18/02/2018 às 05h32min - Atualizada em 18/02/2018 às 05h32min

Uberlândia é o 109º menos violento entre os grandes

Taxa de homicídios recuou de 24,2 para 20,8 entre 2014 e 2015

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER

A taxa de homicídios em Uberlândia caiu de 24,2 para 20,8 mortes para cada 100 mil habitantes entre os anos de 2014 e 2015, de acordo com os levantamentos do Atlas da Violência 2017, idealizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Dessa forma, naquele ano, o Município foi o 109º menos violento entre todos os municípios com mais de 100 mil habitantes no Brasil. Também no Triângulo Mineiro, Araxá foi considerado o quinto município mais pacífico do País.

Ao todo, em 2015, Uberlândia teve 138 mortes violentas, sendo 19 delas sem uma causa definida. Durante o período, a população local era de 662,3 mil pessoas. Se somadas as taxas de homicídio e a de mortes violentas com causas indeterminadas, o índice geral chega a 23,7 assassinatos por cada 100 mil habitantes. Em 2014 houve 214 mortes violentas no Município.

Foram 76 assassinatos a menos, ou seja, uma diminuição de 35% no período de um ano. Mas também foi a maior queda em uma curva que atingiu o pico da década em 2012, quando aconteceram 225 homicídios, e mostrou tendência de redução.

A queda, segundo a Polícia Militar local, começou a partir do momento em que o tráfico de drogas se transformou no foco principal das ações policiais. O assessor de imprensa da 9ª Região da PM, major Rodrigo Brasil, explicou que a identificação de pontos de venda e também de cabeças à frente do negócio ilegal são as partes mais importantes do trabalho. Ele ainda destacou outras duas frentes, que são as patrulhas de prevenção de homicídios (PPH) e também a de violência doméstica. Em ambas são feitas triagens e acompanhamentos para evitar que a violência volte a acontecer ou cresça. “[Essas patrulhas] Trabalham crimes passionais, os mais difíceis de prever. Facilita processo de identificação de autoria e também a investigação posterior, com isso podemos até retirar autor das ruas e, com ele, a sensação de impunidade ou de mais um crime”, disse major Rodrigo.

O professor do curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pesquisador sobre violência urbana Edihermes Marques Coelho explicou que Uberlândia ainda não pode ser considerada uma cidade tranquila. “[A queda nos homicídios] Não representa que a cidade seja pacífica, no comparativo a outras cidades em que a taxa é perto de zero, mesmo porque essa quantidade de homicídios de Uberlândia é um indicativo de que não é tranquila”, disse.

Ele vê com ceticismo uma solução a curto prazo. O pesquisador citou que uma política de descriminalização das drogas em outros países, como Portugal, levou a uma drástica redução nas mortes violentas. Entretanto, destacou que isso não seria uma garantia de que funcionasse no Brasil. “As políticas contras as drogas, contudo, desde o século passado, são fracassadas. Uma boa amostra de que isso é enxugar gelo, é o Rio de Janeiro, que sofreu uma intervenção na segurança pública por conta de um descontrole relacionado à questão das drogas enquanto crime organizado. E o pior: envolve uma série de instâncias do próprio Estado”, afirmou.

BRASIL E MINAS GERAIS 

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, em 2015 houve 59.080 homicídios no Brasil, o que equivale a uma taxa de 28,9 mortes por 100 mil habitantes. Este número de homicídios consolida uma mudança de patamar nesse indicador, na ordem de 59 a 60 mil casos por ano, e se distancia das 48 mil a 50 mil mortes ocorridas entre 2005 e 2007.

Ainda em 2015, Minas Gerais registrou 4.532 assassinatos, pouco menos de 200 mortes do total registrado no ano de 2014. A taxa de homicídios no Estado em 2015 foi de 21,7 para cada 100 mil habitantes, o que colocou Minas Gerais como quarto menos violento, só perdendo para São Paulo, Santa Catarina e Piauí.
 
