24/07/2018 às 07h52min - Atualizada em 24/07/2018 às 07h52min

Corredor agrada e passa por ajustes

Reportagem do Diário percorreu todo o trecho e ouviu usuários, que reclamaram mas também elogiaram estrutura e atendimento

VINICIUS LEMOS | REPÓRTER
Vinicius Lemos
Na primeira segunda-feira de funcionamento do corredor da avenida Segismundo Pereira e do terminal do bairro Novo Mundo, a eficiência de ambos dividiu a opinião dos usuários. A reportagem do Diário de Uberlândia rodou por duas horas e conversou com várias pessoas sobre a novidade do transporte coletivo que entrou em funcionamento no sábado (21). A Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran) informou que ainda observa o funcionamento e fará reuniões para acertar o que for possível para melhorias no funcionamento dos equipamentos.

Problemas como lotação, número de paradas entre as estações e de semáforos na avenida Segismundo, e ainda a sincronia entre linhas que chegam ao terminal e outras que deixam o local foram os mais perceptíveis e mais apontados entre os passageiros. Ao mesmo tempo, o atendimento na busca por informações sobre as novas linhas e sobre as mudanças causadas pelo corredor, bem como o conforto no terminal e nas estações foram os elogios mais citados. O tempo das viagens foi o ponto controverso, sendo que parte da população disse estar mais satisfeita enquanto houve quem reclamasse de demora no deslocamento, principalmente, entre os terminais Novo Mundo e Central.
 
O embarque
 
Às 6h30 desta segunda (23), a reportagem embarcou em um dos ônibus na estação Sebastião Rangel em direção ao Terminal do Novo Mundo. O veículo tinha lugares vazios e durante a viagem curta houve vários comentários entre os passageiros sobre como teriam que adaptar seus horários às mudanças de linhas, itinerários e o fato de terem pelo menos uma troca de carro ao passarem pelo terminal Novo Mundo.

No terminal, muitos usuários tentaram pegar a linha A601, sentido bairro Morumbi, mas o veículo acabou deixando a plataforma antes que o carro em que estavam fizesse a parada no terminal, incluindo a reportagem do Diário. Em menos de 10 minutos, contudo, outro ônibus, da linha A603, estacionou na plataforma.
 
A viagem
A reportagem fez a volta completa pela linha A603 entre o terminal e o ponto final, na rua Esplendor, no bairro Morumbi, onde o carro passou às 7h13 e marcou o início de uma nova volta. Chamou a atenção inicialmente o fato do carro não ter um cobrador, o que gerou alguns problemas para o motorista.

Em duas ocasiões idosos tiveram que esperar que novos passageiros embarcassem pela porta da frente para, em seguida, a porta traseira ser aberta. O risco de que alguém sem o direito à gratuidade subisse a bordo sem pagar era grande, já que o condutor não consegue visualizar todo o veículo. Em um dos casos, os passageiros tiveram que avisar sobre a presença de uma idosa enquanto o motorista recebia os valores das passagens de usuários que não tinham o cartão de cobrança automática.

Já no terceiro ponto do trecho bairro-terminal, na rua Araticum, os assentos se esgotaram e houve os primeiros passageiros viajando em pé. O carro atingiu a lotação na rua Guaiaca e, dessa forma, desde a avenida Santos Reis até no Novo Mundo nenhum passageiro foi embarcado. A lotação foi atestada por uma passageira, a qual informou ser um problema anterior à implantação das mudanças no transporte público da região. Passava das 7h25 quando o ônibus estava de volta ao terminal da zona leste da cidade.
 
Entre terminais
Assim que o carro da linha A603 parou no Novo Mundo, outros dois da linha T610 também estacionaram numa das plataformas do terminal. Ambos tinham como destino o terminal Central, sendo um parador e outro expresso. O Diário embarcou na primeira opção com o objetivo de descobrir o tempo da viagem mais lenta. O carro viajou com assentos vazios o tempo todo, uma vez que a maioria da população optou pelo carro expresso.

