22/06/2018 às 08h23min - Atualizada em 22/06/2018 às 08h23min

Prefeitura abre 82 vagas para serviço de táxi e desagrada motoristas

Quando novos pontos foram criados, município ainda não contava com serviço de transporte de aplicativo

NÚBIA MOTA - REPÓRTER
Roque Morais, do Sindicato dos Condutores de Táxi, é a favor do remanejamento, mas diz que mercado está saturado (Núbia Mota)
Um processo seletivo lançado nesta semana pela Prefeitura de Uberlândia, visando o remanejamento de vagas entre taxistas, acabou trazendo à tona uma outra vertente da questão que tem incomodado os permissionários do serviço de transporte de passageiros.
Para se adequar à Lei Municipal 11.931, de 2014, que estipula a proporção de até um táxi para cada 1.600 habitantes, o Município criou e ampliou pontos de estacionamento, no entanto, nem todas as vagas foram ocupadas. Agora, antes de abrir licitação para o preenchimento dessas vagas, o Município está dando prioridade para quem já atua no sistema de trocar o ponto de atendimento. O remanejamento envolve 82 vagas.
Acontece que, há 4 anos, quando as vagas foram criadas,Uberlândia ainda não tinha o serviço de transporte de aplicativo, que hoje conta com cerca de 12 mil carros,segundo estimativa da Associação dos Motoristas de Aplicativo do Triângulo Mineiro (Amapptm),e o País não passava pela crise econômica atual. Dois fatores que, de acordo como Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Táxi de Uberlândia (Sindcavtu), reduziu o faturamento dos taxistas em até 80%, fazendo com que a licitação prevista pelo Governo Municipal não tenha vindo em uma boa hora.
Hoje, segundo a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran), a cidade tem 301 táxis em circulação e cada um tem direito a dois motoristas auxiliares.Como a população é de 676.613 habitantes, conforme a última estimativa do IBGE, Uberlândia precisaria ter 422 carros. Segundo o assessor de trânsito, Divonei Gonçalves, três vagas foram licitadas em janeiro deste ano. Das 118 vagas restantes, 82 serão para carros convencionais e outras 36 para veículos acessíveis, para o atendimento de deficientes físicos. “Vamos primeiro deixar os taxistas se manifestarem caso queiram ser remanejados para outros pontos. Se o interesse de um for igual ao de outros, vai haver sorteio. Mas como as 82 vagas vão continuar em aberto, encerrado o processo de remanejamento, haverá a licitação para novos motoristas. É uma forma de valorizar quem já está no sistema. É o mais justo”, disse Divonei.
Para Roque Antônio Morais, presidente do Sindcavtu, o remanejamento das vagas é interessante para que os motoristas consigam um ponto para aumentar o faturamento, mas ele não concorda com a abertura de novas permissões. “Vamos fazer um abaixo-assinado. Acho que tem que distribuir melhor a frota e regulamentar os aplicativos primeiro, para depois abrir licitação de novas vagas. Não somos contra os aplicativos, até temos um, o Táxi 10, porém essas outras empresas não têm normas. O motorista de aplicativos tem que trabalhar 18 horas pra conseguir alguma coisa, isso sem colocar na ponta da caneta a manutenção do carro, porque se colocar, a conta não fecha, com o preço do combustível do jeito que está”, afirmou Roque.
Ademar Inocêncio de Campos é taxista há 37 anos e disse que nunca passou por uma crise financeira como a atual. Com um ponto de táxi na avenida Rondon Pacheco, próximo ao número 5000, ele pretende entrar na disputa por uma nova vaga, na mesma via, de frente ao Fórum.  “Não vai ser bom abrir novas vagas, porque a maioria que entrar não vai conseguir se manter. Vai ter que fazer financiamento para comprar carro e não vai ter o dinheiro no fim do mês para pagar a prestação”, disse o taxista.
Ao todo, existem 70 pontos fixos de atendimento na cidade. Os mais recentes estão no novo Fórum, Posto da Matinha, na avenida Aspirante Mega (posto Décio) e Granja Marileusa.
 
Valores
 
A última grande licitação ocorrida em Uberlândia, de acordo com o Sindcavtu, foi em 2012, com a criação de 21 novas permissões. Na gestão passada, quando foi criada a Lei Municipal 11.931, em 2014, passando de 2.000 para 1.600 habitantes por cada táxi rodado, chegou a ser publicada uma portaria com a criação de novas vagas, mas não houve licitação. Na época, o preço de uma permissão era R$ 100 mil e hoje é gratuita. “Está tão ruim, que mesmo de graça, ninguém quer”, disse o taxista Roque Morais.
Os valores das tarifas de táxi não são reajustados há mais de dois anos, desde abril de 2016. Hoje,a bandeirada é R$ 4,80, que é o preço fixo incluído na corrida, R$ 2,80 por quilômetro rodado para bandeira 1 (entre 6h e 20h, de segunda a sexta-feira, e sábado, das 6h às 12h) e R$ 3,40 para a bandeira 2 (entre 20h e 6h de segunda a sexta-feira, e a partir das 12h de sábado até 6h da manhã de segunda-feira). A hora parada, quando o taxista espera o cliente resolver algo fora do veículo, é de R$ 18.
 
CONSENSO
 
Motoristas de aplicativos concordam com taxistas
 

Uberlândia tem hoje três empresas de transporte de aplicativos (Uber, 99POP e Udikar), com previsão de chegarem mais duas. Estas não informaram a quantidade de motoristas cadastrados, mas, segundo estimativa da Amapptm, a cidade tem cerca de 20 mil cadastros, sendo que 12 mil estão em atividade. “Uberlândia não suporta mais tanto carro. Estamos numa crise financeira. Os aplicativos não têm limite para cadastrar motorista. Eu concordo com os taxistas que não é a hora da Prefeitura abrir mais vaga para táxis. Tem que ter um bom senso”, disse Rodrigo Passos, presidente da Amapptm.
Se antes taxistas e motoristas de aplicativos enfrentavam desavenças, hoje há um consenso de que o mercado está saturado. “Pra nós, abrir 82 vagas não faz diferença, porque na porta das empresas de aplicativos têm esse número todo dia. Muitos estão alugando carro e mal tiram o valor do aluguel. É ilusão, isso aqui é um complemento de renda. Já para os taxistas, essas novas vagas vão atrapalhar sim e deviam ser repensadas”, afirmou Passos.
Segundo o assessor de trânsito, Divonei Gonçalves, o secretário de Trânsito e Transportes, Paulo Sérgio Ferreira, participou, há cerca de 2 meses, de uma reunião do Fórum Mineiro de Gerenciadores de Transportes e Trânsito, quando foi discutida uma minuta que trata da regulamentação do serviço por aplicativos, mas nada ainda foi definido.
Desde março, a fiscalização dos serviços de transporte oferecidos por aplicativos como Uber, Cabify e 99POP ficam sob responsabilidade das prefeituras. A Lei Federal nº 13.640, que regulamenta a atividade, já está em vigor.
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