10/12/2017 às 05h49min - Atualizada em 10/12/2017 às 05h49min

É tempo de alimentar a esperança

Presépios lembram da importância da tolerância, amor ao próximo e da solidariedade nos dias de hoje

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Presépio montado na Igreja Nossa Senhora da Aparecida, em Uberlândia, com a manjedoura à espera do Menino Jesus / Foto: Divulgação

 

Principal símbolo natalino o presépio já é visto por todos os lados. Montado a partir do primeiro domingo do Advento (primeiro domingo de dezembro) ele permanece até 6 de janeiro nas igrejas, casas, comércios, fazendas, praças e até espaços culturais da cidade. Inspirado na bíblia e com origem no século 4 o presépio representa a cena do nascimento do Menino Jesus. Por isso, tradicionalmente, sua imagem só deve ser colocada na manjedoura na noite de 24 de dezembro.

O presépio montado em frente à Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Uberlândia, faz aumentar o movimento no local. “Nessa época as pessoas ficam mais emotivas, sensíveis e solidárias. Símbolos como a Árvore de Natal e o presépio ajudam na vivência dessas pessoas, chegando ao coração delas com essa mensagem de esperança no futuro”, disse o padre Claudemar Silva.

Para ele, seja montado em uma casa simples ou nos jardins de uma mansão, o importante é lembrar o que o presépio representa: a espera pela chegada do Menino Jesus. “Esse é um momento para alimentarmos a esperança, o amor ao próximo, a crença em dias melhores. Nós queremos um mundo com menos violência e mais saúde, menos corrupção e mais tolerância e principalmente respeito ao ser humano”, afirmou o padre.

A movimentação da família, desde as crianças até os idosos, em torno da montagem do presépio é outra mensagem positiva. Para o Padre Claudemar, a espera pelo Natal evoca esperança em dias melhores e todas as figuras do presépio deixam clara essa convivência harmoniosa e a origem humilde de Jesus. “Fala de abrir o coração para a essência que é esse tempo da espera por Ele. Um Deus que se tornou homem como nós e nos mostrou que é possível superar as barreiras e dificuldades da vida”, comentou.

Há quase 50 anos a família de Heloísa Fátima Campos mantém a tradição de montar o presépio embaixo da árvore de Natal em casa. A mãe sempre foi devota de Nossa Senhora Aparecida e dos três Reis Magos. O pai era devoto de Nossa Senhora Aparecida e foi por causa dele que essa tradição começou. “Meu pai queria uma imagem maior de Nossa Senhora para colocar em um altar e não conseguia achar. Certo dia foi até a paróquia de Nossa Senhora Aparecida para perguntar ao padre sobre como conseguir. O padre chamou ele no altar e disse que aguardava uma nova estátua vinda de Roma e o presentou com a imagem que estava no santuário”, contou.

O pai, que havia ido de bicicleta do bairro Martins até a igreja no bairro Aparecida voltou a pé para casa. Na mesma noite ele sofreu um mau-súbito durante o banho e faleceu. “Tem gente que fala que foi emoção. Minha mãe fez uma promessa de que enquanto tivesse uma filha viva faríamos esse presépio para lembrar meu pai. E já se passaram 48 anos.

A família de Heloísa é um exemplo de convivência harmoniosa entre diferentes religiões: kardecistas, espíritas, mórmons. “Cristão é aquele que crê em Deus e nós cremos. Minhas filhas e meus netos têm liberdade de escolher a religião que quiserem e um respeita a escolha do outro”, disse Heloísa que é conselheira do Grupo Espírita Seara do Amanhã (Gesa).

Todos ajudam na confecção do presépio o que deixa a família ainda mais unida e a certeza de que essa tradição ainda vai perdurar por gerações.

 

PATROCÍNIO

FOTO: YARA CUNHA OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO

Na cidade de Patrocínio, a cerca de 150 km de Uberlândia, o presépio da família Oliveira completa 85 anos de tradição. Em 2017, a convite da Secretaria de Cultura da cidade, está exposto na Fundação Casa da Cultura, onde fica até 6 de janeiro e vira uma atração não só para os patrocinenses como para os visitantes.

 

EM NOME DO PAI

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Há 48 anos a família de Heloísa Fátima Campos perdeu seu patriarca. Desde então, para lembra-lo, a pedido da mãe, eles montam o presépio embaixo da árvore de Natal. Segundo Heloísa foi uma promessa que tem sido cumprida e assim continuará pelas próximas gerações.

 

NAPOLITANO

FOTO: MARCO CREPALDI – SECOM PMU

O artista plástico Rossani Rossi montou um presépio Napolitano que pode ser visitado na Casa da Cultura, em Uberlândia. Nesse formato o cenário de nascimento do menino Jesus se dá em um ambiente urbano, para aproximar a memória com a realidade do público. Segundo Rossi, a obra foi inspirada em obras do século18, no qual retrata uma típica aldeia italiana medieval, com pessoas das mais diversas classes sociais em suas atividades cotidianas, em uma profusão de cores.

 

SIMPLICIDADE

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Na casa de Cristina Oliveira o presépio ganhou ares sustentáveis com a utilização de uma sacola parda de papel em sua confecção. O presépio não precisa necessariamente ter todas as suas figuras. No caso deste traz cinco delas: o Menino Jesus, Virgem Maria, São José, a manjedoura e a Estrela de Belém.

 

FIGURAS DO PRESÉPIO

Menino Jesus: filho de Deus, o escolhido para ser o salvador do povo

Virgem Maria: mãe do filho de Deus

São José: carpinteiro judeu, pai adotivo do Menino Jesus

Gruta ou Curral: lugar simbolizado no presépio onde fica o gado, é onde o Menino Jesus fica numa manjedoura

Manjedoura: lugar de aconchego onde Jesus ficou quando nasceu

Um burro, um boi, o galo e as ovelhas: animais que representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu

Anjos: eles anunciam aos pastores a chegada do filho de Deus

Pastores: homens do campo que simbolizam a simplicidade do povo

Estrela de Belém: é aquela que guiou os três Reis Magos quando Jesus nasceu e é colocada no topo da árvore de Natal

Três Reis Magos: Gaspar, Baltasar e Belchior - representam os povos pagãos. Considerados sábios eles simbolizam as raças distintas, representando a universalidade da Salvação. Eles vieram do Oriente conduzidos pela estrela. Chegaram à cidade de Belém, local de nascimento do Menino Jesus, trazendo presentes: mirra, ouro e incenso. O ouro representava a realeza, a mirra era símbolo da paixão e o incenso é oferecido a Deus: representa a divindade de Jesus.

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