22/07/2018 às 09h14min - Atualizada em 22/07/2018 às 09h14min

Supermercados crescem 2,3% em MG

Busca da população por itens durante a greve dos caminhoneiros elevou as vendas

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Ao contrário do que se poderia imaginar depois de haver prateleiras vazias em muitos supermercados durante a greve dos caminhoneiros no País, o setor supermercadista em Minas Gerais percebeu aumento de 2,32% nas vendas em maio no comparativo com o mês anterior. Especificamente na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a variação foi ainda melhor e chegou a 2,87%. Tais resultados dão base para que a projeção de crescimento médio na ordem 2,8% para o ano de 2018 entre as mais de 7 mil lojas no Estado. A boa expectativa é vista pela Associação Mineira de Supermercados (Amis) como sedimentação da retomada do segmento nos últimos quatro anos, desde que em 2014 as vendas se mostravam estagnadas.

O resultado no comparativo entre os últimos dois meses pesquisados chamou a atenção da Amis, pois era de se esperar um possível resultado negativo, devido ao desabastecimento de uma série de lojas com a paralisação da principal via logística em todo o Brasil. “Foi um efeito ao contrário do que se poderia imaginar”, disse o superintendente da Amis, Antônio Claret Nametala. Em levantamento junto aos lojistas, a principal razão apontada para justificar a melhora comercial em maio foi a corrida da população aos supermercados, com medo da falta de produtos de primeira necessidade por causa da greve dos caminhoneiros. O bom desempenho ainda ajudou na recuperação em relação a abril, período que havia registrado queda de 6,72% no setor.

O comportamento do consumidor não foi diferente em Uberlândia, e não foi à toa que a região do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba teve o segundo melhor resultado no período do mês de maio. Apenas a região central, com variação positiva de 2,97% nas vendas, se mostrou melhor.  “Tivemos essa greve pegou todo mundo de surpresa e nos primeiros dias houve um desabastecimento e cliente percebendo que poderia faltar, tivemos um crescimento de vendas e consumidor passou a estocar”, afirmou o vice-presidente regional da Amis, Milson Borges.

Nos primeiros cinco meses de 2018, pesquisa da própria Amis mostrou um crescimento acumulado de 2,63% nas vendas entre os supermercados mineiros no comparativo com igual período de 2017. Somente no levantamento entre maio de 2018 com maio do ano passado, o aumento do comércio foi ainda mais expressivo e chegou a 5,44%.

Junho

Os reflexos da corrida aos supermercados como consequência das estradas bloqueadas por caminhoneiros ainda não foram totalmente medidos e o setor supermercadista espera o fechamento do chamado termômetro de vendas relativo a junho. A falta de produtos nos estoques de mercados entre o fim de maio e início do último mês pode ter levado a uma redução de vendas. “Para junho esperamos uma curva invertida (de vendas), exatamente porque o consumidor fez estoque em maio. Não estamos comemorando o resultado de maio, a menos que haja uma surpresa ao fim do levantamento de junho”, disse Claret.

Segundo a Amis, a greve entre 21 e 30 de maio afetou de forma bastante heterogênea as empresas e as regiões do Estado. O Sul e a Zona da Mata foram as que apresentaram desempenhos mais fracos. Isso confirma o que a associação esperava ainda durante o movimento: regiões cortadas pelas rodovias de maior movimento e, devido a isso, com mais bloqueios, estavam tendo mais dificuldades de abastecimento. Especificamente no entorno Uberlândia os bloqueios foram por menos tempo em relação a demais regiões do País.

Expansão
Ano deve terminar com mais 12 lojas e 7 mil empregos


Até o fim deste ano, o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba terminará com a abertura de 12 novas lojas, principalmente de redes que já atuam nas duas regiões. Isso representa 20% do número total novos pontos de venda do setor em todo o estado, cuja projeção é de 60 lojas abertas em 2018. A expectativa é de gerar até 7 mil empregos, sendo até 1,5 deles no Triângulo e Alto Paranaíba. “Temos vencido a crise, em 2014 chegamos a ter um crescimento de 0,5%, o que significa estagnação. Depois disso o setor mostrou melhoras e resultados sempre acima de 1% nas vendas ano a ano”, afirmou Antônio Claret.

Somado a isso, há previsão de 80 lojas renovadas neste em Minas Gerais. O objetivo é a atração de clientes, os quais, segundo a Amis, mudaram o perfil de compras durante a crise. Se antes marcas líderes se mantinham assim, independentemente dos preços, produtos mais baratos e similares às líderes se tornaram mais atrativos aos clientes.

Faturamento

O faturamento bruto previsto no Estado pelo setor chega a R$ 35,73 bilhões, o que seria igual ao um crescimento na ordem de 2,8% no comparativo ao que os supermercados faturaram em 2017. O montante arrecadado no último ano foi de R$ 34,75 bilhões.

Movimentação dentro de um contexto em que os investimentos projetados até dezembro não passariam de R$ 440 milhões. O que poderia ajudar no faturamento líquido ainda melhor que em 2017, quando os investimentos foram superiores e chegaram a R$ 492,5 milhões.

Tipos de lojas

Antes mesmo da crise, o perfil dos supermercados na cidade de Uberlândia também foi mudado e se estabeleceu nos últimos anos. Na cidade, duas tendências ganharam força: os atacarejos a as lojas de bairro.

No primeiro caso, o foco é preço, nos mercados que misturam as vendas de varejo e as de atacado. Nos atacarejos, compras maiores recebem descontos, dessa forma os clientes variam, de maneira geral, entre famílias e outros donos de revendas menores. Enquanto as lojas de bairro apostas na proximidade com o cliente e facilidade de terem instalações menores. Ao mesmo tempo, segundo Milson Borges, hipermercados se mantêm e continuam tendo retorno na cidade. “As redes regionais também crescem e enxergam oportunidades e se modernizam acreditando no potencial da região”, afirmou.

Qualificação
Mão de obra ainda é problema


Problema histórico dentro dos supermercados, a mão-de-obra tem grande rotatividade e nem sempre é qualificada o bastante para determinadas áreas. Em sua rede de lojas, Milson Borges explicou que o déficit de mão de obra chega a 5% em determinados momentos. A falta de qualificação para áreas que exigem maior conhecimento de profissão, como nos setores de açougue e padaria são os maiores exemplo disso.  “Na nossa área há muita contratação de primeiro emprego e isso leva à rotatividade. Por isso, às vezes é mais vantajoso de desenvolver e treinar do que buscar no mercado”, afirmou. Segundo o empresário a dificuldade de manter o profissional leva ao treinamento e formação de mão-de-obra própria. Outra solução é buscar fornecedores no mercado, a exemplo do crescimento de panificados congelados, o que evitaria produção própria.
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