14/11/2017 às 09h55min - Atualizada em 14/11/2017 às 14h23min

Filho do presidente da Alerj é preso em Uberlândia

DA REDAÇÃO com FOLHAPRESS
Deputado Jorge Picciani (PMDB) foi abordado ao deixar aeronave no Rio / Foto: Reprodução/Instagram

 

Felipe Picciani, filho do deputado Jorge Picciani (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso na manhã desta terça-feira (14) em Uberlândia. De acordo com chefe da Polícia Federal na cidade, Carlos D’ângelo, ele foi abordado próximo ao aeroporto após deixar o pai no local, que embarcou para o Rio de Janeiro.

“Não houve resistência por parte do filho do deputado e a nossa única incumbência foi fazer a prisão logo após ele deixar o deputado no aeroporto. Os responsáveis pela investigação também nos mandaram alguns questionamentos para que o detido respondesse, mas, junto ao advogado, ele preferiu ficar em silencio”, afirmou D’ângelo. Após a prisão, Felipe Picciani permaneceu na sede da PF em Uberlândia até às 13h30, quando foi levado para o aeroporto e também embarcou para o Rio de Janeiro.

Já no aeroporto Santos Dumont, localizado na capital carioca, o pai de Felipe, deputado Jorge Picciani, foi intimado a depor na sede da Polícia Federal logo após desembarcar do avião. As ações fazem parte da Operação Cadeia Velha, desmembramento da Lava Jato que tem como objetivo cumprir dez mandados de prisão preventiva e temporária, busca e apreensão e condução coercitiva contra três deputados estaduais.

São alvos de mandado de prisão três empresários ligados ao setor de ônibus: Jacob Barata Filho, Lélis Teixeira e José Carlos Lavouras, todos alvos da Operação Ponto Final, deflagrada em julho.

Felipe Picciani é executivo na empresa Agrobilara, que pertence à família, sob suspeita de ser usada na lavagem de dinheiro da propina. A família Picciani foi um dos alvos do acordo de leniência da Carioca Engenharia em abril do ano passado. A matemática Tania Maria Silva Fontenelle, ligada à empreiteira, afirmou que comprou vacas superfaturadas da empresa Agrobilara Comércio e Participações Ltda. para "gerar dinheiro em espécie" para a empreiteira.

A executiva ligada à Carioca afirmou que "simplesmente atendia as solicitações de obter dinheiro em espécie e entregava a quem fazia a solicitação ou a pessoas da empresa por eles indicadas".

"Obviamente sabia que a destinação dessas quantias era ilícita, para corrupção ou para doação eleitoral não-declarada; que, entretanto, não manteve contabilidade ou controle disso, pois estava há muitos anos na empresa, tinha a confiança dos acionistas e eram recursos não oficiais que normalmente entregava aos solicitantes", declarou Tania Maria.

O escritor e colunista da Folha de S.Paulo Gregorio Duvivier filmou Jorge Picciani sendo abordado por policiais ao deixar uma aeronave no Rio de Janeiro (veja clicando aqui).

 

OPERAÇÃO

O nome da Operação Cadeia Velha é uma referência ao fato do local onde está a Alerj ter sido, no período colonial, uma prisão. Os mandados foram autorizados pelo desembargador Abel Gomes, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal do Rio. Eles têm como base a delação do doleiro Álvaro Novis, que declarou ter distribuído cerca de R$ 500 milhões entre 2011 e 2015 em propina para políticos a pedido de empresários de ônibus.

A Operação Ponto Final, que teve como foco a suposta quadrilha comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), apontou pagamentos de cerca de R$ 260 milhões. Os R$ 240 milhões restantes referem-se a pessoas com prerrogativa de foro privilegiado.

O Ministério Público Federal chegou a pedir a prisão dos três deputados, por considerar que cometiam crimes em flagrante, como lavagem de dinheiro e associação criminosa. Gomes, contudo, deferiu a condução coercitiva dos parlamentares.

De acordo com a Procuradoria, os três deputados "formam uma organização integrada ainda pelo ex-governador Sérgio Cabral e que vem se estruturando de forma ininterrupta desde a década de 1990".

 

TCE

O MPF diz ainda que a tentativa de nomeação de Albertassi como conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) "pode ter sido uma manobra para que a organização criminosa retome espaços perdidos com os afastamentos de conselheiros determinados pelo STJ, e também uma forma de atrapalhar as investigações, ao deslocar a competência para a apuração dos fatos e tirar o caso do TRF".

A indicação do deputado, feita pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), foi barrada pela Justiça. O caso provocou inclusive a demissão do procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola, que se recusou a defender a indicação no Tribunal de Justiça.

Pelas Constituição, a vaga aberta no TCE seria destinada a um auditor de carreira, e não a um deputado.


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