26/07/2018 às 08h21min - Atualizada em 26/07/2018 às 08h21min

Terceira idade não significa aposentadoria

Mulheres que chegaram nos 60 não pensam em parar tão cedo

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
Zeneide Vieira e Ana Maria vendem artesanato em quiosque no Centro da cidade | Foto: Mariely Dalmônica
Ser avô e avó significa ficar em casa aproveitando a tão sonhada aposentadoria, certo? Nem tanto. Na data em que se comemora o Dia dos Avós – 26 de julho -, o Diário constatou que muitos idosos, que já criaram os filhos e agora estão vendo os netos crescerem, continuam na ativa. Muitas vezes, empreendendo e trabalhando com o que realmente gostam. Zeneide Vieira e Ana Maria Paulina trabalham com artesanato e vendem os produtos em um quiosque no Centro de Uberlândia.

O Núcleo Arte das Mãos faz parte da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub) e há um ano mantém uma loja no Pratic Shopping. “Somos 12 artesãs no total, nos revezamos e trabalhamos de segunda a sábado. Nós nos reunimos e mandamos fazer o quiosque”, disse Zeneide.
Zeneide tem dois filhos e cinco netos, dois criados por ela, e hoje, com 66 anos, não pensa em parar de trabalhar tão cedo. “Fui cabeleireira por 30 anos, mas tive problemas de saúde e tive que fechar o meu salão. Eu já fazia bijuterias e bordados sempre que estava em casa, pois não gosto de ficar parada, então, passei a trabalhar só com artesanato”, disse.

No início, Zeneide trabalhava apenas com bordados, mas pensando em expandir o negócio e lucrar mais, passou a criar imagens sacras. “O povo gosta demais de santo. Todo mundo tem que se descobrir, eu me descobri fazendo isso.”
Para a idosa, a imagem de avós mudou muito ao longo dos anos. “Aquela ideia da vovó ficar em casa fazendo crochê e tricô é boa, mas isso se for pra vender. Eu sempre tive esse espírito empreendedor. No núcleo, a gente se ajuda muito, porque quando um grupo tem um propósito só, você cresce junto, amplia a visão de negócio e vai melhorando”, afirmou Zeneide.

A carioca Ana Maria Paulina, de 69 anos, se mudou para Uberlândia há 26 anos e há mais de 30 trabalha criando produtos através de material reciclado e EVA [espuma vinílica acetinada]. “Sou a vovó das vovós do núcleo, vou fazer 70 anos. Trabalhei por 12 anos em um call center, e quando me aposentei continuei com o artesanato”, disse Ana Maria, que tem apenas um filho e dois netos.
A artesã entrou para o grupo a convite de Zeneide e passa todas as quartas-feiras na loja vendendo os produtos. “Nós todas nos damos muito bem no núcleo, já tentamos colocar homem para trabalhar conosco, mas não deu certo, somos mais aceleradas. A gente faz tudo com carinho e com amor, então fica bem feito”, afirmou Ana Maria, que dá uma dica para quem deseja trabalhar com artesanato: é preciso ter uma renda inicial para investir no negócio.
 
Comércio
 
Quando se fala em avó, uma das coisas que mais chama a atenção são as guloseimas caseiras. Quem nunca se debruçou por um biscoito de polvilho, um pão de queijo quentinho ou um bolo de chocolate. Em Uberlândia, há pelo menos 15 estabelecimentos que comercializam produtos alimentícios, especialmente padarias e panificadoras, que levam as denominações “Vó”, “Vovó” ou “Vovô”.
 
Melissa Costa está longe de ser avó, mas se inspirou na bisavó Dolores para abrir uma loja de bolos no ano passado. Ela, o irmão e a mãe, que foi criada por Dolores, trabalham juntos fazendo a massa e a cobertura dos típicos bolos assados em formas redondas. Quando a família decidiu abrir o estabelecimento, o nome “Vovó Dolores” foi a primeira e única opção.
“Ela era amiga de todo mundo, tinha um coração enorme. Quando ela morreu eu tinha só sete anos, mas nunca me esqueci da comida dela. Meu irmão sempre lembrou muito do bolo que ela fazia, bem tradicional, de vovó mesmo. Então nós procuramos uma nutricionista, ela aumentou a receita, e daí surgiram as outras receitas que produzimos hoje”, disse Melissa, que é mãe da Maria Clara, que mesmo sonhando em ser médica, diz que será a futura dona do estabelecimento.
Cida Costa, mãe da Melissa, se orgulha dos bolos que levam o nome da avó. “Ela me criou desde os quatro anos, quando a minha mãe morreu, ela foi a minha mãe. Quando meus filhos pensaram nesse nome para a loja, a família toda ficou bem emocionada”, disse Cida, que trabalha fazendo as coberturas dos bolos
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