05/05/2018 às 09h07min - Atualizada em 05/05/2018 às 09h07min

Dois em cada 3 usuários deixam de pagar Zona Azul

Segundo levantamento, R$ 900 mil poderiam ser arrecadados a mais

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Icasu ampliou forma de pagamento de tarifa, que pode ser feito por cartões de crédito ou débito | Foto: Mariely Dalmônica
  
Duas em cada três pessoas que utilizam a zona azul em Uberlândia ou não pagam a tarifa ou se mantêm por menos de 15 minutos na vaga em que estacionam seus veículos. O número é apontado em uma pesquisa da Instituição Cristã de Assistência Social de Uberlândia (Icasu), entidade que há um ano administra o estacionamento rotativo da cidade. O estudo aponta que poderiam ser arrecadados R$ 900 mil a mais pela entidade, que repassa parte da verba em medicamentos para a Prefeitura. O levantamento ainda apontou que 80% dos usuários consideram o atual sistema do rotativo melhor do que o empregado anteriormente.

Diariamente são atendidos 11 mil usuários nas 3,5 mil vagas de zona azul em bairros da região central de Uberlândia, como o hipercento, Martins e Cazeca, por exemplo. Entretanto, apenas 3,3 mil deles pagam pela utilização dos espaços.

Por meio dos pagantes, em um ano, foram arrecadados cerca de R$ 2,88 milhões, dos quais 45% foram repassados para o Município com a compra de medicamentos para as unidades de saúde locais. O valor repassado para a Prefeitura foi de aproximadamente R$ 1,3 milhão. Caso todos os 11 mil usuários diários fizessem o pagamento, cerca de R$ 2,2 milhões teriam sido revertidos em medicamentos, como confirmou o gerente de operações do estacionamento rotativo, Divino Souza.

“Temos nesse montante pessoas que não precisam pagar o rotativo porque permanecem menos de 15 minutos nas vagas, o que é garantido por Lei. Mas há muitos que deixam de pagar. Deveria haver mais consciência da importância do rotativo para que haja vagas de estacionamentos no Centro da cidade e também do papel para a saúde do Município”, disse Divino Souza.

A instituição é autorizada a fazer a compra dessas medicações com o valor informado à Prefeitura, conforme firmado em acordo quando a Icasu assumiu o rotativo. Até março de 2017, a empresa BF Parking era a responsável pela aplicação e prestação do serviço de estacionamento rotativo em Uberlândia. O contrato foi rescindido em abril daquele ano depois que sócios da empresa foram investigados por sonegação de impostos municipais e estaduais (ISS e ICMS) na Operação “Não Tem Preço”, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Em maio de 2017 a Icasu passou a operar o sistema, depois de acertos feitos entre Prefeitura e Ministério Público Estadual (MPE).

MULTAS

Em março deste ano, o número de multas aplicadas em razão do uso indevido de vagas do sistema rotativo em Uberlândia cresceu 146% no comparativo com igual mês de 2017, como mostrou reportagem do Diário de Uberlândia publicada nesta semana. Foram 356 multas aplicadas no terceiro mês deste ano a quem ultrapassou o tempo pago para manter seu veículo estacionado ou mesmo não pagou para a utilização de uma das vagas da zona azul por mais de 15 minutos. Em março de 2017, as infrações flagradas não passaram de 145.

SATISFAÇÃO

A pesquisa da Icasu ainda mostrou que oito em cada 10 pessoas questionadas disseram que estão mais satisfeitas com o serviço do zona azul em Uberlândia. O que, segundo a gerência de operações do estacionamento rotativo, está ligado à melhoria das formas de pagamento e prestação de serviço dos monitores.

Segundo Divino Souza, há o monitoramento da satisfação desde maio de 2017. “[A satisfação] Está ligada a um conjunto de decisões, como a facilidade de pagamento. O repasse dos valores para a Prefeitura também é um dessas decisões. O objetivo da Icasu em não ter lucros e contribuir com a saúde também ajuda nesta visão do usuário”, disse.

Atualmente, além do parquímetro, cartões próprios e de aplicativo, é possível fazer o pagamento por meio de máquinas de cartões de débito e crédito em 30 aparelhos espalhados entre os monitores.
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