil toneladas de resíduos, além de 1,6 mil bueiros e bocas de lobo limpos e 1,2 mil pneus recolhidos em imóveis em combate ao Aedes aegyti.
| LIRAa – agosto 2018 |
| Imóveis visitados: 12.387 | Índice: 1% |
Depósitos predominantes (5 maiores) Ralo: 21,1% Caixa de passagem: 9,9% Planta na água: 8,1% Prato de planta: 7,4% Vaso de planta: 6,8% | Infestação por imóveis Residência: 81% Outros: 10% Comércio: 9% Terreno Baldio: 0% |
| Algumas das ações do CCZ - 1º semestre |
Imóveis tratados p/ controle de Aedes: 388.459 Imóveis visitados (solicitação via telefone): 2.938 Bloqueio: 29.687 Imóveis visitados p/ controle biológico (lebiste): 734 Imóveis abandonados: 846 Visita a pontos estratégicos: 5.509 | Recolhimento de pneus (borracharias): 15.754 Recolhimento de pneus (domiciliar):1.798 Imóveis visitados (imobiliárias): 2.254 Escolas visitadas: 289 Monitoramento ovitrampas: 6.819 |