O trecho mais lento da viagem entre os terminais foi a avenida Segismundo Pereira, na altura do bairro Santa Mônica, com cerca de 4,5 km de extensão. A maior parte das 11 estações do corredor está nessa região. Isso, somadas às paradas em semáforos, fez com que o trecho fosse percorrido pelo ônibus em 13 minutos do total de 25 minutos de trajeto.

O restante das duas horas de percurso pelo novo corredor, a reportagem usou em entrevistas e no retorno até a estação Sebastião Rangel.


Veículo atingiu a lotação ainda no meio do trajeto, o que segundo usuários, já ocorria antes da novidade (Vinicius Lemos)
 
PERCEPÇÃO
Demora na viagem e transição de linhas
 
Para os trabalhadores autônomos Cláudio de Jesus e Ronielson dos Santos Silva, as viagens se mostraram mais demoradas e dificultadas pela obrigatoriedade de desembarque no terminal Novo Mundo. “Perdi uma diária de R$ 100, porque tinha que chegar 5h20 (no trabalho próximo ao Parque do Sabiá) e com as mudanças cheguei 20 minutos atrasado”, afirmou Cláudio de Jesus. “Pra gente que trabalha é ruim, porque para ir ao terminal Central eu pego dois ônibus, até o meu local de serviço eu pego três ônibus. O que seria para facilitar prejudicou muita gente, que é ficar 10 ou 15 minutos parado aqui no terminal (Novo Mundo)”, disse Ronielson dos Santos.

Por outro lado, o aposentado Hélio Martins e o vendedor José Goiano viram vantagens nos novos equipamentos. “É mais simples, porque não tem mais a cobrança dentro do ônibus depois que a gente entra nas estações, você sobe e vai. (Ao contrário do que disseram outros passageiros), eu achei a viagem (para o Terminal Central) mais rápida”, afirmou Martins. “Pro usuário ficou muito bom. No tempo das águas (chuvas) isso vai ser uma beleza. O tempo de viagem é normal. É verdade que o semáforo atrapalha. Se puder melhorar um pouco o tempo deles vai ficar perfeito”, ponderou José Goiano.

Motoristas de ônibus ouvidos pelo Diário mostraram impaciência em terem que parar em estações e semáforos muito próximos entre si, o que daria a sensação de viagem truncada. Ao mesmo tempo, os semáforos se mostraram mais sincronizados, ainda que os veículos de transporte coletivo não consigam aproveitar a chamada onda de sinais verdes, por conta das paradas para embarque e desembarque.
 
ANÁLISE
Settran vê primeira semana como de ajustes
 
O secretário de Trânsito e Transportes, Divonei Gonçalves, afirmou que vai usar a primeira semana para ouvir críticas e ajustar as atividades no corredor da avenida Segismundo Pereira e no terminal Novo Mundo no que for possível. “É o momento de ajustar horários e nos dá oportunidade de ajuste fino da atividade. Por exemplo, a lotação foi percebida junto com questão de horários entre linhas alimentadoras com as linhas de troncais. É uma região que a oferta muito provavelmente vai ter que ser melhorada. Essa semana vai servir para olhar essas coisas”, disse.

Ele explicou que a questão da transição entre carros no terminal melhora a demanda dentro do bairro, por exemplo, oferecendo mais de 200 viagens a mais. Segundo o secretário, ainda é preciso acertar melhor a chegada e a saída entre as linhas para que, assim, não se tenha espera dentro do próprio terminal.
Sobre a semaforização, ele voltou a dizer que há mais sincronia entre fechamento e abertura no sentido do tráfego, contudo isso é feito para que os carros particulares circulem melhor, uma vez que os ônibus têm uma pista exclusiva. “No futuro, talvez possamos procurar uma tecnologia para dar preferência para os ônibus, especificamente no corredor. Mas isso agora não é possível”, afirmou.
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