30/05/2018 às 09h21min - Atualizada em 30/05/2018 às 09h21min

Rotina deve normalizar em uma semana

Nem todos os postos de Uberlândia conseguiu receber combustíveis ontem; consumidor enfrentou longas filas

WALACE TORRES | EDITOR
  
O fornecimento de combustíveis nos postos de Uberlândia deve levar ao menos uma semana para retornar à situação normal, segundo estimativa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro). Desde a madrugada de ontem caminhões-tanque têm conseguido deixar o terminal de distribuição da Petrobrás, no bairro Morada Nova, e levar combustível para os postos da cidade. Parte dos aproximadamente 190 postos ativos em Uberlândia voltou a atender os consumidores, depois de praticamente cinco dias fechado.

Segundo o diretor regional do Minaspetro, Janier Gasparoto, o etanol é o que está mais em falta atualmente, porque boa parte do produto se encontra nas usinas, que ainda enfrentam bloqueios dos manifestantes. “O diesel e a gasolina chegam diretamente por duto da refinaria”, disse.

Ontem, filas intermináveis de veículos à espera por abastecimento marcaram o 9º dia da greve dos caminhoneiros em Uberlândia (leia mais na página A4). Por recomendação do Ministério Público, os postos estão limitando a venda em 30 litros de combustíveis por veículo até sexta-feira, quando haverá uma nova avaliação do movimento. Também foi proibida a comercialização de combustíveis em galões ou outro recipiente.

Desde a madrugada de ontem caminhões-tanque têm conseguido deixar o terminal de distribuição da Petrobrás, no bairro Morada Nova, e levar combustível para os postos na cidade. Os caminhões saem da distribuidora com escolta policial e das Forças Armadas.

A maior preocupação é com o gás de cozinha, o GLP, que praticamente acabou na cidade. Há mais de uma semana não chegam botijões carregados nas distribuidoras.

O Gabinete Interinstitucional para Gerenciamento de Emergências (GIGE), que reúne representantes dos ministérios públicos Estadual e Federal, polícias e autoridades municipais aprovou a escolta também para os caminhões que transportam o GLP nas rodovias. A intenção é garantir o acesso dos caminhões desde a refinaria, no estado de São Paulo, até Uberlândia. Até que o fornecimento seja normalizado, a recomendação é que os usuários tentem economizar o que ainda resta em casa.

SUPERMERCADOS 

Apesar do movimento ter perdido força desde segunda-feira, ainda há muitos caminhoneiros parados às margens das rodovias, o que tem impedido que parte dos produtos transportados chegue ao destino. É o caso das mercadorias que deveriam ser entregues nos supermercados e pequenos comércios.

A Associação Mineira de Supermercados (Amis) também estima que o reabastecimento ainda levará uma semana para ser normalizado, uma vez que os caminhões que transportam os produtos ficaram retidos nas manifestações ou nem chegaram a deixar os pontos de distribuição.

Em alguns supermercados da cidade, há pedidos feitos antes do início da greve dos caminhoneiros que ainda não foram entregues. Entre os produtos com maior falta nas prateleiras, segundo a Amis, estão as carnes, congelados e hortifrútis. Por causa da situação, os estabelecimentos mantém o limite de unidades por compra como forma de atender o maior número de consumidores.

DEPOIMENTO

“Não existe essa de intervenção militar”, diz ex-cabo

A vida de Gabriel Marcelino Miranda, 29 anos, sempre teve relação direta com uma boleia de caminhão. O pai é caminhoneiro, assim como foi o avô e os tios. Desde os 11 anos de idade coleciona histórias nas viagens feitas país afora. Já teve um caminhão roubado e hoje voltou a trabalhar como empregado para sustentar a família.

Caminhoneiro profissional há oito anos, nos últimos dois anos ele optou por viagens menores para ficar mais tempo com a família, depois de ter perdido a mãe.

Desde o dia 21 de maio, quando começou a paralisação, ele está parado na beira da MG-190, próximo a Monte Carmelo, onde pegaria uma carga de sucatas para trazer a Uberlândia. Mesmo com a maioria das reivindicações atendidas pelo governo, Gabriel acredita que o movimento ainda deverá resistir por mais algum tempo. “A minha opinião é que deveria acabar agora, porque quem vai pagar o pato somos todos nós. A população vai pagar mais caro pela carne, pelo leite, pelas frutas (...). Muita gente oportunista aproveitou o movimento para fazer outras coisas, pressionar o governo”, conta o motorista, que se diz frustrado com algumas reações.

“Tá rolando muito vídeo falso (nas redes sociais). Isso de intervenção militar não existe. Fui cabo do Exército seis anos, fiz curso e converso com o pessoal lá de dentro. Dentro do Exército não tem essa possibilidade”, diz Gabriel, afirmando que essa apologia à intervenção dos militares nunca fez parte do movimento grevista. “Caminhoneiro em momento algum pediu intervenção ou saída do (presidente Michel) Temer. Só pediu a redução de impostos dos combustíveis e pedágio mais barato”, disse. “A população deveria aproveitar o gancho e pedir para baixar os impostos de outras coisas. Mas só quer saber de intervenção militar”, completa.
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »