26/01/2018 às 18h32min - Atualizada em 26/01/2018 às 18h32min

UFU adota sistema para checar autodeclarações

Candidatos terão de enviar por internet formulário com fotos e vídeo

DA REDAÇÃO
Pró-reitor de graduação diz que sistema foi adotado para evitar fraudes em ingresso por cotas / Foto: Vinícius Lemos

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) implantou um procedimento online para verificar as autodeclarações de candidatos cotistas aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O processo visa eliminar a entrevista presencial, adotada como forma de evitar fraudes em matrículas, e facilitar a inscrição de ingressantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas residentes em outras cidades.

Para terem direito às vagas reservadas a esses cotistas, os aprovados pelo Sisu precisarão anexar ao formulário online de matrícula na UFU, além da cópia em formato de imagem (JPEG, JPG ou PNG) do documento pessoal, uma foto e um vídeo lendo o texto de autocleração gerado automaticamente a partir dos dados informados no sistema. 

No caso de indígenas, será necessário anexar uma cópia do Registro Nacional de Nascimento de Indígena (Rani), também em formato JPEG, JPG ou PNG. Os candidatos cotistas aprovados para a UFU na chamada regular do Sisu deverão realizar estes procedimentos entre os dias 5 e 7 de fevereiro.

"Esta dinâmica já foi utilizada por nós e obteve ótimos resultados nos últimos processos seletivos da Escola Técnica de Saúde (Estes) e dos cursos ofertados na modalidade de Ensino a Distância (EaD). As fotos e os vídeos são avaliados por membros da Comissão para a Diversidade Étnica, que observam as características fenotípicas - como a cor da pele, os formatos do rosto, do nariz e dos lábios e a textura do cabelo - para homologar ou não a matrícula do candidato na modalidade de cota informada por ele em sua autodeclaração", explica o técnico Alexsandro Mariano, um dos membros da equipe de Tecnologia de Informação da Prograd responsável pelo desenvolvimento do novo sistema.

O processo utiliza uma plataforma virtual que se adapta para o acesso tanto via computadores convencionais quanto por notebooks, tablets ou aparelhos celulares. Outra vantagem apontada pelo analista de TI diz respeito ao aumento da agilidade do procedimento. "Nas entrevistas presenciais, precisávamos de dois dias para fazer a verificação dos dados informados nas autodeclarações de 300 candidatos. Já com esse novo método conseguimos checar o mesmo volume de homologações em cerca de 4 horas", compara, acrescentando que a primeira análise é feita por três membros da comissão e os eventuais recursos, por outros três - todos eles, membros da comunidade acadêmica da UFU.

PIONEIRISMO

De acordo com o pró-reitor de Graduação, professor Armindo Quillici Neto, esta comissão é atualmente constituída por 12 pessoas, ou seja, o dobro de componentes da época em que foi responsável pela homologação dos candidatos inscritos como PPIs no último vestibular realizado pela UFU.

"Por lei, não é permitido que haja membros permanentes nesta comissão. Por isso, contamos com a ajuda do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) para fazermos um trabalho de seleção e captação de novas pessoas que trabalham e estudam esta temática étnico-racial", exemplifica.  

Quillici informa, ainda, que o sistema desenvolvido na UFU é uma novidade no Brasil e tem perspectivas de ser adotado em breve por outras instituições públicas. "A Lei de Cotas para o Ensino Superior é sempre um tema que gera muita polêmica e esta é uma das ferramentas que foram idealizadas para evitar fraudes e fazer com que apenas quem realmente tenha direito possa ingressar em um curso de graduação por meio das vagas destinadas aos cotistas. Nossa experiência tem obtido bons resultados e, por isso, pode servir de modelo para outras universidades", comenta o pró-reitor.
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