12/03/2018 às 22h30min - Atualizada em 12/03/2018 às 22h30min

Polícia faz batida em bar no Santa Mônica e clientes relatam abusos

​VINÍCIUS LEMOS E NÚBIA MOTA | REPÓRTERES
Imagem divulgada em rede social mostra feridos depois de ação no Santa Mônica | Foto: Reprodução/Facebook

Uma ação da Polícia Militar (PM) na noite do último domingo (11) para dispersão de clientes de um bar no bairro Santa Mônica, na zona leste de Uberlândia, gerou uma série de reclamações e relatos de exagero na força policial. A corporação, por sua vez, afirmou que foi demandada para fazer manutenção da ordem e que se tratou de uma intervenção comum de dispersão.

Os relatos de que teria havido excesso na ação policial começaram com uma postagem em uma rede social. A autora, uma estudante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), afirmou no texto que, pouco depois das 23h, os policiais chegaram em viaturas ao local, na esquina da avenida Belarmino Cotta Pacheco com a rua João Velasco de Andrade, e iniciaram a ação. “Não pediram para a gente sair em momento nenhum. Chegaram armados e jogaram primeiro o spray de pimenta”, escreveu.

O grupo, então, se dirigiu para outro estabelecimento próximo dali, de acordo com o texto publicado. Em seguida, segundo a autora “(...)eles (policiais) ‘pediram’ pro pessoal subir pra calçada. Vale salientar que não houve resistência. Na verdade, não deu nem tempo. Enquanto o pessoal subia, eles jogaram uma bomba de efeito ensurdecedor que acertou dois estudantes, sendo que uma saiu sangrando.”

Em entrevista ao Diário de Uberlândia, a estudante, que pediu para não ser identificada, explicou que foi ao bar para encontrar com os outros calouros da UFU. Ainda Segundo ela, antes da chegada dos policias, a rua chegou a ficar fechada por causa do número de frequentadores, mas no momento da ação havia menos pessoas no local. “Quando estava indo embora, fui atingida por spray de pimenta. Eu acho que se tivesse tido vandalismo ou resistência, eles podiam agir, mas os alunos estavam só fechando a rua mais cedo”, afirmou.

Pelo menos três pessoas se feriram na ação, inclusive uma jovem de 17 anos, segundo os estudantes. Outro frequentador, que não quis se identificar, contou à reportagem que foi atingido com estilhaços de bomba no pé e que a amiga machucou a cabeça. “O bar tem só um banheiro, aí reclamam das pessoas urinarem na rua. A culpa não é do cliente, é do bar. Tem que mandar adaptar, suspender o alvará, senão fecha e pronto”, disse.

MORADOR

Um morador de um prédio próximo ao local afirmou à reportagem que existe perturbação do sossego por causa dos frequentadores do bar. Ele, que também pediu para não ser identificado, contou que mora há quatro anos na região, mas que o problema se agravou há dois anos. “A gente tenta passar de carro, eles esmurram o carro, xingam. Ontem mesmo, fui a pé ao mercado, tinha uns fumando maconha lá na rua, na maior tranquilidade. Outro grupo pegou um carrinho de supermercado, pôs carvão e estava assando carne no meio da rua. É um caos aquilo ali. Quando a gente chega em casa, tem gente fazendo as necessidades bem na nossa porta”, disse. Ele disse ter acompanhado da sacada a abordagem da PM e que achou excessiva força usada na dispersão.

POLÍCIA

O comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Ailton Donisete, explicou que a operação é considerada normal. “Ontem fomos demandados, houve resistência passiva. Não cometeram crime, mas havia perturbação da ordem. Foi ação de normal de dispersão”, disse o militar, que salientou que o spray de pimenta e outros artifícios considerados de menor ofensividade são para esse tipo de situação. “Não é uma questão de diálogo, o fato é que estava irregular. A PM não abre mão dos direitos individuais e vamos continuar com ações no local.”

O comandante do batalhão informou ainda que a aglomeração de clientes nas vias naquele ponto já foi motivo de outras intervenções.

FISCALIZAÇÃO

Em junho de 2017, um dos bares da região foi fechado por funcionamento irregular. A reportagem tentou falar no estabelecimento, mas ninguém atendeu as ligações.

Em nota, a Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico “já notificou os proprietários do bar e tem fiscalizado os estabelecimentos rotineiramente”. Segundo o Município, o bar onde se formou aglomeração no último domingo tem alvará para funcionar até as 22h. O texto ainda diz que “para total efetividade da fiscalização, a colaboração da comunidade é essencial. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 3239-2800, 3239-3117 ou 0800.940.1133”.
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