13/04/2018 às 05h16min - Atualizada em 13/04/2018 às 05h16min

Vistoria constata que problema em reservatório do Dmae foi resolvido

Em nova inspeção, comissão de vereadores verificou que os reparos foram concluídos para sanar o vazamento de água

WALACE TORRES | EDITOR
Sete vereadores participaram da inspeção nos dois reservatórios que registraram vazamento ano passado | Foto: Valter de Paula/Secom/PMU

O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) contestou a informação de que um vazamento constatado em outubro do ano passado em um dos reservatórios tenha gerado um desperdício de 160 mil litros diários de água tratada. A informação foi dita ontem pelo diretor técnico interino, Paulo Cézar Alves, durante nova inspeção feita por uma comissão de vereadores no reservatório da rua Cruzeiro dos Peixotos, no Centro. Na visita de ontem ficou constatado que o problema no reservatório já foi solucionado. O diretor interino também não soube informar há quanto tempo o vazamento existia e qual a quantidade de água que jorrou nesse período.

A contestação sobre o volume do vazamento surge quase seis meses após a primeira inspeção feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia no reservatório, que é considerado o “pulmão” do sistema de abastecimento da cidade. Na época, os promotores fizeram um cálculo prévio utilizando uma caixa de 500 litros e uma mangueira, constatando uma perda de pelo menos 160 mil litros de água tratada por dia. Esse volume é suficiente para abastecer diariamente 160 residências. A água que vazava do reservatório era jogada diretamente na rede pluvial, retornando ao manancial e, consequentemente, sendo submetida novamente a todo o processo de tratamento.

A comissão de vereadores ainda visitou o reservatório na Estação de Tratamento Sucupira, na zona rural, onde havia outro vazamento, e constatou que o problema também foi resolvido.

O diretor técnico interino disse que geralmente esse tipo de serviço é feito pela própria equipe de manutenção do Dmae, mas por se tratar de um caso mais urgente, foi contratada uma empresa especializada.

“Para o reservatório do Centro, ele disse que o Dmae gastou R$ 39 mil, mas no reservatório de Sucupira ele não nos apresentou o valor”, disse o vereador Thiago Fernandes (PRP), autor do requerimento que originou as duas vistorias – a que constatou o vazamento e a de agora.

Perguntado pela comissão sobre o volume de água que vazou e por quanto tempo, Paulo Cézar Alves disse que precisava recorrer à assessoria do Dmae, pois estava há pouco tempo no cargo de diretor técnico – ele é diretor de Planejamento da autarquia. No entanto, negou que fossem 160 mil litros por dia. “Houve algum equívoco no cálculo de vazão, porque o que foi realmente calculado foi a vazão daquela bomba [que fazia a drenagem da água vazada] e não a água que estava no poço [onde a água vazada era acumulada]”.

Ele informou que uma perícia técnica é que poderá avaliar com precisão a quantidade que vazou. “Não teve vazamento de 160 mil litros aqui. Teve uma bomba ligada cuja vazão é de 160 mil litros por dia”, completou o diretor.

Questionado pelo vereador se o reservatório central opera sempre com 100% da capacidade, o diretor técnico disse que “pode operar se for preciso”.

Uma denúncia recebida pelo vereador alegava que o reservatório não teria condições de encher mais que 30%, mediante eminente risco de rompimento. “Não procede (a denúncia). Prova disso é que eu tenho os dados de água”, citou Paulo Cézar, acrescentando que ficaria embaixo do reservatório enquanto a capacidade fosse alcançada para comprovar que não há risco de rompimento.

“Se for necessário, ela opera (com 100%). Ela é uma caixa que opera de acordo com a necessidade de distribuição”.

Após a visita, o vereador Thiago Fernandes disse que as informações, bem como as fotografias e vídeos gravados pela Câmara, serão repassados ao Gaeco para ajudar nas futuras inspeções.
 
INVESTIGAÇÃO
 
As obras de construção dos dois reservatórios inspecionados ontem fazem parte dos contratos que são alvo de investigação pelo Ministério Público Estadual na Operação Poseidon. Entre 2009 e 2010 o Dmae firmou três contratos com a construtora Araguaia Engenharia no valor total de R$ 97,5 milhões para ampliação da reservação e tratamento de água e finalização de uma Estação de Tratamento de Esgoto. No entanto, as investigações apontaram que apesar de não ter concluído todo o serviço, a empresa recebeu os valores, apresentando medições como se tivesse cumprido os termos contratuais.

Seis pessoas, entre dirigentes e funcionários do Dmae, um engenheiro responsável e o dono da empreiteira à época, chegaram a ser presos preventivamente, mas foram soltos nas últimas semanas mediante concessão de habeas corpus. Os seis acusados foram denunciados por envolvimento em desvios de mais de R$ 8,1 milhões dos cofres da autarquia em favor da empresa Araguaia Engenharia e respondem por crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e peculato.

No dia 21 de maio está prevista a audiência de instrução, quando serão ouvidos os seis acusados.
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