29/05/2018 às 05h46min - Atualizada em 29/05/2018 às 05h46min

Hospitais suspendem cirurgias eletivas e MP recomenda suspensão das aulas

Com falta de insumos, a prioridade é para os atendimentos de urgência e emergência

WALACE TORRES | EDITOR
Escolas Municipais da zona urbana retornam hoje às aulas; já os alunos da zona rural só voltam amanhã | Foto: Cleiton Borges/Secom/PMU
  
A falta de insumos e medicamentos decorrente da greve dos caminhoneiros, que entra no 9º dia de protestos nesta terça-feira (29), provocou a suspensão das cirurgias eletivas em grande parte dos hospitais de Uberlândia. Os manifestos também motivaram o Ministério Público a recomendar a suspensão do calendário escolar em todas as instituições de ensino das redes pública e privada até o dia 30 de maio.

Maior hospital público do Triângulo Mineiro e referência para casos de alta complexidade, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC/UFU) dará prioridade a partir de hoje aos atendimentos de urgência e emergência. A unidade realiza uma média de 50 cirurgias por dia. Segundo o diretor técnico do hospital, Adenilson Lima e Silva, somente serão mantidas as cirurgias eletivas de pacientes que já se encontram internados na unidade. “Nesse primeiro momento o número de cirurgias deve permanecer porque temos muitos pacientes internados, mas a situação será reavaliada a cada dia”, disse. Já os procedimentos ambulatoriais, consultas e exames ficam suspensos a partir de quarta-feira (30).

O Hospital e Maternidade Municipal é o único da rede pública que ainda permanece com atendimento inalterado. Situação que pode mudar, segundo a Secretaria de Saúde, caso a questão da falta de combustíveis se agrave.

Na rede privada, pelo menos dois grandes hospitais de Uberlândia já suspenderam as cirurgias eletivas – Madrecor e Santa Genoveva. “Nosso estoque conseguiria suportar a plenitude do hospital até quarta ou quinta-feira, mas como greve está extensa e não tem previsibilidade dela, para não haver problemas com relação aos atendimentos de urgência e emergência, estamos suspendo as cirurgias eletivas, que são aquelas que temos condições de programar num segundo momento”, disse o administrador do Hospital Santa Genoveva, Carlos Lobato. Ele citou que grande parte dos pedidos feitos na semana passada ainda não chegou na unidade. O retorno das cirurgias eletivas será reavaliado diariamente por um comitê interno criado para monitorar a crise decorrente da falta dos combustíveis. O hospital realiza uma média de 40 cirurgias por dia.
 
AULAS 

Na segunda reunião do Gabinete Interinstitucional para Gerenciamento de Emergências (GIGE), realizada ontem, representantes do Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal expediram uma recomendação para que o calendário escolar seja suspenso em todos os estabelecimentos de ensino com instalações em Uberlândia, sem aplicação de qualquer conteúdo acadêmico e com a obrigação de posterior reposição, conforme autonomia de cada instituição. Os serviços internos e administrativos poderão ser mantidos de acordo com a disponibilidade de cada unidade.

As instituições que acatarem a recomendação só deverão retornar as aulas na próxima semana, uma vez que na quinta e sexta já não haveria expediente em função do feriado de Corpus Christi.

Na rede municipal, a decisão foi pelo retorno das aulas hoje somente para os alunos da zona urbana – na zona rural as aulas permanecem suspensas hoje e só retornam amanhã.

O governador Fernando Pimentel prorrogou o ponto facultativo em todas as repartições públicas estaduais para os dias 29 e 30 de maio e 1º de junho, em razão da continuidade da greve dos caminhoneiros. Segundo comunicado divulgado no site do governo, o objetivo é minimizar o uso de combustível, a fim de preservar os serviços essenciais.

As aulas da rede estadual de ensino também serão suspensas neste período. Estão mantidos os serviços essenciais, como os médico-hospitalares, os de segurança pública e de Unidades de Atendimento Integrado (UAIs). Todos os demais órgãos do Estado também estarão de plantão para atenderem demandas básicas.

Já a Universidade Federal de Uberlândia suspendeu até o dia 2 de junho as atividades acadêmicas e administrativas, com exceção dos serviços essenciais. De acordo com nota emitida pela UFU, a suspensão se refere às atividades de graduação, pós-graduação, Escola de Educação Básica (Eseba) e Escola Técnica de Saúde (Estes), desempenhadas por servidores públicos e funcionários de empresas terceirizadas que atuam na UFU em todos os campi.

A aplicação das provas da primeira fase do Vestibular UFU 2018/2, marcada para o fim de semana (02 e 03/06), está mantida.
 
OCORRÊNCIAS 

Pelo menos na segurança pública, a crise no desabastecimento trouxe um resultado positivo. Segundo o comandante da 9ª Região de Polícia Militar, coronel Cláudio Vitor Rodrigues, o volume de crimes registrados durante os oito primeiros dias de manifestação caiu entre 15 a 20% na região. Ele informou ainda que no caso da corporação, as viaturas não enfrentam problemas de abastecimento.
 
REPOSIÇÃO

MP recomenda transporte até postos

Em uma segunda medida adotada durante a reunião do Gabinete Interinstitucional para Gerenciamento de Emergências (GIGE), os representantes do Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal também expediram recomendação às empresas transportadoras e aos transportadores autônomos locais para que façam, de imediato, o transporte e a distribuição dos produtos derivados de petróleo carregados em caminhões sob a respectiva guarda aos postos de comercialização.

Em caso de não cumprimento voluntário da medida, os promotores e procuradores que assinam a recomendação pedem a atuação das Forças Armadas e da Polícia Militar para assumir os respectivos veículos e garantir o abastecimento da sociedade. Ainda segundo a recomendação, os condutores do Poder Público que eventualmente forem responsáveis pela direção dos veículos ficam dispensados da licença especial para carregamento e descarregamento dos produtos derivados do petróleo (MOPP).

Além do Ministério Público, o GIGE conta com representantes das polícias Militar, Civil e Federal e o Município de Uberlândia. Caberá ao GIGE e às forças policiais estaduais e federais fiscalizar o cumprimento da recomendação, inclusive cedendo motoristas para fazer o transporte dos produtos até os postos de combustíveis.
 
CALU

Parte da produção de leite é descartada

A maioria dos produtores associados da Cooperativa Agropecuária Ltda de Uberlândia (Calu) não está conseguindo fazer com que o leite tirado na propriedade chegue até a sede da entidade. Com isso, boa parte do produto ordenhado diariamente está sendo descartada.

“Por causa da falta de combustíveis, a cooperativa não está tendo condições de buscar o leite em propriedades mais distantes. Alguns produtores doaram o leite, mas a maioria está jogando fora porque não tem mais o que fazer”, disse o presidente da Calu, Cenyldes Moura. Ele explica que a vaca tem ao menos três ordenhas por dia, não sendo possível interromper esse processo sob risco de infecção nos animais. “O produtor não tem onde colocar (o produto) e ainda tem que tirar o leite na próxima ordenha”, diz.

Diante da situação, a prioridade tem sido o fornecimento do leite pasteurizado ao consumidor e a produção de linhas de queijo, principalmente mussarela. “Na medida do possível a gente tenta não deixar a cidade desabastecida e nem os produtores perderem o leite”, diz.
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