15/11/2017 às 05h00min - Atualizada em 15/11/2017 às 05h00min

Inflação de outubro foi a segunda maior de 2017

O reajuste da conta de energia é um dos principais fatores

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
O economista Álvaro Fonseca apresentou os dados na tarde de ontem / Foto: Vinícius Lemos

 

Com uma variação de 0,62%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de outubro em Uberlândia foi o segundo maior de 2017. O resultado foi divulgado ontem pelo Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Os gastos com Habitação puxaram a inflação no último mês no Município, segundo a pesquisa, especialmente aqueles envolvendo energia elétrica.

A maior inflação registrada em 2017 continua do mês de janeiro, quando a variação chegou 0,86%. Em setembro, o IPC havia ficado em 0,04% e a variação em outubro de 2017 foi mais que o dobro do que em igual mês de 2016, quando o IPC ficou em 0,30%.

No acumulado, o IPC chega a 1,95%, índice considerado baixo, mas este é um ano atípico, segundo o economista e um dos responsáveis pela pesquisa Álvaro Fonseca. “O ano mostrou variações baixas, apenas uma negativa e recentemente na última houve uma grande variação. Esperamos que a inflação não passe (da casa) de 3%, mas é um ano estranho. Temos que ver o que vai acontecer”, disse.

 

IMPACTOS

A bandeira tarifária vermelha das contas de energia foi o grande vilão no último mês, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um aumento de 42,8% para o valor do patamar 2. Assim, a taxa extra passou de R$ 3,50 para R$ 5 a cada 100 kWh consumidos e os gastos habitacionais tiveram o maior impacto na inflação de outubro. “E você ainda tem levar em consideração que o reajuste da bandeira também incide sobre os impostos, os quais são cobrados na conta fechada, no que você consome. Ou seja, sem aumentar impostos há maior cobrança deles”, afirmou Álvaro Fonseca.

Alimentos e bebidas, além dos gastos com transportes, foram outros fatores que levaram à variação de 0,62% da inflação na cidade em outubro. Eles foram impulsionados por aumentos de valores da alimentação fora de casa e também por reajustes de combustíveis. Para novembro é esperado destaque novamente na questão dos transportes, por causa do último aumento nos postos da cidade, que levou o litro da gasolina a R$ 4,29.

 

RETRAÇÃO

Valor da cesta básica tem quinta queda seguida

Pelo quinto mês seguido, o valor da cesta básica em Uberlândia mostrou-se em queda. Em outubro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o gasto do uberlandense com 13 alimentos básicos ficou em R$ 342,70. Esse também é o menor preço de 2017.

De acordo com o economista da UFU Álvaro Fonseca, o que parece uma boa notícia pode esconder retração no consumo. “Não é normal (o comportamento dos preços). Isso pode ser o efeito acumulado de pessimismo do consumidor. Essa pode ser a tentativa do vendedor de atrair cliente e fazer girar os produtos”, disse.

Desde junho, os valores vêm caindo e, em setembro, a cesta havia sido cotada em R$ 343,50. A variação negativa acumulada chega a 7,54%. Ainda que produtos como batata e tomate tenham disparado, outros como açúcar, feijão e leite estiveram em queda em outubro.

 

IPC - Outubro/2017

Variação: 0,62%

Setembro/2017: 0,04%

Outubro/2016: 0,30%

Acumulado 2017: 1,95%


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