19/06/2018 às 11h50min - Atualizada em 19/06/2018 às 11h50min

Servidores da educação param mais de 50 escolas

Categoria pede regularização dos salários, quem vêm sendo parcelados

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Servidores ativos e inativos fizeram ontem manifestação em Fórum de Uberlândia (Divulgação)
Cerca de 50 escolas estaduais em Uberlândia estão com aulas suspensas total ou parcialmente desde o fim da última semana por causa do atraso dos pagamentos dos servidores do Estado de Minas Gerais. Isso representa cerca de 75% do total de instituições escolares estaduais no Município. Os trabalhadores esperavam receber a primeira parcela dos ordenados no dia 13 deste mês, o que não aconteceu integralmente. Ao mesmo tempo, na rede privada de ensino, o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG) em Uberlândia promete paralisação de 24h para esta terça-feira (19) (leia mais abaixo).
De acordo com o representante do comando de greve Cid Carlos, os trabalhadores vão continuar com as atividades suspensas enquanto não receberem. Ele ainda afirmou que não há como negociar com o Governo. “O governo só fala que não tem dinheiro, mas não dialoga com a categoria”, disse.
A paralisação ganhou força entre quinta e sexta-feira passada. De acordo com cronograma anunciado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), a primeira parcela dos salários dos servidores mineiros já deveria ter sido paga integralmente na quarta-feira da última semana. Ela seria para todos os servidores que recebem até R$ 3 mil. Entretanto, apenas R$ 1,5 mil foram pagos, o que levou a um segundo parcelamento. Já a segunda parcela será depositada dia 25, e a terceira, dia 29, de acordo com a previsão do Governo.
O objetivo da greve, a curto prazo, é receber as parcelas em dia, mas o movimento cobra como objetivo final o pagamento dos ordenados até quinto dia útil de cada mês para os servidores em Minas Gerais. Desde o início de 2016, o Estado passou a escalonar os pagamentos.
Ontem pela tarde, servidores ativos e inativos fizeram uma manifestação em frente ao Fórum de Uberlândia. A categoria planeja outro ato para a manhã de hoje na praça Tubal Vilela, no Centro.

DIFICULDADE

Professor na escola estadual Prof. Ederlindo Lannes Bernardes, no bairro Morumbi, Fernando Henrique Sousa Araújo afirmou que a situação financeira dos servidores, que já era difícil, piorou neste mês com o a divisão da primeira parcela dos salários. “Se você tem financiamento, ele cai no dia certo e o desconto em folha é integral. [Com] O Governo não tem nenhum tipo de negociação e não houve comunicado sobre esse atraso”, disse.
Ele ainda lembrou que nos últimos três anos, desde que entrou na rede estadual de ensino, o mês de junho se tornou o mais difícil, mesmo que os atrasos tenham sido frequentes. Fernando Araújo disse que a categoria da Educação se organiza para que haja ações mais incisivas, inclusive a de cruzar os braços após o quinto dia útil até que o salário seja pago.

ESTADO

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Fazenda informou que o atraso foi reflexo da paralisação nacional dos caminhoneiros e, por isso, “a arrecadação tributária do Estado sofreu uma redução de R$ 340 milhões em relação à expectativa para os primeiros 11 dias de junho. Em função dessa queda de recursos no caixa do Tesouro Estadual, não foi possível depositar, na última quarta-feira (13), conforme cronograma divulgado, a primeira parcela do salário para todos os servidores do Executivo”.
A expectativa é que nesta terça os servidores inativos receberão R$ 1 mil. Os valores restantes, tanto para ativos quanto para inativos, dependerão da normalização do fluxo de caixa estadual. Mesmo assim, a Secretaria de Estado de Fazenda disse está mantida a data para o pagamento da segunda parcela para o dia 25 de junho.

Escolas particulares podem ter paralisação
 
As escolas particulares em Uberlândia poderão paralisar suas atividades nesta terça-feira (19). A expectativa do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG) é que haja mais de 50% de adesão das instituições de ensino privado do Município. O objetivo é chamar a atenção para dois pontos ainda não acordados em negociação entre os sindicatos patronal e o dos professores.
A diretora do Sinpro em Uberlândia, Celina Alves Arêas, explicou que nos últimos meses, a categoria vem debatendo com o patronato a possibilidade de manter, na convenção coletiva, pontos como a homologação obrigatória no sindicato e a isonomia salarial, de modo que novos contratados não tenham salários menores que o último professor contratado na escola. As negociações acontecem em Uberlândia desde março.
“Uma assembleia no dia 12 de junho definiu estado de greve e foi marcada uma nova assembleia para amanhã [terça], às 9h, com a paralisação das atividades por 24h”, explicou Celina Arêas, que informou também a possibilidade de aprovação de uma greve durante a reunião, a qual vai discutir as propostas para os professores.

PATRONAL

Procurado, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Triângulo Mineiro (Sinep-TM) informou que não foi notificado da paralisação desta terça. “Não fomos comunicados oficialmente e as escolas vão funcionar normalmente”, disse a presidente da instituição, Átila Rodrigues. Ela afirmou ainda que não há direitos retirados para convenção coletiva e que essa é uma briga política.
 
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