21/08/2018 às 07h50min - Atualizada em 21/08/2018 às 07h50min

Vacinação está em 45% da meta

Em Uberlândia, 15 mil crianças foram imunizadas contra a polio e sarampo; meta é chegar a 33,3 mil

CAROLINA PORTILHO | REPÓRTER
No Dia D, 7 mil crianças foram vacinadas na cidade | Foto: Cleiton Borges/Secom/PMU
É baixa a procura pela vacinação contra poliomielite e sarampo, cuja campanha começou no dia 6 e segue até 31 de agosto em Uberlândia. Até o último sábado (18), quando ocorreu o Dia D de vacinação, foram imunizadas 15 mil crianças, 45% da meta de 33.303 pessoas com idade entre 1 e 5 anos.

Só no Dia D foram aplicadas 7 mil doses, número considerado positivo para a coordenadora do Programa Municipal de Imunização, Claubia Oliveira. Segundo ela, a expectativa era que o percentual estivesse em 60%. “Não temos mais o Dia D pela frente, que é um chamativo para o processo de vacinação. Então, até dia 31 precisamos que quase 19 mil crianças recebam as doses de sarampo e pólio. É uma corrida contra o tempo, mas estamos com diversas ações para reforçar a importância dos pais levarem seus filhos até uma unidade de saúde”, disse.

Uma dessas ações da Secretaria Municipal de Saúde é a ampliação do horário de atendimento das 70 salas disponíveis de vacinação da cidade: das 7h30 às 16h30 nas Unidades Básicas da Saúde (UBSs) e Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs); e das 8h às 20h nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) dos bairros Luizote, Tibery, Pampulha, Roosevelt, Planalto e Martins.

“Mesmo que o cartão da criança esteja em dia é preciso tomar a dose extra para garantir a imunização do filho e da comunidade. Todas as crianças estão convocadas para tomar esse reforço e evitar qualquer tipo de surto no país. Responsabilidade dos pais de cumprir esse processo.”

LEGISLAÇÃO

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que "é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias", bem como as vacinações da primeira infância. O texto aponta ainda que é dever da família cumprir esse papel, cabendo penalidades para quem descumprir a lei.

“O responsável é advertido e tem 15 dias para levar o filho a uma unidade de saúde para cumprir com o processo de imunização. Se mesmo assim não ocorrer [a vacinação] aplica-se uma multa cujo valor fica a critério do juiz da infância. [O responsável] Ainda pode perder a guarda da criança até que a situação se resolva. Nenhuma crença pode impedir a vacinação. É uma situação de proteção daquela criança e das demais que estão ao nosso redor”, destacou o promotor de Justiça da Infância e da Juventude de Uberlândia, Epaminondas da Costa.

RECOMENDAÇÕES

O promotor Lúcio Flávio de Faria, da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, disse à reportagem do Diário de Uberlândia que, em uma reunião com pediatras da cidade, os profissionais disseram que os pais estão deixando de cumprir com a sua obrigação em relação à imunização dos filhos. Segundo ele, uma recomendação será feita aos hospitais para que seja cumprida a legislação.

“Recusar a vacinar os filhos é considerado um ato de negligência. Se o médico encontrar alguma resistência no momento de vacinar a criança, é preciso acionar a polícia e fazer um boletim de ocorrência. São ações preventivas que evitam problemas futuros. Não tem motivo para o pai não querer esse bem para o filho”, disse Lúcio Flávio.

O pediatra Marcelo Sinicio faz um alerta para os casos de sarampo que vêm surgindo no país. Mesmo o número sendo baixo, ele reforça que essa situação é reflexo das quedas nas coberturas de vacinação. “De 5% em 5% vamos abrindo precedentes. Como as pessoas têm acesso às várias partes do mundo, o vírus e a bactéria usam o ser humano como meio de transporte fazendo com que a doença volte a circular. Por isso, a medicina preventiva é tão importante. A prevenção ainda é o melhor remédio”, afirmou.

Sobre a poliomielite, o médico reforçou que a doença está praticamente erradicada no Brasil, mas nem por isso o reforço tem que ser deixado de lado. “O acesso é gratuito às vacinas nos postos de saúde. Temos parcela de culpa quando não se cumpre com as obrigações, como é o caso da aplicação das doses nas crianças. Você previne não só problemas dentro de casa, mas aos que estão ao seu redor. O brasileiro ainda não tem a cultura da medicina preventiva, que é super importante. É um benefício para todos e tem bem maior do que cuidar das nossas crianças”, disse Marcelo.
 
BRASIL
Imunização também é baixa no restante do Brasil

 
Cerca de 4,5 milhões de crianças já foram vacinadas desde o início deste mês contra sarampo e poliomielite, aponta novo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. O total equivale a apenas 40% do público-alvo da campanha nacional de vacinação contra as duas doenças. O balanço engloba dados enviados pelos municípios até as 15h30 de sábado, quando ocorreu o chamado Dia D de mobilização contra a doença.

Neste ano, a campanha de vacinação é indiscriminada, ou seja, mesmo crianças que já foram vacinadas no passado devem receber novas doses. O objetivo de reforçar a imunização e criar uma barreira de proteção contra o sarampo, doença que vem registrando avanço no país.

Desde fevereiro, já foram confirmados 1.237 casos. Outros 5.731 ainda estão em investigação. A maioria ocorreu em Roraima e Amazonas, estados que registram surtos da doença. Também foram registradas ao menos seis mortes.

ESQUEMA

Crianças que nunca tomaram nenhuma dose de vacina contra a pólio, por exemplo, devem receber uma dose da VIP (vacina injetável). Já aquelas que já tiverem tomado uma ou mais doses recebem a VOP (vacina oral), conhecida como gotinha. A ideia é reforçar a imunização contra a doença.

Contra o sarampo, a campanha prevê que todas as crianças recebam uma dose da vacina tríplice viral. A exceção são aquelas que já foram vacinadas nos últimos 30 dias.

Segundo as secretarias de saúde, a vacina é contraindicada apenas para crianças imunodeprimidas, como aquelas submetidas a tratamento de leucemia e pacientes de câncer.

Já crianças alérgicas a proteína lactoalbumina, presente no leite de vaca, devem informar o quadro às equipes de saúde. Neste caso, elas recebem outra vacina contra sarampo, produzida pelo instituto BioManguinhos.
 
 
 
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