29/06/2018 às 07h52min - Atualizada em 29/06/2018 às 07h52min

Rodar com álcool está mais econômico

Preço do combustível chega a ser até 60% menor do que o da gasolina

NÚBIA MOTA com Agência Brasil
Preço do combustível baixou após o início da safra de cana-de-açúcar deste ano, segundo Minaspetro (Divulgação)
A conta já é bem conhecida entre os consumidores na hora de decidir qual combustível colocar no carro.  Segundo a regra, vale a pena abastecer com etanol se o preço estiver até 70% do valor da gasolina. E é o que se tem percebido nos postos de Uberlândia, onde a gasolina foi encontrada pelo Diário de Uberlândia entre R$ 4,459 e R$ 4,599, e o álcool, de R$ 2,759 a R$ 2,799, ou seja, na casa de 60% a menos do que o derivado do petróleo.
Segundo a Minaspetro, sindicato dos comerciantes de derivados de petróleo, o baixo preço do álcool se deve a um movimento natural do mercado por causa do início da safra de cana-de-açúcar, em curso desde as primeiras semanas de abril deste ano. Mas como os postos de combustível são os últimos a receberem o produto na extensa cadeia de comercialização, eventualmente, há mudanças nos preços para os consumidores finais, dependendo das refinarias, usinas, distribuidora, a região onde está localizado o comércio e até mesmo o número de bombas no local.
Por causa da lei, as usinas precisam vender primeiro para as distribuidoras, que comercializam o produto para os postos de combustíveis. Mas, o Projeto de Decreto Legislativo 61/2018, que, neste mês, passou pela maratona de comissões do Congresso Nacional para ir à votação em plenário, pode mudar essa história e beneficiar o consumidor. Caberá agora à Câmara dos Deputados decidir se a Resolução 43 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), publicada em 2009, deixa de incidir sobre o etanol. Com o novo texto, os produtores poderão vender diretamente aos postos, o que em teoria reduziria ainda mais o preço do litro do álcool na bomba. Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a medida elimina a margem de lucro da distribuidora e assim melhora a formação de preços ao consumidor.
Outro ponto apontado pela Feplana é que a venda direta do álcool aos postos ajudaria também a reduzir o preço da gasolina, já que esta também leva na mistura o etanol anidro. Além disso, a grande diferença entre os dois combustíveis faria o consumidor optar pelo álcool e diminuiria a demanda pelo derivado de petróleo, o que poderia até ajudar no ajuste da produção ou mesmo eliminar a importação de gasolina.
 
PREFERÊNCIAS
 
Cada consumidor tem uma maneira diferente na hora de optar por um dos dois combustíveis. Alguns fazem a média na estrada separada de dentro da cidade ou fazem a famosa conta para saber se o etanol é mais compensativo. 
Silas Maria de Souza é escriturária em uma concessionária de veículos e, por isso, tem conhecimento no assunto. Ela sempre alterna entre gasolina e álcool, entre os abastecimentos, porque, segundo ela, é uma forma do veículo flex reconhecer os dois combustíveis. Mas com o preço do etanol como está, quando foi abastecer, ela optou por este combustível para completar o tanque. “Na próxima vez que eu abastecer, vou por gasolina. Às vezes, eu ponho R$ 100 de etanol e acabo de abastecer com gasolina. Eu fiz uma média no meu carro e está compensando mais o etanol, porque está quase R$ 2 mais barato.”, afirmou.
Como o eletricista Davisson Batista Gomes viaja muito a trabalho, ele prefere a gasolina para estrada e quando vai rodar dentro da cidade, abastece com álcool. “Na estrada, com gasolina, o carro desenvolve mais. No álcool fica mais barato, mas o carro bebe bem mais”, afirmou.  Já a coordenadora administrativa Fabiana Costa Alves, como tem uma caminhonete que consome muito combustível, disse que prefere a gasolina na maioria das vezes porque ela já percebeu que vai menos ao posto. “Só quando eu vou pra rodovia, eu abasteço com álcool”, afirmou.  
 
RENDIMENTO
Mesmo mais caro, usar álcool pode ser preferível

 
Segundo o professor José Antônio Ferreira Borges, coordenador do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Dinâmica Veicular (LEPDV) da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFU, cada carro tem sua especificidade. Por isso, a tradicional conta que se faz para saber se o álcool está com até 70% do valor da gasolina é apenas uma média e não é válida para todos os modelos.
“O álcool é mais barato, gasta mais porque tem menos energia, mas proporciona uma eficiência e um rendimento melhor ao carro. Tem carros, que mesmo se o álcool estiver com 80% do preço da gasolina, ainda vale a pena abastecer. O que é indicado mesmo é fazer uma média com os dois combustíveis, para ver o que é melhor para cada caso”, afirmou.
Isso acontece porque, segundo o especialista, alguns veículos flex são mais favoráveis para o funcionamento com a gasolina e outros com o etanol. “Claro que se eu abastecer com gasolina, e ele for favorável ao álcool, vai funcionar normalmente, mas não com todo potencial de otimização. Hoje em dia, os carros novos favorecem mais o álcool”, disse o professor.
A mistura dos dois combustíveis no mesmo tanque não é indicada pelo professor, porque o motor pode ter dificuldade de reconhecimento e assim apresentar um consumo maior ou um desempenho ineficiente. Outra dica de José Antônio Ferreira é evitar abastecer com etanol no fim do dia ou quando o carro for ficar um grande período parado, caso esteja abastecido antes com gasolina. “No outro dia, quando ligar o carro, existe uma chance muito grande do carro não pegar, porque não teve tempo suficiente para se acostumar com a mudança. O ideal é colocar álcool quando for andar, logo de manhã, por exemplo”, afirmou.
Já a alternância entre etanol e gasolina em cada abastecimento é indicada porque é uma forma de limpar a “sujeira” deixada pelo outro combustível.  
 

COMO FAZER A CONTA
PREÇO DA GASOLINA X 0,70 = PREÇO DO ÁLCOOL

Se estiver igual ou menor do que o valor cobrado nos postos, compensa abastecer com o álcool. Recomendação de especialistas é conhecer o rendimento do carro, já que mesmo com o valor acima dos 70%, pode compensar abastecer com etanol.
 
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