30/05/2018 às 09h01min - Atualizada em 30/05/2018 às 09h01min

Manifestações seguem enquanto população tenta retomar a rotina

Do transporte à alimentação, moradores de Uberlândia se viram para cumprir seus compromissos

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
  
A paralisação dos caminhoneiros nas rodovias estaduais e federais do Brasil chega ao 10º dia hoje. Até ontem, a manifestação afetava a rotina da população de Uberlândia. A expectativa é que hoje menos reflexos sejam sentidos, mas muitos transtornos ainda são sentidos em diversas atividades cotidianas do cidadão. A população teve que mudar hábitos para se adequar a falta de combustível, a falta de alguns alimentos, a lotação dos ônibus, entre outras questões.
 
Miguel Pereira é dono de uma farmácia. Ele contou que fez um pedido na última semana e ainda aguarda a entrega. “Meu estoque ainda está bom, mas notei algumas diferenças, principalmente fora da farmácia. A maior delas foi no preço do Uber, uma corrida que eu pagava R$ 13, paguei mais de R$ 40 esta semana. A sorte é que eu como fora e não cozinho em casa, senão também sentiria falta de alguns produtos”, disse.
 
Raimundo Santos é dono de uma papelaria e ainda está tranquilo quanto ao estoque dos produtos, mas deixou de andar de carro nesta semana. “Tenho um pouco de combustível, mas estou deixando para alguma emergência. Os ônibus estão lotados demais, optei por andar a pé, fui ao Centro da Cidade e voltei em 3 horas. Não vou ficar em fila tentando abastecer, estou apoiando o movimento e ainda adquirindo qualidade de vida”.
 
Ênia Ribeiro Batista, atendente de uma padaria, abandonou o carro e o coletivo para voltar do emprego. “Meu marido me traz de carro e eu volto a pé, moro no bairro Tibery e trabalho no Centro. Eu sou muito a favor, por mim ficaria o tempo que for necessário para uma mudança. Eu sei que cada um tem sua necessidade, mas se o brasileiro tivesse mais união, nem ficava enfrentando fila para abastecer”, afirmou.
 
Auxiliadora Pires é manicure e usa o transporte público para se locomover. “Notei que os ônibus estão demorando a passar e andam muito cheios. Hoje pela manhã estava no ponto aguardando há mais de 30 minutos, quando vi o ônibus, ele passou direto”, disse Auxiliadora.
 
OVO E AREIA 

Falta insumo, mão de obra segue forte

Não são apenas os postos de combustíveis que foram afetados nesta paralisação, algumas prateleiras de supermercados estão se esvaziando e outros setores, como de construção, também estão com alguns produtos em falta.
 
José Carlos Borela, construtor e administrador de obras, disse que o maior problema na área em que trabalha é a falta de materiais de construção. “Os funcionários estão dando um jeito de ir para a obra, vão a pé e de bicicleta. Mas a entrega dos materiais, principalmente areia, tijolos e brita está muito atrasa. Nossa areia já acabou, mas estamos trabalhando com o que temos”, afirmou.
 
A atendente de mercado Fabiana Santos, disse que os clientes que querem comprar ovos, cebola, alho e álcool estão saindo decepcionados do estabelecimento. “A maior procura é por ovos. As últimas cartelas chegaram na quinta-feira, mas no domingo acabou, e até agora não entregaram mais. Também estamos sem queijo, cebola e alho. Sem falar do álcool, algumas pessoas compraram para colocar nas motos no lugar do combustível”, disse Fabiana.
 
Gilson Divino é dono de uma distribuidora de gás há 30 anos no bairro Planalto, zona oeste da cidade, e há oito dias não recebe nenhum botijão. “Os clientes estão procurando todos os dias, teve uma mulher que disse que iria chamar o Procon, alegando que eu estava escondendo o produto. Nós que vendemos gás estamos sendo muito prejudicados. Até a gasolina está chegando aos postos, mas os botijões não”, afirmou.
 
MELHORA 

Mais postos com estoque e abastecimento rápido

Vários postos de gasolina da cidade receberam combustível durante a manhã e a tarde de ontem. Mas para que isso fosse possível, a Polícia interveio na noite da segunda-feira (28). Manifestantes que ocupavam a entrada do terminal da Petrobrás precisaram ser retirados do local durante uma ação policial, próximo ao bairro Morada Nova, zona oeste de Uberlândia, para que caminhões pudessem sair da central de distribuição. Segundo caminhoneiros que ocupam o local por conta das paralisações em todo o país, o grupo que estava na porta da distribuidora e que foi retirado fazia parte de movimentos alheios ao dos motoristas. Integrantes do movimento também informaram que, aos poucos, vão deixar as portas das distribuidoras.
 
O comandante do 32º Batalhão da PM, tenente coronel André Márcio Rodrigues Alves, informou que a ação foi de demonstração de força para garantir a liberação dos caminhões-tanque na distribuição de combustíveis no Município. Contudo, ele negou ter havido tiros, ainda que o uso das bombas tenha sido confirmado. “Ação moderada. Usamos artifícios de força, como formação de choque e artifícios para garantir a ordem”, disse. O comandante ainda explicou que a PM vai manter equipes na região das distribuidoras até que seja normalizada a distribuição.
 
Márcio Cassiano, dono do Posto Rio Branco, que fica no bairro Tubalina, zona sul da cidade contou que um caminhão com o combustível chegou às 9h da manhã de ontem. “Quando o combustível foi entregue já estava com fila no posto, mas agora a tarde (16h30) estamos abastecendo rápido. Dividimos em duas filas: uma para os oficiais e pessoal da saúde, e outra para o restante. A noite vai chegar mais um caminhão, a previsão é para as 20h ou 21h”, afirmou.
 
Lauro Barbosa estava na fila e esperou apenas 20 minutos para abastecer a moto, que já estava quase sem gasolina. “Eu fui em dois postos no domingo e na segunda-feira, fiquei 2h na fila, a gasolina acabou e eu saí para procurar outro posto para abastecer. Quando soube que tinha chegado combustível aqui no Tubalina, vim correndo”, disse Barbosa.
 
José Pedro da Silva, que já não conseguia nem ligar o carro, aguardava a chegada de um caminhão com combustível na fila de outro posto. “Eu estou há 24h na fila, mesmo sabendo que chegou combustível em outros postos, tenho que continuar, porque meu carro nem liga mais. Na noite passada eu deixei o carro na fila, fui para casa tomar um banho e voltei para cá cedo”.
 
Cristian da Silva é vendedor ambulante de salgados e aproveitou o movimento para vender o seu produto. “Eu tenho o costume de passar sempre por aqui. Hoje quando eu vi essa fila, peguei mais salgados e corri para cá. Vim oferecer para quem está esperando para abastecer, tem gente que está sem comer há horas”, disse o vendedor.
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