O ATLAS 

O Atlas da Violência analisa dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que traz levantamentos sobre incidentes até ano de 2015. Complementarmente, há ainda o cruzamento de informações do SIM com outras provenientes dos registros policiais e que foram publicadas no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Municípios com mais de 100 mil habitantes ganham análise aprofundada ao mesmo tempo em que temas específicos são levantados e discutidos, como letalidade violenta contra os jovens, negros e mulheres no Brasil e o uso das armas de fogo e a sua relação com os homicídios nas Unidades Federativas.
 

Maioria dos homicídios foi contra jovens

Uberlândia seguiu o cenário do País e em 2015 teve como maior parte das vítimas adolescentes ou adultos jovens, de acordo com o Atlas da Violência, feito pelo Ipea. Dos 138 homicídios registrados naquele ano, 88 mortos tinham entre 15 e 29 anos. Em 2014, nessa mesma faixa etária foram 114 jovens assassinados. Em todo o Brasil, a faixa etária teve 31.264 vítimas de mortes violentas no ano de 2015.

A Polícia Militar explicou que o aliciamento de adolescentes é comum no universo do tráfico e como em Uberlândia os homicídios estão ligados principalmente às drogas, é esperado que os jovens se tornem as principais vítimas. O pesquisador de violência urbana Edihermes Marques Coelho disse que as classes mais pobres são mais facilmente atraídas para esse mundo. “A pobreza com falta de perspectivas, seja no mercado de trabalho ou de ingresso formal e ascensão, acaba por levar (os jovens) para caminhos mais fáceis. O tráfico representa um caminho com remuneração melhor que aquela que eles conseguiriam no mercado de trabalho sem o mesmo esforço”, avalia.
 
RANKING NACIONAL

Araxá é a 5ª mais pacífica

O Atlas da Violência 2017 apontou dois municípios mineiros entre os dez mais pacíficos do Brasil: Araxá, no Triângulo Sul, é o quinto colocado, enquanto Conselheiro Lafaiete, na região das Vertentes, aparece na nona colocação.

No estudo, Araxá registrou a taxa de 6,8 como o resultado de homicídios + Mortes Violentas com Causa Indeterminada em 2015. No mesmo ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Araxá possuía 102.238 habitantes. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade é de 0,772 (Pnud, 2010) e a renda per capta de R$ 31.457,42 (IBGE, 2011).

Para o delegado regional de Araxá, Vitor Hugo Heisler, três fatores são fundamentais para a boa colocação do município: o primeiro é a apuração rápida de crimes violentos. Além disso, ele salienta as parcerias entre as polícias Civil e Militar, Ministério Público e Poder Judiciário. “As polícias trabalham de forma coesa, com troca de informações, o que facilita o combate à criminalidade, e a boa relação com o Ministério Público e o Poder Judiciário dá agilidade à concessão de medidas cautelares, como mandados de prisão e de busca e apreensão”, afirma.

O terceiro ponto destacado pelo delegado regional refere-se ao apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Araxá na área de pessoal e logística para reunir as condições necessárias à realização de um bom trabalho.

À frente do 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Araxá - que compreende 12 municípios, o tenente-coronel Fernando Reis afirmou que os trabalhos conjuntos atingem um índice de 90% de resolutividade dos homicídios. “A confiança facilita a obtenção dos mandados judiciais”, disse o comandante.

Ele destaca o envolvimento do Poder Público Municipal com a segurança pública, sobretudo pelo apoio à Polícia Militar (convênio de cooperação mútua) e das políticas de segurança implantadas, a exemplo da criação da guarda municipal e do sistema de vídeo monitoramento na cidade.

Assim como grande parte dos municípios brasileiros, a criminalidade em Araxá, mesmo reduzida, passa quase sempre pelo tráfico de drogas. E os poucos homicídios que não estão relacionados ao tráfico são crimes passionais.
 
Atlas da Violência

Uberlândia
 
2015
- 138 homicídios
- 20,8 mortes para cada 100 mil hab.
 
2014
- 214 homicídios
- 24,2 mortes para cada 100 mil hab.
 
- 109ª cidade mais tranquila no Brasil
- 12ª em Minas Gerais
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