21/12/2017 às 07h13min - Atualizada em 21/12/2017 às 07h13min

Denúncia indica tráfico de drogas

Quatro delegados e 18 investigadores da Civil são citados por envolvimento em desvio de 1 ton de maconha

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Operação Fênix foi deflagrada na terça-feira e resultou na prisão de oitenta pessoas / Foto: Vinícius Romario

 

Parte dos investigadores e delegados da Polícia Civil (PC) detidos durante a Operação Fênix, deflagrada terça-feira (19) pelo Grupo de Atuação Especial o Contra o Crime Organizado (Gaeco), esteve envolvida com o tráfico de drogas e desviou cerca de 1 tonelada de maconha. O Diário do Comércio de Uberlândia teve acesso a uma das 29 denúncias da operação e, nela, quatro delegados, 18 investigadores, um advogado e outras quatro pessoas são enquadrados em 10 crimes diferentes.

A nova denúncia é um desdobramento da operação 100 Anos de Perdão, também do Gaeco e que havia sido deflagrada em maio deste ano. Na denúncia assinada por quatro promotores, as investigações mostraram que dois delegados e investigadores arquitetaram um plano para que parte de uma carga de 4,3 toneladas de maconha fosse apreendida na cidade de Patrocínio, a cerca de 150 quilômetros de Uberlândia. O caso ocorreu em setembro de 2015.

Por meio de informações obtidas com pessoas envolvidas com o transporte e armazenamento clandestinos daquela droga, os policiais armaram o que seria a apreensão legítima de parte do material visado, o que aconteceu, inclusive com a prisão do grupo que vendera a droga aos policiais. Entretanto, o plano era, na realidade, conseguir pegar o restante da droga escondida na zona rural de Patrocínio e desviar parte de todo o volume.

Como o caminho até a fazenda que servia de esconderijo não foi detalhado na primeira ação da polícia, dois dos homens presos foram torturados durante uma madrugada para entregar o local. Um deles, depois que lhe foi dito que o comparsa havia sido morto, acabou entregando a localização. Outras 2,9 toneladas de maconha foram conseguidas.

Apesar de terem arrecadado quase 3 toneladas do entorpecente, os policiais civis envolvidos entregaram menos de 2 toneladas, dadas como apreensão na chamada Operação Zeus, da própria PC. O restante foi vendido pelos policiais e comparsas.

 

CONFLITO

O que chamou a atenção no caso é que a droga desviada e apreendida seria de outra organização criminosa formada também por policiais civis de Uberlândia. Estes foram denunciados dentro da operação 100 Anos de Perdão do Gaeco. De acordo com a denúncia desta semana, o conflito gerado pela possível investigação e o incômodo de parte do grupo prejudicado envolveu outros dois delegados em Uberlândia, incluindo a chefia do departamento da PC local à época, para que os fatos fossem acobertados.

No texto da denúncia, os promotores argumentam que todos os envolvidos, exceto dois delegados e o advogado citado, concorreram de qualquer forma para os crimes ligados ao tráfico de entorpecentes, quando detinham o dever legal de agir e impedir esse tipo de prática delituosa. Nesse caso, os que não aderiram aos crimes, foram omissos, segundo a promotoria. Além do tráfico de drogas, entre os 10 crimes imputados aos envolvidos nessa denúncia estão os de associação criminosa, receptação por conta de um veículo furtado usado no transporte da droga, tortura, fraude processual e falsidade ideológica.

 

REORGANIZAÇÃO

Delegados presos são dispensados e substitutos assumem

ISABEL GONÇAVES | REPÓRTER

A operação Fênix, deflagrada anteontem pelo Gaeco em Uberlândia e dez cidades da região, além de outros dois estados, resultou na prisão de oitenta pessoas, dentre elas 39 investigadores da Polícia Civil, nove delegados e um ex-delegado. Com isso, dispensas e novos nomes para a ocupação dos cargos foram publicados no Diário Oficial de Minas Gerais ontem.

Em Uberlândia, o Delegado Geral de Polícia Hamilton Tadeu De Lima, que assumiu o cargo em fevereiro de 2016 e está entre os presos na operação, foi dispensado do cargo. Desse modo, a chefia interina do 9º Departamento de Polícia Civil na cidade foi designada pra o delegado Edson Rogério De Morais, que continua também no comando da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Uberlândia.

No Diário Oficial também consta a dispensa de Mary Simone, Delegada Geral de Polícia em Araguari, de responder pela 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil De Araguari/9º Depto. O delegado Luciano Alves Dos Santos, passa a responder interinamente pelo expediente.

Elber Barra Cordeiro, Delegado Geral de Polícia Civil em Patos de Minas, foi dispensado do 10º Departamento. Assim, Cezar Felipe Colombari Da Silva, que respondia pela 3ª Delegacia Regional de PC em Frutal, assume a chefia local. Em Frutal, o delegado Fabricio Oliveira Altemar, que atuava em Fronteira, passa a responder pela 3ª Delegacia Regional de PC.

Em Pouso Alegre, o delegado André Vinícius Corazza foi dispensado de suas responsabilidades com a 1ª Delegacia Regional De Polícia Civil e do 17º Departamento de Polícia Civil na cidade. Desse modo, Artur Augusto Ribeiro Da Silva, procedente de Monte Sião, passa a responder pelo expediente da 1ª Delegacia Regional e interinamente pelo 17º Departamento.


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