16/07/2018 às 08h27min - Atualizada em 16/07/2018 às 08h27min

Telefonia fixa cresce em Uberlândia

Cidade conta com 58 mil linhas instaladas, quatro mil a mais que o mesmo período do ano passado

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
A cabeleireira Fabiana Moura usa a linha fixa no seu trabalho (Mariely Dalmônica)
Mesmo com aparelhos celulares para todos os gostos, os moradores de Uberlândia não abandonaram os telefones fixos. Pelo contrário, o número de telefones instalados aumentou em 6,9% em relação ao ano passado, provando que algumas pessoas e estabelecimentos ainda não abriram mão da telefonia fixa.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de telefones no Brasil está em cerca de 17 milhões. Em Uberlândia, o número gira em torno de 58 mil linhas instaladas, quatro mil a mais do que foi registrado na mesma época no ano passado. Esse crescimento também aconteceu em outras cidades da região, inclusive na capital do estado, Belo Horizonte, que aumentou mais de oito mil linhas só entre janeiro e abril deste ano.

A cabeleireira Fabiana Moura utiliza o celular para fazer o agendamento de muitas clientes, mas algumas ainda preferem usar o bom e velho telefone para entrar em contato com ela. “Tenho o mesmo número de telefone há mais de 20 anos, desde que começou a ter no meu bairro, e todas as minhas clientes conhecem. Mas hoje, só a minoria delas me procura por ele”, disse.

Fabiana divide o telefone com a mãe, que não é muito fã de celular, e não pensa em deixar o aparelho fixo de lado tão cedo. “Além de alguns clientes, recebemos ligações do meu irmão que mora fora e de outros familiares só pelo telefone fixo. Minha mãe nem pretende usar celular, já eu, acho necessário para entrar em contato com as minhas clientes, é bem mais prático. Só não uso celular toda hora, porque tudo em excesso é demais.”

Márcio de Jesus, diretor de varejo da Algar Telecom, afirmou que o uso do telefone é necessário para muitos prestadores de serviço. “O telefone fixo é um produto que vem perdendo o interesse em alguns segmentos, mas em outros são vitais. Ele é uma ferramenta de produtividade para muitas empresas e que continua demandando. Mesmo com outras tecnologias, não houve perda da relevância.”

Raquel Tanus, funcionária de uma farmácia, concorda que o uso do telefone fixo ainda é muito importante, principalmente para o funcionamento do estabelecimento em que trabalha. “Atualmente também temos WhatsApp, mas o telefone fixo é essencial. A maioria das vendas é feita pelo fixo, temos até um convênio com uma empresa. Os clientes mais velhos sempre nos ligam no telefone fixo, quem usa o celular é mais jovem, e na maioria das vezes é para tirar alguma dúvida sobre uma receita médica que não entenderam ou sobre medicamentos”, disse Raquel.

O diretor de varejo ressaltou que o nicho que vem mais abandonando o uso do fixo são os mais jovens. “Tem tido pouca utilização entre as famílias mais jovens, porque o celular disputa essa funcionalidade. E hoje não é mais necessário ter telefone para ter internet, o cliente pode contratar o serviço separadamente. Mas muitas empresas oferecem pacotes e em termos de custo é mais atrativo”, disse.

Leonardo Moreira, técnico em assuntos educacionais e professor de francês, segue o caminho contrário dessa geração. Ele tem 41 anos e ainda resiste ao uso do celular. “Hoje, ele [o celular] tornou-se quase uma imposição das relações sociais cotidianas. Sei que ele intensificou o uso de aplicativos relacionados a comunicação, mas também restringiu o direito à privacidade individual. Tendo em vista que a nossa vida passou a ser supervisionada, para não dizer monitorada, ou até mesmo controlada. Ou seja, o celular é o olho que a tudo vigia”, avaliou.

Moreira tentou usar celular há 10 anos, mas não se adaptou e sentia que estava à disposição das pessoas o todo tempo. “As pessoas pensam que é possível se comunicar apenas por celular, muito pelo contrário. Ao meu ver, as vantagens do telefone fixo são minha paz e meu sossego, e eu não me sinto controlado. Além disso, sempre querem me oferecer um celular como forma de presente, e eu sempre me pergunto: será que os presentes se resumem nisso?”
Em casos de emergência, Moreira recorre à um aparelho que pode chegar a ser desconhecido para algumas pessoas. “Mesmo que o celular permita uma comunicação rápida, eu ainda utilizo o orelhão sem problema algum quando há necessidade. E por sinal eu tenho observado cada vez mais a diminuição desses aparelhos aqui na nossa cidade”, disse.

O número de telefones públicos na cidade ainda é grande, segundo Márcio de Jesus. “Tínhamos 3.400 aparelhos na cidade, hoje temos 2.700. O uso caiu em quase 80% nos últimos quatro anos. Mesmo que o uso seja pouco, existe um compromisso em manter a telefonia pública funcionando, fazemos manutenção frequente”, afirmou. Atualmente, existem cerca de três mil pontos de venda de cartões telefônicos em Uberlândia.
 
TELEFONIA FIXA
Procon registra menos de uma reclamação por dia

 
Segundo registros do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Uberlândia, o número de reclamações de telefonia fixa é baixo na cidade. Foram feitas 179 reclamações de janeiro até junho deste ano, menos de uma por dia.

Chelara de Freitas, superintendente do Procon, disse que a parte de telefonia em geral tem mais reclamações que outros segmentos, mas a maioria é de clientes que usam celulares. “No período de janeiro até junho deste ano, a gente teve 655 registros, sendo 179 atendimentos de telefonia fixa e 476 de telefonia móvel. Temos mais reclamações sobre celulares porque os consumidores estão usando cada vez mais, a maioria é sobre reajustes de tarifas”, disse.

Durante o mesmo período do ano passado, foram registradas 529 reclamações, 129 de telefonia fixa e 400 de telefonia celular. Segundo a superintendente, quando o consumidor tiver algum problema com telefonia deve procurar o órgão com documentos e contrato em mãos, para que uma análise seja feita.
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