25/06/2018 às 11h57min - Atualizada em 25/06/2018 às 11h57min

Animar torcida também é esporte

Conhecido por filmes e transmissões americanas, Cheerleading tem ganhado adeptos no Brasil

IGOR MARTINS | REPÓRTER
Uma das equipes de cheerleading da Universidade Federal de Uberlândia em treinamento (Reprodução Instagram)
Certamente você já ouviu falar no “Super Bowl” e compreende a regra básica do beisebol. Conhece Michael Jordan e Michael Phelps, dois dos principais nomes do basquete e natação norte-americanos, respectivamente. Além disso, sabe que Tom Brady é marido da modelo gaúcha Gisele Bündchen, e que o californiano está para o estadunidense assim como Pelé está para o brasileiro.

Não à toa, os Estados Unidos são sinônimo de sucesso quando se fala em esporte. Nas olimpíadas, por exemplo, o país é o que mais tem conquistas na história. Com cerca de 27 participações em jogos olímpicos, os norte-americanos conquistaram 1022 medalhas de ouro, 795 de prata e 705 de bronze, totalizando 2522 premiações. Uma média de 93,4 por edição.

Muito conhecido nos filmes hollywoodianos, o “cheerleading”, esporte que remete à animação de torcida é um esporte criado justamente nos Estados Unidos, ainda no século XIX. A atividade ficou conhecida no Brasil com a produção cinematográfica “As apimentadas”, de 2000. A prática é caracterizada por um conjunto de atletas que realizam saltos, danças e acrobacias, e assim como vários outros desportes, ainda engatinha em território brasileiro.

Mesmo pouco conhecido e divulgado no Brasil, o “cheer”, como é popularmente conhecido, foi reconhecido oficialmente como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) há dois anos, o que dá fôlego aos atletas que praticam este exercício. Além disso, muito se fala sobre a possibilidade de inserção do desporte nos jogos olímpicos dos próximos anos.

Com uma população de cerca de 650 mil habitantes, Uberlândia é uma cidade que tem várias universidades, justamente o local em que a animação de torcida é mais conhecida, divulgada e praticada. Por meio das atléticas universitárias, o cheerleading tem ganhado cada vez mais destaque por meio de competições entre diferentes cursos, elevando também o número de atletas, patrocinadores, e claro, fãs do esporte.

CHEERLEADERS EM UBERLÂNDIA

A estudante de enfermagem Andryele Miranda pratica o cheerleading há pouco mais de um ano. De acordo com a estudante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o esporte proporciona muitos benefícios à saúde, além de diminuir o estresse do dia-a-dia, melhorando também a sua vida pessoal. “O esporte nos dá mais flexibilidade e força. Mas ao mesmo tempo, demanda muito treino e muita técnica, também, afirmou.

Natural de Cascavel, no Paraná, a cheerleader pensa que a animação de torcida é um esporte que leva consigo muitos estereótipos. Para a estudante de 19 anos, os filmes norte-americanos, como a obra “As apimentadas”, mostram muitas competições pessoais dentro e fora do time, o que para ela, nem sempre é assim. “Aqui [na UFU], mesmo que tenham competições, os atletas se unem para treinar, sejam eles do mesmo time ou não”, contou a parananese, aproveitando para dizer que as produções cinematográficas são muito diferentes do que se passa na realidade dos treinamentos.

A paranaense ainda falou sobre os desafios da prática do esporte em Uberlândia. A futura enfermeira afirmou que a conciliação do cheerleading com os estudos é, muitas vezes, complicada. “Como o meu curso é integral, grande parte dos atletas tem aula das 7h às 19h, e acabam não tendo tempo para treinar”, disse Andryele, que ainda contou que as práticas e ensaios com os colegas acontecem duas vezes por semana.

Por outro lado, a cascavelense acredita que o esforço vale a pena. “Este esporte melhorou muito a minha vida. Eu me apeguei ao cheerleading, ele me incentiva a ser melhor como pessoa e como atleta, já que eu faço parte de uma equipe”, finalizou, aproveitando para dizer que seu time, o “Manada Cheers”, está se preparando para futuras competições.

Cheerleader desde 2016, quando ingressou à faculdade de biomedicina, Paulo Costa, além de ser cheerleader da “Flames Cheerleaders”, é também o atual capitão da equipe. O uberlandense de 19 anos contou à redação do Diário de Uberlândia sobre a vida como atleta de animador de torcida.

“Eu entrei no cheerleading por pura curiosidade. Como eu já havia feito dança, o esporte me chamou a atenção”, afirmou o estudante. O cheerleader contou ainda que a rotina de treinos, assim como no caso de Andryele, pesa um pouco no dia-a-dia. “Como a biomedicina é um curso integral, dificulta a nossa rotina de treinos, que geralmente são de cinco horas por semana”.

O mineiro ainda afirmou que os estereótipos criados pelos filmes norte-americanos são uma triste realidade no Brasil. Para ele, o preconceito, especialmente com homens, é grande. Além disso, Costa disse que grande parte das produções cinematográficas passam uma imagem pejorativa e totalmente distorcida sobre o que realmente é o esporte. “Afinal, não são apenas garotas com pompons nas mãos pulando. O sexismo nesse esporte ainda é muito grande. O esporte é muito mais do que isso”, finalizou.

DESTAQUE NOS ESTADOS UNIDOS

Mesmo com as dificuldades de profissionalização da animação de torcida no Brasil, a brasiliense Vera Lúcia, de 26 anos, conseguiu destaque no cheerleading estadunidense. A bi-campeã brasileira de pole dance faz parte do seleto time de animadoras do Miami Dolphins, tradicional time de futebol americano, que atualmente disputa a elite do campeonato, a National Football League (NFL).

A brasileira, que já foi animadora de torcida do Tubarões do Cerrado, time de futebol americano de Brasília, conseguiu entrar para o Miami Doplhins após um concurso realizado no Brasil. Formada em educação física, Vera se apresenta para cerca de 65 mil pessoas quando o clube estadunidense atua em seus domínios, no Hard Rock Stadium.
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