07/01/2018 às 05h05min - Atualizada em 07/01/2018 às 05h05min

Grupo de Uberlândia se une em corrida contra o tempo

'Uberlândia Rosa' busca profissionais para ajudar pacientes com câncer

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Carol Dama está em remissão após tratar câncer de mama / Foto: Arquivo Pessoal

 

As festas de fim de ano foram diferentes para Ana Carolina Cardoso Silva Dama em 2017, com mais razões para celebrar a vida. A manicure, conhecida como Carol, recebeu um diagnóstico de câncer de mama no final de 2015. Sem plano de saúde particular, ela dependia do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber tratamento e afirma que além da fé, precisou contar com a sorte para chegar à cura. Foram dois fins de ano complicados com recesso nos hospitais, equipamentos quebrados e incertezas. Mãe de uma menina e de um menino, Carol contou com a ajuda deles, do marido e de toda a família para buscar forças nesta luta.

Para que pacientes como a Carol tenham mais chances de cura, o projeto “Uberlândia Rosa”, lançado em outubro do ano passado, busca parcerias com médicos e laboratórios para agilizar o atendimento de mulheres diagnosticadas com câncer e que tenham uma renda de até dois salários mínimos. “É muito difícil quando se recebe o diagnóstico e se corre contra o tempo. Os médicos ficam com as mãos atadas, porque eles fazem os pedidos necessários e nem sempre temos como fazer os exames a tempo. Tenho certeza que muitas mulheres hoje estariam vivas se tivessem um atendimento mais rápido”, disse Carol.

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres e representa 28% dos novos casos a cada ano. Segundo o Instituto do Câncer (Inca), só em 2017 a projeção era de 60 mil novos casos e 14 mil mulheres poderiam ir a óbito por causa da doença. Porém, um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início, mas muitas pessoas, por medo ou desconhecimento, preferem não falar no assunto e acabam atrasando o diagnóstico.

Os idealizadores do projeto reconhecem que é preciso continuar com as campanhas de prevenção, porém, querem mais ação para realmente fazer diferença na vida da mulher que recebe o diagnóstico de câncer e só tem o sistema público para recorrer. A ideia é atuar diretamente na cura e na qualidade de vida durante o tratamento.

“Meu primeiro atendimento, quando notei as ínguas na axila, foi no posto de saúde. O enfermeiro-chefe pediu um ultrassom. A situação era preocupante e não teria como esperar na fila do SUS. Na época paguei R$ 80 pelo exame que diagnosticou nódulos e cistos”, recorda Carol. Ela contou com a ajuda da mãe para conseguir uma consulta com uma ginecologista na UAI Roosevelt, que a encaminhou para um mastologista da UAI Martins. “Ele olhou o ultrassom e não gostou do que viu. Me pediu uma mamografia com urgência que eu não tinha como pagar. Esperei na fila do SUS e tudo que um paciente de câncer não pode é esperar. Foi numa consulta na rede particular que descobri que o câncer era agressivo, grau 3”, conta Carol.

O mastologista de Carol falou da importância de ela entrar no Hospital do Câncer, e com a documentação em mãos ela começou outra batalha para conseguir uma vaga. Se Carol tivesse esperado sair uma consulta pelo SUS, talvez não tivesse um final feliz. Depois que entrou no Hospital do Câncer ela teve o melhor tratamento possível, porém, enfrentou problemas com máquinas quebradas que atrasaram processos de quimio e radioterapia.

A cirurgia da retirada dos nódulos foi feita no Hospital Municipal em setembro de 2016, e a radioterapia só começou em dezembro e o processo foi interrompido algumas vezes por falta de equipamento.

Agora a manicure está em processo de remissão. São cinco anos com ingestão de inibidor de hormônios e acompanhamento com mastologista a cada seis meses, quando também deve ser feito outro ultrassom. “Fui à consulta em setembro e fiz o pedido, ainda estou na fila”, disse Carol.

 

REFERÊNCIA NACIONAL

O “Uberlândia Rosa” quer ser uma referência nacional e acabar com essa espera que angustia mulheres diagnosticadas com câncer e que dependem do atendimento no SUS. Idealizado por Neuza Pinheiro do Prado, Daniella Nayder e Keila Miranda, o projeto conseguiu o apoio do médico Juliano Rodrigues da Cunha, cirurgião oncológico e mastologista da rede pública de saúde, que se prontificou a auxiliar no que fosse necessário.

A importância de uma equipe multiprofissional e a busca pela humanização no cuidado com as pacientes vieram de encontro com a participação da psico-oncologista Fabiana Faggiani. As idealizadoras também precisaram do apoio de entidades privadas, o que começou com a adesão do médico Silésio do Prado, ginecologista e obstetra.

As idealizadoras afirmam que felizmente a consciência e boa vontade encontrada em todos os setores permitiram a consolidação do que se propunha inicialmente, bem como viabilizou ampliar a área de abrangência do público alvo. O embasamento jurídico de todo o processo está sob os cuidados de Luciane Aquino, médica e advogada, especializada em Direito Médico.

O sentido de todos os esforços visa à disponibilização de serviços para diagnóstico e tratamento dos casos suspeitos ou confirmados, buscando maior agilidade e taxas de cura que se aproximam de 95%. Todas as instituições base de apoio do projeto, como hospitais e laboratórios, se colocaram prontamente à disposição, entendendo cada um deles a sua responsabilidade social e o grande benefício que o projeto trará para Uberlândia.

“No momento, ainda não temos ideia de qual será a grandeza do projeto, mas nossa intenção é de que ‘Uberlândia Rosa’ não seja apenas uma iniciativa que finda após o calor do impacto inicial, e sim, que seja ampliada e que consiga salvar um grupo significativo de mulheres que necessitam de tratamento e cuidados. Esperamos poder contar com o apoio e adesão de todos que vislumbrem neste projeto mais uma forma de agir em prol de quem precisa”, disse Neuza Pinheiro.

Quem quiser colaborar com o projeto basta entrar em contato com as pessoas já envolvidas no “Uberlândia Rosa”.


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