05/04/2018 às 19h24min - Atualizada em 05/04/2018 às 19h24min

Servidores da Educação mantêm a greve

Segundo a categoria, pelo menos cinco escolas estaduais em Uberlândia estão totalmente paralisadas e outras 20, parcialmente

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
Professores realizaram assembleia local para reivindicar reajustes salariais dos últimos dois anos | Foto: Mariely Dalmônica
 
Os servidores da rede estadual de ensino em Uberlândia que estão em greve desde o dia 8 de março decidiram manter a paralisação, seguindo a diretriz aprovada na assembleia estadual na última quarta-feira. Os funcionários se reuniram em uma assembleia local na tarde desta quinta-feira (5) para discutirem uma nova estratégia de reivindicação.

Segundo Raul Oliveira, um dos diretores presentes, das 69 escolas estaduais de Uberlândia, cinco estão totalmente paralisadas e outras 20 com interrupção parcial. Entre as unidades em greve estão as Escolas Estaduais Parque São Jorge, Professor Ederlindo Lannes Bernardes, Antônio Luís Bastos, Felisberto Alves Carrejo e a Escola Estadual da Cidade Industrial.

O professor de filosofia Antônio Marques dá aulas na Escola Estadual Bueno Brandão e está em greve desde o início da paralisação. Ele esteve presente na assembleia e disse que os funcionários estão em greve por vários motivos. “Queremos o cumprimento do acordo com o piso salarial, o salário pago em dia, e estamos solicitando um atendimento de saúde de qualidade.”

Conforme o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE-MG), as reivindicações fazem parte de um acordo assinado em 2015 pelo governo, que garante o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para os trabalhadores da rede estadual de Educação. Ainda de acordo com o Sindicato, o acordo previa reajustes salariais em 2016, 2017 e 2018 para que os valores fossem equiparados neste ano.

Durante a assembleia geral realizada em Belo Horizonte, na quarta-feira (4), os educadores rejeitaram a contraproposta do governo. “Prometeram pagar a variação salarial em 2019. Mas queremos discutir é como vão ficar os reajustes dos últimos anos”, contou Oliveira.  

Segundo Rogério Ernani, professor da Escola Estadual Professor Ederlindo Lannes Bernardes, os servidores aguardam um posicionamento sobre os índices acordados, que chegam a 14,5% nos dois últimos anos. “A escola em que trabalho está toda em greve, não existe uma proposta válida, nos reunimos em assembleia local para decidir nossas estratégias de luta”.

Além de professores, profissionais de outros cargos da Educação também aderiram ao movimento. O analista educacional da Superintendência Regional de Ensino José Geraldo é um deles. “Nós também estamos na luta, ela atinge todos os servidores da Educação, e todos nós defendemos as mesmas questões.”

Para alguns pais, a greve pode prejudicar os estudantes. A empresária Jaqueline Marques tem uma filha de 11 anos matriculada na Escola Estadual Seis de Junho, e ela não frequenta as aulas desde o início da paralisação. “Minha filha estava iniciando o ensino fundamental 2 e essa é uma transição muito importante para ela. Sem contar que a greve bagunça a rotina da família toda”, disse.

Para Jaqueline, a reposição também é um problema. “Ela já passou por outras greves e a reposição foi muito complicada, acontece em horários difíceis para os pais e muitos alunos faltam às aulas.”

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que o Governo de Minas Gerais se empenhou na busca de uma conciliação com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUTE) que atendesse as partes envolvidas e garantisse a regularidade do ano letivo dos estudantes da rede. Veja o texto enviado à reportagem:
 
“Com a mediação do Ministério Público e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foram realizadas reuniões de conciliação, nas quais foi acertado um termo de conciliação, com 12 itens a serem cumpridos pelo Governo, que deveriam ser submetidos à apreciação dos trabalhadores. O principal item do termo diz respeito ao envio de projeto de Lei específico no que se refere o artigo 3º da Lei Estadual 21.710 de 2015 (que garante o pagamento dos reajustes do Piso Nacional de 2017 e 2018) à Assembleia Legislativa ‘no 1º dia útil subsequente, à publicação do Relatório Quadrimestral de Gestão Fiscal no qual o Poder Executivo estadual retorne ao limite prudencial previsto no parágrafo único do artigo 22 da Lei complementar Federal nº 101/2000’. Esse ponto, aliado às dificuldades orçamentário-financeiras enfrentadas pelo Estado, já havia sido apresentado em diversas ocasiões ao SindUTE como sendo o principal empecilho para a concessão dos reajustes do Piso neste momento. O Governo reitera que o pagamento do Piso Nacional é um ponto de entendimento entre o Sindicato e o Governo e que a discussão neste momento é quando será possível pagá-lo conforme o acordo fechado com a categoria em 2015. O Governo reafirma ainda que não poupou esforços em valorizar os trabalhadores da Educação e cumprir a maioria dos itens do acordo, cujas conquistas para a categoria são irrefutáveis, entre elas a concessão de reajustes que aumentaram o salário inicial do Professor de Educação Básica em 46,75%, passando de R$ 1.455,33 para R$ 2.135,64, para uma carga horária de 24 horas semanais. Os ganhos atingiram todas as carreiras da Educação, inclusive os aposentados.”
 
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