26/07/2018 às 08h08min - Atualizada em 26/07/2018 às 08h08min

Polícia Civil tem problemas de pessoal e estrutura

À frente da Delegacia Regional, Luciano Alves dos Santos fala ao Diário de Uberlândia sobre os desafios do cargo

CAROLINA PORTILHO | REPÓRTER
O novo delegado regional de Uberlândia, Luciano Alves dos Santos (Núbia Mota)
A Delegacia Regional de Uberlândia tem um novo delegado, que assumiu o cargo no último dia 15 de maio. Luciano Alves dos Santos, 39 anos, é de Tupaciguara e está na Polícia Civil há dez anos, sendo os últimos cinco dedicados em Araguari até receber o convite para atuar na maior cidade do Triângulo Mineiro. Em entrevista ao Diário de Uberlândia, ele disse que aceitou o pedido com as melhores das expectativas, mesmo diante de desafios relacionados ao efetivo e estrutura.

“Já tínhamos um efetivo pequeno, que sofreu uma redução ainda maior por conta dos afastados por motivos de saúde, os que aposentaram, que se licenciaram, que foram aprovados em outros concursos e de presos em operações desencadeadas na cidade e região, por exemplo. Precisamos de uma recomposição urgente dos nossos quadros”, destacou.

Diário: Qual a expectativa em relação a concurso público?

Luciano Alves: Em andamento temos o de investigador e em fase inicial de delegado. Não tem concurso em curso das carreiras de escrivão, legista e perito. Nossa maior carência hoje é de delegado e escrivão.

Quais são as carreiras hoje da Polícia Civil?

São cinco: investigador, escrivão, delegado, perito e legista. O ingresso no serviço público nessas carreiras se dá somente por concurso público.

Qual o efetivo necessário para cada uma das carreiras?

Para delegado e escrivão precisaríamos triplicar esse efetivo e assim termos um atendimento excepcional, de qualidade, para a população. Já de investigador, no mínimo é necessário dobrar. A mesma situação se reflete quanto aos médicos legistas e peritos, em que são necessários um acréscimo em torno de 50%.

Qual a situação do Instituto Médico Legal?

É crítica. Também é preciso dobrar o efetivo, mas nesse caso específico existe vaga, o que não ocorre na perícia em que todos os cargos estão preenchidos. Temos um volume grande de laudos periciais, o que justifica um aumento de 50% a 100% de efetivo nessas carreiras para ganhar agilidade na disponibilização desses laudos.

Sobre os ataques aos ônibus, como andam as investigações?

Toda a inteligência da Polícia Civil Mineira está trabalhando nesses casos porque os ataques não foram só em Uberlândia. De cada ataque temos um inquérito instaurado, em cada inquérito estamos apurando a autoria, se aquela pessoa foi até o ônibus e ateou o fogo ou se agiu por vontade própria ou através de comando. Estamos conversando com setores de inteligência das instituições envolvidas para levantar essas informações e concluir os inquéritos. Temos que isolar as condutas de tempo e espaço, pois cada ônibus é uma situação, assim como o dia do registro da ocorrência. Temos que tratar cada um individualmente. Nem todas as investigações ainda não foram concluídas por conta desse leque investigativo. Existe uma linha de investigação que aponta que os ataques foram vindos de dentro do presídio e tem ataques isolados.

Quais são as outras atividades da entidade?

A Polícia Civil de Minas Gerais é responsável pelo instituto de identificação. Somos nós que confeccionamos as carteiras de identidade e mantemos todo o arquivo civil e criminal do cidadão. Também somos responsáveis pelo processo para obter a carteira de habilitação. Aplicamos os exames, fiscalizamos as clínicas médicas que fazem o processo de renovação de carteira e também os centros de formação, que são as autoescolas. Outra atividade é o setor de registro de veículos, onde ocorrem os licenciamentos, transferência de veículos, banco de dados de multas, recursos de infrações de veículos e de condutores e processo de infração de trânsito, por exemplo. Não atuamos apenas com investigação criminal. Reforço ainda que temos um cargo de administrativo que foi criado para essas carreiras, sem prerrogativa de policial. Não anda armado e atua focado nas atividades administrativas da Polícia Civil.

Qual a relação da PC com as demais polícias?
Nos últimos seis meses, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), que reúne as Polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil, Militar e Sistema Prisional, apreendeu só em Uberlândia dez toneladas de drogas. Todos que estão lotados na Delegacia Regional trabalham para coibir o tráfico e essas apreensões de maior peso mostra essa parceria entre nós, entre todas essas entidades.

Como estão as estruturas dos prédios da Polícia Civil?

O antigo prédio, situado no bairro Umuarama, nasceu como uma cadeia publica. O setor de Engenharia está analisando a viabilidade de reformar o local ou de destruir. Nosso entendimento é que não dá para reformar, ali não tem condição de ser uma delegacia. O prédio é antigo, as instalações não oferecem segurança, tem a questão da acessibilidade e não oferece conforto ao servidor e à população. A ideia seria abandonar o imóvel. Já o prédio novo, na avenida Getúlio Vargas, 2323, atualmente atende essa demanda, mas entendemos que pelo crescimento da cidade logo vamos precisar de uma nova estrutura, com aquele porte ou maior.

É um problema a distância entre a Delegacia Regional e a de Plantão?

Precisamos ter uma segunda Delegacia de Plantão. Há uma dificuldade muito grande em atender todas as demandas da sociedade em um único local. Acredito que nosso principal problema hoje é a Delegacia de Plantão. Fazemos, em média, cinco Autos de Prisão em Flagrante Delito (APFD) a cada turno de 12 horas. Lavramos, em média, 300 Autos de Prisão em Flagrante (APFs) por mês, além de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), Boletim de Ocorrência circunstanciado, diligências de cumprimento de mandado de prisão e de busca e apreensão, diligências preliminares que são aqueles expedientes que não há presos, mas material apreendido. O volume de serviço é grande. Temos picos de dez, 11, 12 flagrantes a cada turno de 12 horas. Por isso, trabalhamos com agendamento. Conseguimos fazer flagrantes de seis a oito a cada 12 horas, os próximos estão sendo agendados para os plantões seguintes.
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