11/02/2018 às 05h58min - Atualizada em 11/02/2018 às 05h58min

Emigração de brasileiros cresce 154% em seis anos

Mais de 20 mil pessoas deixaram o País em definitivo no ano passado

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER
A enfermeira Paula Tameirão e a família vivem no Canadá / Foto: Arquivo Pessoal

O que você espera da cidade, estado ou país onde vive? Sistemas públicos de saúde e educação que funcionem? Tranquilidade e segurança? Estabilidade econômica? Política de respeito?

A reportagem do Diário de Uberlândia conversou com três uberlandenses que deixaram o país e foram viver no exterior nos últimos anos. Em relação à pergunta acima, a resposta de todos foi a mesma: segurança.

“Amo o meu país, mas a segurança e a civilidade que experimento aqui todos os dias e que é proporcionada à minha filha são inigualáveis”, disse a uberlandense Lívia Carneiro, que há dois anos vive com a filha em Cascais, Portugal.

Números da Receita Federal (RF) mostram que os brasileiros têm buscado cada vez mais outros países para viver. De acordo com o órgão, o número de brasileiros que entregaram declarações de saída definitiva do Brasil aumentou 11% em 2017 em relação ao ano anterior. Foram 20.613 pessoas deixando o país no ano passado, ante 18.505 em 2016. Os mineiros também acompanham a tendência nacional, com 664 pessoas mudando para o exterior em 2016, e 729, no ano passado, aumento de 9%.

Se levarmos em consideração este cenário nacional nos últimos seis anos, o aumento é significativo: 154%. Em 2011, 8,1 mil declarações de saída definitiva foram entregues à Receita Federal; em 2017 esse número mais que dobrou. No total, de lá para cá, são 95.399 pessoas que imigraram para outros países.

Além da segurança, os entrevistados também apontaram a crise política e econômica vivida no Brasil nos últimos anos como motivo para buscarem novas oportunidades em terras estrangeiras.
 
UBERLANDENSES
 
Segundo a bacharel em marketing em moda Lívia Carneiro, apesar de Uberlândia oferecer uma boa qualidade de vida, a situação política e econômica do País, além da falta de segurança, não a agradavam. Há dois anos ela decidiu deixar o Brasil e atualmente vive com a filha no litoral de Portugal, em Cascais, a cerca de 12 horas de voo do Brasil.

Hoje, ela trabalha em hotel e explica que, como toda mudança, no início houve algumas complicações devido à burocracia para tirar os vistos para morar e trabalhar.

“Foram 90 dias sem trabalhar para cumprir com o protocolo, mas sobre a minha filha que chegou aqui com 8 anos, não tive dificuldade nenhuma em conseguir matrícula em uma escola”, disse Lívia. Ela destaca que o principal motivo para permanecer em Portugal, principalmente em relação à filha, hoje com 10 anos, é a segurança.

Já a enfermeira Paula Tameirão está de férias no Brasil, mas há oito anos se mudou com o marido para o Canadá, onde vivem até hoje. Desde então, a família cresceu com a chegada de três filhos. “Tudo começou em uma palestra sobre imigração para o Canadá, o que sempre tivemos interesse”, disse.

Segundo ela, após se programarem, montaram um projeto para o marido concluir um mestrado, e ela, trabalhar como enfermeira, profissão que já exercia em Uberlândia. Com o tempo, os objetivos foram conquistados. “Não penso em voltar a morar no Brasil. Apesar da distância da família, do frio de até -30º C que enfrentamos lá, o estilo de vida que nos é oferecido conta muito a favor. Educação, oportunidades e, principalmente, a segurança. Com essas qualidades você se acostuma fácil”, afirmou Paula Tameirão.

O estudante Sérgio Vidal vive sua segunda experiência fora do Brasil e afirma que desta vez é em definitivo. Entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, o uberlandense viveu em Portugal com uma bolsa de estudos. “Retornei ao Brasil, mas notei que faltava algo, sentia falta da vida que a Europa tinha me proporcionado”, disse.

Em agosto de 2017, o estudante conseguiu novamente uma bolsa de estudo, desta vez na Hungria, onde vive há cinco meses. “Inicialmente pretendo ficar aqui por cerca de um ano, mas não é onde quero morar. Vou me mudando até encontrar o lugar que eu me identifique mais”, conta.

Ele também fala de outros motivos que o levaram a buscar oportunidades fora do Brasil, como o emprego e a segurança. “Vivemos toda essa bagunça que existe atualmente no Brasil e aqui terei melhores oportunidades de trabalho. Também já havia experimentado a segurança e qualidade de vida europeia, o que é o diferencial”, ressalta Vidal.
 
PROJETO

Mudança deve ser bem planejada, diz especialista

A life coach especialista em desenvolvimento profissional e pessoal Ana Paula Rocha afirma que se o seu desejo é viver em outro país, é importante que haja um bom planejamento, com metas traçadas. “É fundamental que a pessoa saiba o principal objetivo dessa mudança, se é para conhecer uma nova cultura, realização de um sonho ou busca por uma evolução profissional”, ressalta.

Ela diz também que o processo envolve muita burocracia e organização. “É um movimento que está em alta, por isso se informar sobre os processos dessa mudança e escolher bem o destino são passos importantes para que a pessoa tenha sucesso”.

Sobre as burocracias na hora da mudança, Ana Paula conta que existem muitas agências que podem ajudar na questão de documentação, locais para ficar e até na busca por emprego. “Mas se for uma pessoa organizada e com dedicação, consegue realizar todo esse processo sozinha, pois todas as informações estão disponíveis na internet”, afirma.

Em relação à busca por emprego, a especialista também ressalta que um currículo atualizado e nos padrões exigidos fazem a diferença.

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