29/03/2018 às 16h07min - Atualizada em 29/03/2018 às 16h07min

Ciclista morto queria construir velódromo

WALACE TORRES | EDITOR
Grupo de ciclistas de Uberlândia fez homenagem na despedida de Eduardo Ribeiro | Foto: Walace Torres

O ciclista Eduardo Mendonça Ribeiro Filho, 44 anos, morto em decorrência de um atropelamento no perímetro urbano da BR-365 enquanto treinava, na sexta-feira passada (23), foi um dos idealizadores do projeto de criação de um velódromo no entorno do Parque do Sabiá, destinado, principalmente, aos competidores na modalidade speed, a qual era adepto. O projeto foi elaborado há cerca de dez anos e apresentado ao Município, mas nunca saiu do papel. Arquiteto urbanista, com especialidade nas áreas de acessibilidade, trânsito e transportes, planejamento e desenho urbano, Eduardo também trabalhou no projeto de construção de uma pista destinada aos praticantes de mountain bike dentro do parque. Esse projeto é mais recente, porém também ficou engavetado.

A trágica ironia foi relembrada por colegas ciclistas, hoje, durante o velório de Eduardo no cemitério Parque dos Buritis. Quase 100 ciclistas formaram um corredor com suas bikes, que foram empinadas à medida que o cortejo passava até o local onde o corpo foi enterrado.

“Sabemos que o velódromo é um projeto caro, mas é necessário haver políticas públicas voltadas para o ciclista, tanto na questão de quem pratica esporte como o ciclista que usa a bicicleta como meio de transporte”, avalia Frank Barroso, presidente da Associação dos Ciclistas Urbanos de Uberlândia, citando que o próprio Eduardo era um defensor das ações de mobilidade urbana e segurança no trânsito. “O Eduardo era um ativista que sempre falava nisso, tem que ter ciclovias integradas e eficientes, sinalização adequada e fazer cumprir o Código de Trânsito. Mas, infelizmente, a parte mais fraca (no trânsito) são o pedestres e os ciclistas”, diz.

A morte de Eduardo se soma a de outros seis ciclistas que perderam a vida nos últimos anos em acidentes de trânsito em Uberlândia, segundo aponta o presidente do Velo clube do Triângulo, Celso Aparecido. “Falta segurança, conscientização maior dos motoristas e placas nas rodovias, na saída da cidade, avisando da presença de ciclistas no local”, diz Celso. Ele cita situações que os ciclistas enfrentam nas rodovias onde acontecem os treinos e que demonstram uma falta de conscientização dos usuários, como motoristas que jogam o carro em cima das bikes e até mesmo ateiam pedras contra os atletas. “Além de tudo ele (o motorista) tem que saber que em cima da bicicleta tem uma vida, um pai de família, um irmão, um filho”, diz.

Eduardo Ribeiro foi atropelado enquanto treinava para uma competição. A morte encefálica foi constatada na última terça-feira (27), quando a família autorizou a doação de órgãos. Foram doados rins, fígado, córneas e o coração. O motorista que atropelou o ciclista evadiu do local sem prestar socorro. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios.

Eduardo Ribeiro foi diretor da Divisão de Trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran) no período de 2003 a 2004, atuou como professor e ativista social, preocupado com questões que envolviam a mobilidade urbana e melhoria das condições de segurança dos ciclistas. Também era sócio-proprietário de um escritório de arquitetura. Era casado e não deixa filhos – um sonho que, segundo familiares, pretendia realizar este ano, mas que foi interrompido bruscamente.
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »