18/04/2018 às 10h15min - Atualizada em 18/04/2018 às 11h05min

Transporte público em greve mobiliza 50% dos trabalhadores

Categoria reivindica reajuste salarial de 5%

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Passageiros esperaram mais tempo pelo ônibus nesta manhã | Foto: Vinícius Lemos

Pelo menos 50% dos trabalhadores do transporte público de Uberlândia aderiram à greve da categoria nesta quarta-feira (18), o que trouxe lentidão no serviço e reclamações dos usuários. Motoristas, cobradores e outros trabalhadores do setor tentam negociar o reajuste salarial. Apesar da greve, foram mantidos 60% dos ônibus em circulação, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberlândia (Sinttrurb).

Ainda durante esta manhã, os trabalhadores que aderiram ao movimento se reuniram na praça Sérgio Pacheco, em frente ao Terminal Central, para uma manifestação. O grupo ainda fez uma passeata pelo Centro de Uberlândia.

De acordo com o presidente do sindicato da categoria, Márcio Dúlio de Oliveira, a greve é por tempo indeterminado e começou depois que as negociações sobre a melhora dos salários fracassou. "As empresas ofereceram 2,5%, nós pedíamos 5%”, disse ele, que complementou informando que os trabalhadores estão abertos ao diálogo.

Um comunicado do Sinttrurb vem sendo distribuído para a população e nele é explicado: “Queremos deixar bem claro que nós, trabalhadores do transporte coletivo urbano de Uberlândia, fizemos todo o possível para evitar chegar nessa situação, mas diante da demissão em massa dos cobradores e do reajuste da tarifa de ônibus em 5,27%, consideramos que a proposta das empresas de reajustar os nossos salários em apenas 2,5% não atende a reivindicação da categoria.

Ainda mais quando muitos motoristas estão tendo de acumular duas funções (dirigir e cobrar passagem), piorando ainda mais o atendimento à população, aumentando o risco de acidentes e os casos de doenças causadas pelo estresse”.

Existe a estimativa que apenas 30% dos 800 cobradores que trabalhavam antes do início dos desligamentos ainda continuam na ativa nas empresas.

Ao longo do dia ainda estão previstas uma reunião na Justiça do Trabalho e outra manifestação em frente ao do Terminal Central.

Em nota, a Prefeitura informou que está monitorando o cumprimento da determinação legal sobre quantitativo de carros rodando e notificará ao Juízo no caso de descumprimento, uma vez que “por decisão judicial, em caso de greve do transporte público, a categoria deverá garantir a presença dos profissionais necessários ao funcionamento de, no mínimo, 60% da frota de transporte em todos os dias e horários da semana, sob pena de multa diária ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano”.

Também por meio de nota, as empresas de transporte urbano de Uberlândia e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiro (Sindett) disseram que “estão empenhados no bom funcionamento do transporte coletivo em Uberlândia e reforçam o trabalho em conjunto para melhor atender os usuários do sistema”. Sobre a greve, “o Sindicato Patronal informa que será realizada uma audiência ainda pela manhã na Justiça do Trabalho para definição da questão”.

CONSEQUÊNCIAS

Passageiros com espera dobrada

Quem precisou do transporte público pela manhã sentiu dificuldade e chegou a esperar pelo menos o dobro que normalmente aguarda para pegar um ônibus. O estudante Manoel Júnior disse à reportagem do Diário que não sabia da paralisação e ficou surpreso quando chegou ao ponto de ônibus na avenida Segismundo Pereira, no bairro Santa Mônica, e estava lotado. “Vou ter que arrumar outro jeito de ir para a faculdade, usar mototáxi ou uber”, afirmou.

A atendente Sílvia Fonseca afirmou que normalmente espera até 15 minutos para que se ônibus passe sentido bairro Alvorada, mas que hoje a demora passou dos 30 minutos. “Não tenho outro meio de chegar ao trabalho, tenho que ficar aqui”, afirmou.

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