05/04/2018 às 09h47min - Atualizada em 05/04/2018 às 09h47min

Podas de árvores opõem ambientalistas e Prefeitura de Uberlândia

Nos últimos dias o serviço está concentrado em avenidas movimentadas, como a João Naves de Ávila

MARIELY DALMÔNICA | REPÓRTER
Serviço de poda de árvores foi executado nesta semana em avenida do Santa Mônica | Foto: Jorge Alexandre Araúho

Atualmente existem cerca de 10 mil pedidos de podas de árvores solicitados junto à Prefeitura de Uberlândia. Parte da demanda já tem sido acolhida pelo Município, que avalia as solicitações de acordo com a urgência da área. O serviço, no entanto, tem sido contestado por ativistas, que alegam que os trabalhos são feitos, muitas vezes, sem a real necessidade.

Ao longo dos últimos dias, o serviço de poda está concentrado em avenidas movimentadas como a João Naves de Ávila e em bairros como Santa Mônica, Jardim Finotti, e Roosevelt, nas zonas leste e oeste, respectivamente. Segundo o assessor técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Anderson de Paula, estas intervenções ocorrem para garantir a segurança dos moradores, já que muitas árvores atingem a fiação elétrica, atrapalham a sinalização de trânsito e causam acidentes durante tempestades de chuva.

Ainda segundo Paula, não existe um estudo globalizado para determinar como serão feitas as podas. “O Horto Municipal tem técnicos florestais, engenheiros agrônomos e biólogos gabaritados para o trabalho. Esses técnicos analisam e fazem laudos sobre as árvores antes da poda ser feita”, disse.

A forma como o serviço vem sendo executado, no entanto, tem gerado indagações entre ambientalistas da cidade. Para Gustavo Malacco, biólogo e presidente da Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá), a Secretaria de Meio Ambiente deveria divulgar como está sendo realizado o processo. “A gente defende um plano que envolva técnicas, queremos ver os documentos e os critérios que estão sendo utilizados para as podas”, afirmou.

Ainda segundo Malacco, parte dos cidadãos não vê a ação como algo sustentável. “Entendemos que tem que ter a poda, mas tem muita gente se mobilizando. Se parte da sociedade não concorda com isso, deve haver algum diálogo”, disse.

O assessor técnico da Secretaria de Meio Ambiente diz que a pasta está aberta às críticas. Ele cita como exemplo a repercussão do serviço realizado no ano passado na Praça Tubal Vilela, no Centro. “Disseram que nós fizemos podas drásticas, mas havia quatro anos que o trabalho não era feito”, afirmou.
 
REPRESENTAÇÃO
 
O vereador Adriano Zago protocolou uma representação para o Ministério Público Estadual, em novembro do ano passado, contra o serviço de podas de árvores prestado no Município. Segundo ele, há indícios de que muitas árvores são cortadas sem necessidade e que, além disso, a massa verde gerada está beneficiando a empresa contratada para execução dos trabalhos. “É preciso ter um laudo técnico de um especialista e nós não vemos isso. Está havendo uma poda generalizada para poder garantir o cumprimento deste contrato”, disse.

Além disso, segundo Zago, servidores do Horto Municipal poderiam estar realizando comércio ilegal de troncos e galhos mais volumosos para abastecimento de processos industriais que necessitam da combustão à lenha. O documento com estas afirmações foi passado para a Promotoria do Meio Ambiente e a denúncia está sendo investigada pelo Ministério Público.
 
 
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